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Por que artista brancos estão passando a responsabilidade de falar sobre racismo para pessoas negras?

Por que artista brancos estão passando a responsabilidade de falar sobre racismo para pessoas negras?

A curadora, pesquisadora e educadora Luciara Ribeiro postou nesta quinta-feira, 11, uma declaração em relação a cessão temporária dos perfis de redes sociais de artistas brancos e brancas para pessoas negras. A prática que começou com a filosofa Djamila Ribeiro assumindo a conta do Instagram do humorista Paulo Gustavo se estendeu para outros artistas como Ingrid Guimaraes cedendo a conta para o youtuber e publicitário Spartakus, Tatá Werneck dividindo o perfil com a cantora Linn da Quebrada e Armando Babaioff que emprestou a conta para o publicitário Ricardo Silvestre.

No texto, Luciara afirma entender o porque dessa movimentação que tem por função visibilizar as pautas relativa a negritude e o protagonismo de pessoas negras, no entanto aponta que as iniciativas tem pouca atuação prática: “Vou levar essa campanha à sério quando essas mesmas pessoas brancas começarem a ceder os seus cachês e convites publicitários, quando rejeitarem convites de emissoras e programas racistas, quando contratarem pessoas negras para suas equipes”, explica.

Outro ponto bastante importante que Luciara traz é que esses artistas devem entender que “são agentes da mudança e que não dá para terceirizar tal responsabilidade” e que “pessoas brancas precisam assumir suas responsabilidades perante o racismo”. Nestas colocações, a curadora vai de encontro ao post feito pela cantora, compositora, poeta, tradutora, zineira, blogueira, editora, pesquisadora em literaturas da diáspora negra sexual-dissidente Tatiana Nascimento no dia 9 de junho:

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aí eu pergunto "o que vcs têm pensado sobre racialização como responsabilização/reparação" y alguém me devolve "o que vc acha que uma pessoa branca pode fazer pra ajudar?" sipá tem um feitiço de desinterpretação nas minhas palavras né? pq tenho insistido na inversão paradigmática fundamental que é: pessoas brancas, saiam da manifestação performática da culpa y construam uma ética da responsabilização racial. isso demanda coragem de tentar, errar, conversar entre vcs do que têm coragem de fazer, o que podem, o que não vão dar conta. eu não tenho interesse, nem condição, nem tempo de dizer o que outras pessoas têm que fazer com sua própria subjetivação racial pq já tenho a minha própria pra dar conta. acho bem justo se vcs considerarem fazer meu curso y remunerar meu trabalho se querem mais opinião minha além das várias nos textos abertos, gratuitos; mas se a busca é pra eu responder o que vcs devem fazer, importante lembrar: esperar isso de uma pessoa negra é investir em lógicas coloniais de servidão, y na desresponsabilização branca. não rola pra mim. não é pq tenho feito questão de dizer o que acho que não dá mais pra seguirem fazendo que significa eu ter alguma disposição de dizer o que acho que devem fazer, isso ME responsabilizaria pelo processo de autonomia de outras pessoas, o que é impossível de rolar. ngm dá autonomia a ngm,sou bem freireana aí, y acho que habitar as perguntas y o desconforto pode ser muito frutífero pra grupos que têm experimentado historicamente confortos ontológicos fundos, como a próprio delírio de desracialização. se insistirem em me perguntar o que eu acho que devem fazer, vou insistir tb: lê os textos, y/ou faz o curso. pague pelo meu trabalho ou se dê ao trabalho de ler mais de uma postagem. tô há mais de um ano escrevendo organizadamente sobre isso. tenho até um livro publicado! y como assim "ajudar" né. se o afã antirracista é pra "libertar nós pobres pessoas negras" então ceis não entenderam NADA de como o racismo tem a ver com sua vida enquanto processo antiético, lasca seu desenvolvimento enquanto sujeito em busca de libertação aqui nessa jornada da matéria y suas ciladas, ilusões de desracialidade. aff, só Jah viu.

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“[…] Tenho insistido na inversão paradigmática fundamental que é: pessoas brancas, saiam da manifestação performática da culpa y construam uma ética da responsabilização racial. isso demanda coragem de tentar, errar, conversar entre vcs do que têm coragem de fazer, o que podem, o que não vão dar conta”, explica Tatiana completando que a cobrança para que apenas pessoas negras falem sobre racismo é um problema e que não se deve esperar que pessoas negras sentem e ensinem pessoas brancas sobre questões raciais e sugere: ” lê os textos, y/ou faz o curso. pague pelo meu trabalho ou se dê ao trabalho de ler mais de uma postagem. tô há mais de um ano escrevendo organizadamente sobre isso. tenho até um livro publicado!”

Tatiana está inclusive ministrando um curso online sobre privilégio branco que você pode se inscrever aqui. É importante ressaltar que o curso é pago, como deve ser se tratando de um trabalho e que 50% da arrecadação será repassada pra um grupo de migrantes togoleses que vive em São Paulo e  para uma família negra do Distrito Federal.

Vale destacar ainda a postagem da co-deputada Erika Hilton que publicou também no dia 9 de junho uma lista de autores e autoras negras para se informar sobre questões raciais.

A Casa 1 entrou em contato com Luciara Ribeiro e Tatiana Nascimento pedindo autorização para reproduzir aqui as publicações feitas em seus respectivos perfis pessoais.

Centro de Acolhida e Cultura Casa 1
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