BLOG

Coletivo protesta contra agressão e lesbofobia no Metrô de SP

Julia Mendes, da Máfia das Minas, foi arrancada do banheiro feminino da estação Sapopemba ao ser confundida com um homem no domingo (10). “Eu exijo retratação”, diz mãe de uma colega de Julia no coletivo

Por Daniel Arroyo

As integrantes do coletivo cultural Máfia das Minas reuniram cerca de 50 pessoas na noite desta quinta-feira (14/4) para protestar em frente à estação Sapopemba do Metrô, na zona leste da capital paulista, após um episódio de lesbofobia e agressão ocorrido no último domingo (10/4). Julia Mendes, 21, integrante da Máfia das Minas, foi confundida com um homem e retirada à força do banheiro feminino da estação por um segurança do Metrô, e sua colega de coletivo Maria Luiza recebeu um tapa de um segurança ao filmar a ação.

O protesto começou por volta das 18h30 com uma animada batucada e a leitura de um manifesto do coletivo Periferia Preta: “Gritamos para sermos ouvidas, nenhuma lesbofobia e qualquer outra violência contra a população LGBTQIA+ será silenciada. Por todas as Luanas que tiveram suas vidas apagadas. Por todas que sofrem e sofreram violências cotidianas. Não seremos silenciadas! Não seremos apagadas!”.

Hosana Meira, 42 anos, mãe de Julia Silva, outra integrante da Máfia das Minas, comentou à reportagem indignada com a situação vivida pela filha e suas colegas. “Eu quero, eu exijo retratação do Metrô para essas meninas. Todas elas são potentes, e elas sabem disso. Porque elas têm mães que, diferentemente da minha época meus pais não tiveram condição de me explicar essa sociedade machista, homofóbica e racista que a gente vive, mas essas meninas sabem, e por isso que a gente está aqui”, afirma.

Fabio Pereira, da associação Amparar, conta que os manifestantes chegaram a formar uma comissão para ser recebida pelo Metrô, mas que os funcionários afirmaram que não poderiam fazer nada e direcionaram o grupo a buscar o setor administrativo da companhia, na estação Paraíso.

O protesto terminou por volta das 20h30 com a leitura de um jogral assinado pelo coletivo: “A Máfia das Minas, coletivo cultural da cidade de Mauá, repudia as agressões deferidas pelo @metrosp_oficial e convida a todas à reflexão sobre o ocorrido. Seria essa a última vez, dentre tantas outras que já ocorreram? Sabemos que não, visto que o aparelho repressor do Estado capitalista trabalha incessantemente pelo apagamento desses corpos e das mais diversas minorias”.

Na terça-feira (12/4) o Metrô informou em comunicado que afastou o agente envolvido nas agressões e que “não compactua com ações discriminatórias”.

Foto: Daniel Arroyo

Acesse o site da Ponte.

Foto de capa: Protesto contra lesbofobia em frente à estação Sapopemba do Metrô, na zona leste de cidade de São Paulo | Foto: Daniel Arroyo / Ponte Jornalismo

A Ponte Jornalismo é uma organização sem fins lucrativos criada para defender os direitos humanos por meio do jornalismo, com o objetivo de ampliar as vozes marginalizadas pelas opressões de classe, raça e gênero e promover a aproximação entre diferentes atores das áreas de segurança pública e justiça, colaborando na sobrevivência da democracia brasileira. O conteúdo da Ponte Jornalismo é livre de direitos autorais e reproduzido aqui no site da Casa 1 com os devidos créditos

Notícias Relacionadas

Encontro de Lutas: confluências entre o Dia Internacional de combat...

VoteLGBT participa do WebSummit Rio

23ª Feira Cultural da Diversidade LGBT+ transforma o Memorial da Am...

Espetáculo LGBT+ estreia gratuitamente em bibliotecas de SP

Sem apoio institucional, professores de SP combatem LGBTfobia com c...

Movimento Indígena LGBTQIAPN+ lança manifesto durante Acampamento T...

Marina Lima celebra sua carreira em show único na Casa Natura Music...

Premiado filme espanhol, “20.000 espécies de abelha” se...

10 formas de saber mais sobre Libras e a comunidade surda

“Amor e outras Revoluções”, peça inspirada em obra de b...

28ª Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo, que acontece dia 2 de jun...

Conheça o Clube do Livro “Pomar”, o clube de leitura da...