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Coletivo AMEM realiza ball na 35ª Bienal de São Paulo

Com 1.100 obras, a 35ª edição da Bienal ocupa o Pavilhão do Parque Ibirapuera com o tema “Coreografias do Impossível”. Segundo Grada Kilomba, uma das curadoras do evento, esta edição é sobre “criar liberdade para novas narrativas”.

Para “coreografar o impossível”, os curadores convidaram 121 participantes a apresentar novas estratégias de pensar a realidade, abordando reflexões sobre vivências negras, indígenas, preconceito de raça, classe e experiências LGBTQIAPN+

Entre as atividades promovidas pelo evento, nos dias 16 e 17 de setembro, o coletivo AMEM, leva a cultura ballroom para o pavilhão com a “Ball do Tempo“.

A programação será dividida em duas partes. No sábado, 16/9, as pessoas participantes terão uma oficina ministrada por Félix Pimenta e Zaila, duas das personalidades mais conhecidas na cena ballroom brasileira. Já no domingo acontecerá a “Ball do Tempo”, com um júri convidado e com premiações em dinheiro.

Acesse aqui o site da Bienal para mais informações.

Serviço

Ball do Tempo com coletivo AMEM
Quando: 16 e 17 de setembro
Onde: Instalação Denise Ferreira da Silva, andar roxo
Pavilhão Ciccillo Matarazzo
Parque Ibirapuera, portão 3
Quanto: gratuito

Confira também 16 artistas e instalações imperdíveis na 35ª Bienal de São Paulo

Sauna Lésbica por Malu Avelar com Ana Paula Mathias, Anna Turra, Bárbara Esmenia e Marta Supernova é um projeto coletivo que busca transformar a instalação – que teve sua primeira edição apresentada no Valongo Festival Internacional da Imagem, em Santos (SP) em 2019 – em um espaço a ser coreografado por aqueles que o ocupam, um lugar seguro e celebração para corpos dissidentes.

O Archivo de la Memoria Trans (AMT) é um projeto colaborativo e independente gerenciado por pessoas travestis e trans na Argentina que reúne imagens e narrativas sobre a história recente da comunidade trans no país. O arquivo atualmente compreende uma coleção de mais de 15 mil itens, incluindo fotografias analógicas digitalizadas, fotografias digitais, vídeos, recortes de jornais, correspondências, diários pessoais, documentos – carteiras de identidade nacionais, passaportes, arquivos policiais –, roupas, objetos e testemunhos de pessoas trans que datam de 1936 até o final da década de 1990.

Arthur Bispo do Rosário (Japaratuba, SE, Brasil, 1909 [1911] – Rio de Janeiro, Brasil, 1989) viveu recluso por cinquenta anos em instituição manicomial, onde realizou suas criações que, segundo o artista, eram ditadas por anjos para serem apresentadas a Deus no Juízo Final. Concebido como inventário do mundo, esse conjunto artístico foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 2018 e foi exibido em mostras como Brasil + 500 mostra do redescobrimento e da 30a Bienal de São Paulo (Brasil), além da 55ª Bienal de Veneza (Itália).

Rosana Paulino (São Paulo, Brasil, 1967. Vive em São Paulo) é artista visual, pesquisadora e educadora, com doutorado em artes visuais pela Universidade de São Paulo e especialização em gravura pelo London Print Studio. Sua obra dialoga com questões sociais, étnicas e de gênero, com foco especial nas mulheres negras na sociedade brasileira e nos vários tipos de violência sofridos por essa população devido ao racismo e ao legado duradouro da escravidão.

Aurora Cursino dos Santos (São José dos Campos, SP, Brasil, 1896 – Franco da Rocha, SP, Brasil, 1959) pintou suas obras durante seu tempo de internação no Complexo Psiquiátrico do Juquery, no contexto das iniciativas de arteterapia da Escola Livre de Artes Plásticas dirigida por Osório Cesar. Suas obras, que por vezes abordam temáticas como sexo e violência, carregam as memórias e as marcas de uma vida de luta contra o patriarcado.

Em Una voz para Erauso. Un epílogo para un tiempo trans [Uma voz para Erauso. Um epílogo para um tempo trans] (2021-2022), as artistas trazem para o presente a complexa biografia de Antonio de Erauso. Conhecido como “A freira alferes”, foi um personagem do barroco colonial espanhol famoso por ter conseguido contornar o binarismo de gênero imposto aos corpos do Império.

Castiel Vitorino Brasileiro (Vitória, ES, Brasil, 1996. Vive entre São Paulo e Vitória, Brasil) estuda a transmutação e as formas de locomoção entre a vida e a morte. Além de artista, escritora e psicóloga clínica, seus trabalhos transitam entre performance, vídeo, fotografia, e instalação, tratando da cura, do encontro, da macumba e da dimensão psíquico-espiritual. Escreveu o livro Quando o sol aqui não mais brilhar: a falência da negritude (2022).

Rosa Gauditano (São Paulo, Brasil, 1955. Vive em São Paulo) trabalha com projetos de fotografia, exposições e livros que documentam, sobretudo, populações marginalizadas.

