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“Vogue Funk” estreia no Sesc Pompeia e reúne referências da cena Ballroom e do Funk carioca

Sob uma iluminação azul vibrante, uma pessoa dança deitada de costas no chão, arqueando o corpo com o pescoço estendido e um braço aberto. Em primeiro plano, outra pessoa também aparece deitada na pista vestindo um conjunto claro.

O espetáculo “Vogue Funk” estreia em São Paulo no dia 30 de julho, para temporada no Sesc Pompeia, até dia 02 de agosto, e reúne artistas que hoje ocupam importantes circuitos internacionais da dança e da performance. A montagem consolida um percurso que agora ganha novo impulso com a conquista do Prêmio Klauss Vianna de Dança, principal programa de circulação da área no país.

A produção, idealizada por Rafael Fernandes e dirigida por Patyfudyda/Wallace Ferreira, nasce do encontro entre duas tecnologias negras e periféricas cariocas: a cultura vogue/Ballroom e o funk carioca. Ao total, nove artistas, oito dançarinos e dançarinas e um DJ, entre eles nomes consagrados dessas linguagens, constroem um espetáculo a partir das vivências de cada um, na condução de um baile que une as duas linguagens.

“Não queríamos fazer um espetáculo para explicar o vogue ou o funk. O interesse era criar uma obra a partir das experiências das pessoas que vivem essas culturas”, diz Patyfudyda. Para a diretora, o processo partiu da valorização das trajetórias individuais dos intérpretes, selecionados e convidados especialmente para o projeto. “Ninguém estava ali porque recebeu uma oportunidade. Todos já tinham uma história construída e uma excelência artística.”

A pesquisa aproxima o universo da Ballroom. A cena tem sua origem em Nova York, década de 80, como espaço de acolhimento e um manifesto para pessoas negras, latinas e LGBTQIAPN+ e, agora, mescla as manifestações do funk brasileiro, especialmente o passinho. A partir de cada artista, o espetáculo investiga como essas linguagens se reinventam no Brasil e criam novos movimentos da cena.

Inspirado nesses dois universos: Vogue Funk, parte da difusão da cultura ballroom nas periferias das principais capitais brasileiras e do reconhecimento do Funk como patrimônio cultural para retratar um encontro que já acontece nas ruas de cidades como Rio de Janeiro, Recife e São Paulo.

Conectadas por suas origens periféricas, predominantemente negras, marginalizadas e LGBTQIAPN+, essas manifestações ganham forma em cena por meio de elementos característicos de cada movimento, como DJs, bailes e balls, batalhas, MCs e chants, além das coreografias, dos passinhos, das vestimentas e das atitudes que constituem essas culturas.

Esta perspectiva aparece também na escolha do elenco. Segundo Rafael Fernandes, o critério não foi apenas reunir artistas de grande virtuosismo técnico, mas era importante cada um carregar identidade própria, ter personalidade em cena. “O que me interessava era justamente quem misturava referências de maneira natural. O espetáculo nasce desse encontro entre diferentes experiências e modos de dançar”, conta.

Ao longo da montagem, poses, gestos, desfiles, batalhas, música ao vivo e elementos performativos constroem uma dramaturgia que dialoga com memórias coletivas e arquivos corporais sem recorrer a uma narrativa explicativa. O público é convidado a mergulhar em um universo de dança, identidade e ocupação dos espaços.

Para Nyandra Fernandes, responsável pela direção de movimento, um dos principais desafios foi traduzir para a cena teatral a potência de artistas acostumados aos bailes e às batalhas de dança. “Foi um trabalho de entender o tempo da cena, construir uma presença coletiva e fazer com que cada intérprete mantivesse sua identidade sem perder o diálogo com o grupo”, diz.

A estreia paulistana acontece em um momento especial para o projeto, a circulação nacional possibilitada pelo Prêmio Klauss Vianna. E também de destaque para seus criadores e intérpretes. A diretora Patfudyda/Wallace Ferreira, ao lado de Davi Pontes, desenvolve uma nova criação em coprodução com o tradicional teatro Volksbühne, de Berlim, e concorre ao Prêmio Bloom, no Reino Unido. André Oliveira DB, um dos destaques do elenco, consolidou-se como referência internacional do passinho e da cultura Ballroom, e tem levado seu trabalho para festivais, residências e aulas em diversos países. Em outubro próximo, vai representar o Brasil na final do mundial do Red Bull Dance Your Style 2026, na Suíça.

A obra é uma realização da Quafá Produções, produtora com mais de 15 anos de atuação no mercado das artes da cena em âmbito nacional e internacional, com foco em produções ligadas às culturas urbanas, periféricas e populares.

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