Desde 2012 o Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba já levou mais de 150 mil pessoas para as salas de cinema, 30 mil pessoas para as sessões on-line e já exibiu mais de 900 filmes nacionais e internacionais.

O Olhar de Cinema já faz parte do cenário do cinema independente no Brasil e no mundo. Com o objetivo de destacar e celebrar as obras independentes ao redor do mundo realizando uma seleção de filmes com propostas estéticas inventivas, envolventes e com comprometimento temático, que passem desde a abordagem de inquietações contemporâneas acerca do cotidiano e micro universo das relações, até posicionamentos sobre questões políticas mundiais. A prioridade é a seleção de filmes experimentalistas que ainda assim tenham um grande potencial de comunicação com o público.

O festival procura sempre valorizar o cinema brasileiro, especialmente o paranaense. Seguindo essa proposta, a programação em cartaz conta com um grande número de filmes ainda não exibidos no Brasil.

Os filmes são disponibilizados apenas em território nacional e você pode comprar o ingresso aqui.

Vamos aos filmes!

A BUSCA DO EU E O SILÊNCIO

Há inúmeras formas para que a não-comunicação se estabeleça, seja por conflitos, idiomas ou culturas. Neste filme de Giuliano Robert, o fato acontece por interferência da língua: uma mãe ouvinte relata o início de um processo de comunicação com o filho surdo. Partindo das experiências da mãe, Márcia, o documentário é conduzido pelo filho, Giuliano, em busca da relação com uma cultura que através da falta de informação e acesso, silencia maneiras outras de se comunicar. 

Recomendamos ativar as legendas em português para este filme, pois possui trechos em Libras.

A CIDADE DOS ABISMOS

Um assassinato, na véspera de natal, estabelece uma insólita conexão entre figuras melancólicas e marginais da noite paulistana, dando início a uma busca vertiginosa por justiça nos submundos da maior metrópole do país. “A Cidade dos Abismos” atualiza, pelas lentes políticas contemporâneas, a invenção, a irreverência e o onírico de filmografias de outros tempos, tornando próprio e singular aquilo que herda desse passado. Por ironia ou mau presságio, em sua atmosfera fúnebre, refletem também as marcas de um tempo que ainda estava por vir.

AQUELA MESMA ESTAÇÃO

Em aquela mesma estação, as viagens perfazem um percurso duplo: ao mesmo tempo em que permitem um encontro consigo mesmo, por meio tanto da memória pessoal e familiar, conectam múltiplos deslocamentos, e vidas atravessadas pelas borrascas de uma modernidade global turbulenta. Neste sentido, o rádio, limite de uma ação individual possivelmente perturbadora, é em Aquela mesma estação uma imagem poderosa da escuta e decifração dos destroços de nossos tempos. 

AS VEZES QUE NÃO ESTOU LÁ

Rossana convive com a condição mental Borderline, um transtorno de personalidade, onde há uma súbita e intensa instabilidade de emoções, cotidianamente. Diante disso, pensar em morrer ou pelo menos deixar de existir parece uma boa saída para um corpo (preto) e uma mente (inquieta), que recorrentemente sente não se encaixar. Dançar, criar, chorar, abraçar, sorrir, cantar, se medicar: o filme opera na junção de fragmentos de um corpo-mente em certa desordem, em busca de bem estar, nem que seja por instantes.

BIA MAIS UM

Bia volta para casa, só que junto com ela retorna algo que não permite que este lar possa voltar a ser o mesmo de antes. Um sentimento de deslocamento face à realidade cotidiana acompanha a personagem, e o encontro dela com Jean parecerá somente tão palpável quanto os games, mensagens no whatsapp ou posts do Instagram com os quais ambos interagem. Assim, os comparsas da produtora O Quadro seguem com sua investigação sobre como fazer um cinema de ficção jovem, que consiga filmar seus personagens à altura dos olhos e com sinceridade, sem condescendência nem julgamentos.

CARRO REI

Nascido em um carro, desde muito cedo Uno mantém uma relação bastante especial com eles. A partir da reforma de um velho automóvel da família, ele e seu tio, o mecânico Zé Macaco, darão início a um movimento que ninguém pode prever como e onde vai terminar. Ao misturar elementos de vários gêneros cinematográficos, passeando entre a fantasia desbragada e o ancoramento numa realidade bastante específica, Renata Pinheiro constrói um filme único no panorama do cinema brasileiro atual, ao mesmo tempo urgente e atemporal. Cinema livre e incômodo, como deve ser aquele feito em tempos absurdos.