Zumví Arquivo Afro Fotográfico foi criado em 1990 por Lázaro Roberto, Aldemar Marques e Raimundo Monteiro nas periferias de Salvador, e guarda a produção fotográfica dos três fundadores desde os anos 1970, com registros de atividades políticas e culturais, e imagens da cultura afro-brasileira. Seu nome deriva da combinação da palavra “zum”, que traz o que está longe para perto na fotografia, e “vi”, de ter visto. Hoje, o projeto é dirigido por Lázaro Roberto com o apoio do historiador José Carlos Ferreira, que juntos trabalham para a disponibilização do acervo para pesquisadores do campo da documentação, cultura, memória e raça.

Stella do Patrocínio (Rio de Janeiro, Brasil, 1941 – 1992), poeta, ganhou reconhecimento somente após sua morte, depois de mais de trinta anos de confinamento na Colônia Juliano Moreira, no Rio de Janeiro. Sua fama póstuma veio com a publicação do livro Reino dos bichos e dos animais é o meu nome, organizado pela poeta e filósofa Viviane Mosé. O livro foi editado com gravações das falas de Patrocínio captadas pela artista plástica Carla Guagliardi no final da década de 1980, além de transcrições de outras conversas feitas pela psicóloga Mônica Ribeiro de Souza.

Ventura Profana (Salvador, BA, Brasil, 1993. Vive no Rio de Janeiro, Brasil) é pastora missionária, cantora evangelista, escritora, compositora e artista visual. Sua prática baseia-se na pesquisa das implicações e metodologias do deuteronomismo no Brasil e no exterior, através da difusão das igrejas neopentecostais. Profetiza multiplicação e abundante vida negra, indígena e travesti.

Xica Manicongo (c. 1600, Congo – Salvador, BA, Brasil, c. 1600) é considerada a primeira travesti do Brasil. Foi escravizada e trabalhou como sapateira na capital baiana. Recusava-se a usar roupas consideradas masculinas e a se comportar como se esperava de um homem e por isso foi acusada de sodomia e de fazer parte de uma quadrilha de feiticeiros sodomitas. Julgada pelo Tribunal do Santo Ofício e condenada à pena de ser queimada viva em praça pública e ter seus descendentes desonrados até a terceira geração, Manicongo abriu mão de sua identidade feminina.

Aida Harika Yanomami (1998) e Edmar Tokorino Yanomami (1986) nasceram e residem na comunidade Watorikɨ, na região do Demini da Terra Indígena Yanomami, Amazônia brasileira. Roseane Yariana Yanomami (1998) nasceu na comunidade Watorikɨ e reside na maloca Buriti, também localizada na região do Demini. Os cineastas fazem parte do coletivo de comunicadores Yanomami criado em 2018 pela Hutukara Associação Yanomami com apoio do Instituto Socioambiental (ISA). Thuë Pihi Kuuwi – Uma mulher pensando e Yuri U Xëatima Thë – A pesca com Timbó são os primeiros filmes que dirigem em conjunto.

Daniel Lie (1988. Vive em Berlim, Alemanha) cria com base em legados de migração e estudos queer. Suas obras e instalações são realizadas em colaboração com forças que elu chama de “além-de-humanes”, como bactérias, fungos, plantas, animais, minerais, espíritos e ancestrais. Elas foram exibidas em espaços como New Museum (Nova York, EUA), Centro Cultural São Paulo, Casa do Povo (São Paulo, Brasil), Institute for Art and Society (Yogyakarta, Indonésia), Espacios Revelados (Bucaramanga, Colômbia) e Kraftwerk Berlin (Alemanha).

A Cozinha Ocupação 9 de Julho – MSTC é uma cozinha comunitária do Movimento Sem Teto do Centro. O MSTC é um movimento de trabalhadoras e trabalhadores de baixa renda, dirigido por mulheres, que ocupam prédios abandonados na região central de São Paulo com o objetivo de garantir o direito constitucional à moradia e uma reforma política e social que democratize o direito à cidade. Desde 2017 desenvolve-se o projeto da Cozinha, cujo objetivo é criar uma economia solidária que favoreça moradoras e moradores das ocupações e a comunidade do entorno e promover, através de almoços abertos, uma maior visibilidade à luta por moradia e criar um ambiente de troca com a cidade com lançamentos de livros, rodas de conversa, shows e diversas apresentações culturais. Por meio das trocas de saberes e do ato de cozinhar, constrói-se a luta pela produção do comum.

Aline Motta (Niterói, RJ, Brasil, 1974. Vive em São Paulo, Brasil) trabalha com fotografia, vídeo, instalação, performance e colagem. Apresentou exposições individuais no MAR (Rio de Janeiro, Brasil) e Sesc Belenzinho (São Paulo, Brasil). Seus trabalhos foram apresentados em exposições em espaços como MASP, Tomie Ohtake (São Paulo, Brasil) e Centro Cultural Kirchner (Buenos Aires, Argentina). Exibiu vídeos no New Museum (Nova York, EUA). Publicou o livro A água é uma máquina do tempo (2022).

Foto de capa: Divulgação

A Casa 1 é uma organização localizada na região central da cidade de São Paulo e financiada coletivamente pela sociedade civil. Sua estrutura é orgânica e está em constante ampliação, sempre explorando as interseccionalidade do universo plural da diversidade. Contamos com três frentes principais: república de acolhida para jovens LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros) expulsos de casa, o Galpão Casa 1 que conta com atividades culturais e educativa e a Clínica Social Casa 1, que conta com atendimentos psicoterápicos, atendimentos médicos e terapias complementares, com foco na promoção de saúde mental, em especial da comunidade LGBT.

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