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Cia. da Revista faz nova temporada do premiado musical Tatuagem no Sesc Ipiranga

Com direção de Kleber Montanheiro, o espetáculo é uma adaptação teatral para o filme de Hilton Lacerda e venceu o APCA de melhor direção, além de ter se destacado em outros prêmios 

Sucesso de público e crítica, o musical Tatuagem, da Cia. da Revista ganha mais uma temporada em São Paulo, desta vez no Sesc Ipiranga, entre os dias 12 e 21 de maio, com apresentações às sextas, às 20h; aos sábados, às 15h e às 20h; e aos domingos, às 18h. 

O espetáculo é uma adaptação teatral dirigida por Kleber Montanheiro para o longa-metragem que rendeu o Kikito de melhor filme ao cineasta recifense Hilton Lacerda no Festival de Cinema de Gramado, em 2013. O trabalho estreou em 2022, no contexto das comemorações aos 25 anos do grupo, e venceu o Prêmio APCA de melhor direção. 

Além disso, a montagem ganhou o destaque em teatro no Prêmio Arcanjo 2022 e foi indicada aos prêmios Bibi Ferreira –  no qual ganhou melhor Ator Coadjuvante (André Torquato) e Melhor Arranjo Musical (Marco França) – de melhores direção, direção musical, ator revelação (para Cleomácio Inácio) e musical brasileiro; Shell, de melhor direção musical; e Destaque Imprensa Digital (DlD), em musical brasileiro, direção, ator revelação e ator coadjuvante.

O elenco conta com a participação de André Torquato, Bia Sabiá, Cleomácio Inácio, GuRezê, Júlia Sanchez, Larissa Noel, Lua Negrão, Lucas Truta, Mateus Vicente, Natália Quadros, Roma Oliveira e Zé Gui Bueno. Já a direção musical e os arranjos são assinados por Marco França e a produção pela Movicena Produções.

A trama acompanha a trupe teatral recifense Chão de Estrelas, que é liderada pelo extravagante Clécio Wanderley. Em uma noite, em 1978, os artistas recebem a visita do jovem Fininha, que é cunhado de Paulete, a estrela do grupo. Encantado com aquele universo marginal, o militar logo é seduzido pelo charmoso líder da companhia.

Os dois iniciam um tórrido relacionamento, que vai colocar Fininha diante de um grande problema: como viver esse amor e continuar trabalhando no repressivo ambiente militar em plena ditadura?

Algo curioso é que o Chão de Estrelas é inspirado no Teatro Vivencial, uma trupe pernambucana que fez sua arte nos anos de 1970 e 1980 e ficou conhecida por sua militância poética e como ícone da contracultura. E, de acordo com o diretor Kleber Montanheiro, o próprio trabalho feito pela Cia. da Revista tem muitas semelhanças com o do grupo retratado pelo filme.

“Nós todos temos essa ideia de junção de linguagens. A música sempre está muito presente em nossos espetáculos e exploramos outras possibilidades, como a dança, o circo, o circo-teatro e a própria revista como um gênero. Isso tem muito a ver com o Chão de Estrelas. E é interessante porque esse grupo estava inserido em um contexto de luta pela liberdade e nós estamos lutando para continuar com nosso espaço aberto, que ficou muito tempo fechado durante a pandemia”, compara o encenador.

Para transpor toda essa atmosfera criada pelo Chão de Estrelas no filme, a Cia. da Revista modificou até a estrutura de seu espaço. A plateia, por exemplo, será acomodada em cadeiras e mesas de dois lugares e até o hall de entrada e a fachada do espaço foram repensados para lembrar a sede do grupo fictício.

Tatuagem é o segundo espetáculo da trilogia de peças “Conexão São Paulo-Pernambuco”, que teve início em 2021, com a estreia de Nossos Ossos, a partir do romance do escritor Marcelino Freire. 

Trilha sonora d’As Baías

Kleber Montanheiro conta que a ideia de montar a adaptação surgiu nesse período de isolamento, em um momento que ele estava revisitando obras que marcaram sua vida. Acho que a música acabou sendo o ponto de partida. Eu estava assistindo ao filme e notei que as canções d’As Baías se encaixavam perfeitamente em várias cenas. Tenho amizade com a banda, principalmente com a Assucena, pois dirigi o show da turnê “Mulher”, do primeiro disco delas. E parecia que as músicas tinham sido feitas para o filme”, comenta.

Embora a adaptação seja muito fiel aos diálogos do longa, a trilha sonora passou a incorporar as 23 canções de Raquel Virgínia, Rafael Acerbi e Assucena – que ainda compôs mais uma música inédita, “Tatuagem”, como tema do espetáculo.

“Existem várias camadas da música dentro da peça. Como as canções das Baías não contam uma história com começo, meio e fim, mas falam sobre um tempo, muitas vezes, a música tem uma função narrativa. Às vezes, funciona como um pensamento de uma personagem, comenta uma ação anterior e até anuncia algo que está por vir”, acrescenta o diretor.

Sinopse

Recife, 1978. A trupe teatral Chão de Estrelas é liderada pelo extravagante Clécio Wanderley e tem Paulete como a principal estrela do grupo. Numa noite de show, eles recebem a visita do cunhado de Paulete, o jovem Fininha, que é militar. Encantado com o universo criado pela companhia, ele logo é seduzido por Clécio. Os dois iniciam um tórrido relacionamento, que coloca Fininha frente a um grande problema: lidar com a repressão existente no meio militar em plena ditadura. Um espetáculo sobre o amor e a liberdade em tempos de opressão.

Serviço

Tatuagem, com a Cia. da Revista

Temporada: De 12 a 21 de maio, às sextas, às 20h; aos sábados, às 15h e às 20h; e aos domingos, às 18h.

Sesc Ipiranga – Teatro – Rua Bom Pastor, 822, Ipiranga

Ingressos: R$40 (inteira), R$20 (meia-entrada) e R$12 (credencial plena)

Classificação: 16 anos

Duração: 135 minutos com intervalo

Acessibilidade: teatro acessível para cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida

Foto de capa: Divulgação/ Jennifer Glass

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