COLMEIA

A frontalidade do depoimento de uma mulher que relata sua experiência de violência e trauma antes e depois de ter passado por um presídio, entra em contato direto com uma paisagem que se coloca atrás dela e que fala sobre todas as outras camadas de violência que a fizeram ter passado pelo que ela passou. Olhando para a câmera, essa mulher joga as cartas de tarot pra humanidade (e pra nós, que a assistimos como se fôssemos seu contraplano, como se fossem nossas as perguntas pras cartas) e revela notícias do fim do mundo. Deste mundo. “Se o céu cair nas nossas cabeças, é nele que vamos morar”.

DEUS TEM AIDS

Na contramão do imaginário socialmente estratificado em torno da epidemia da AIDS no Brasil, e da sorofobia cotidiana direcionada às pessoas que vivem com HIV, o documentário se lança no gesto de remodelar e se apropriar desses termos e imagens tão codificados, voltando-se para o olhar de sete artistas e um médico ativista sobre suas trajetórias, seus desejos e percepções. Junto às entrevistas que ancoram o filme, reverberando a provocação presente no título, reside a aposta nas formas e discursos artísticos como possibilidade de elaboração crítica e afirmação de vida no presente.

ELAS SÃO O MEU INÍCIO

Na aldeia Tekoa Mbya Takuaty, localizada na Ilha da Cotinga (PR), acompanhamos a vivência da primeira aldeia liderada por uma mulher, Juliana Kerexu – a Cacica. Guiada pelo espírito de Nhanderu, pela espiritualidade e política mbya-guarani, e pelas referências que possui por perto: mãe, avó e filha, a cacica fortifica suas raízes centradas na força feminina. Traçando um paralelo entre as tradições e a construção de um mundo onde a força pessoal tem o poder de fortalecer e criar uma comunidade, Juliana é a voz de um tempo novo.

MARCHA DE UMA LIBERDADE ROUBADA

Em meio à pandemia de covid-19 o assassinato de George Floyd e outras vítimas do racismo estrutural e institucional reverberam em todo o mundo no ano de 2020. A partir desses cruéis episódios recentes, o documentário indaga junto a diversas vozes, experiências e estatísticas, sobre racismo e antirracismo, sobretudo presentes no Brasil. Vidas negras importam. 

MIRADOR

As dificuldades cotidianas não desviam o foco de Maycon (interpretado por Edilson Silva), jovem pernambucano que acumula trabalhos que pagam pouco na capital paranaense. Seu grande plano: voltar aos ringues de boxe. Quando a mãe de sua filha decide seguir outro rumo, ele descobre o que é viver a vida cuidando de uma criança de dois anos. A precisa câmera de Bruno Costa acompanha de perto os movimentos – dos certeiros aos mais vacilantes – de um personagem comum à paisagem contemporânea brasileira.

NŨHŨ YÃG MŨ YÕG HÃM: ESSA TERRA É NOSSA!

“Essa Terra É Nossa” – declara a pintura, feita em meados do filme, nos muros de uma cidade marcada pelas atrocidades cometidas contra o povo Maxakali, cifrando ali mais de 500 anos de projeto colonial genocida no Brasil. Tomando essa frase como guia, o documentário – fruto da parceria de cineastas Maxakali e não-indígenas – nos convida a partilhar da caminhada dos Tikmũ’ũn pelo território dos antigos, traçando uma cartografia mítica que se atualiza nas paisagens cerceadas do presente e fabula outras imagens possíveis, preservando para o futuro as memórias e os cantos de um lugar.

O DIA DA POSSE

Na partilha do cotidiano em confinamento, o carismático Brendo encena seus sonhos e planos para o futuro. Em uma dinâmica tão carinhosa quanto divertida, diretor e personagem imaginam juntos travessias até dias pós-pandêmicos. Através do retrato de um jovem e de sua geração, com a sensibilidade característica de seus filmes “Esse Amor Que Nos Consome”, (Olhar 13), e “Mais do Que Eu Possa Me Reconhecer”, (Olhar 15), Allan Ribeiro olha para o presente de um país esfacelado e reinventa os horizontes que telas e janelas raramente nos têm possibilitado ver.

QUANDO CHEGAR A NOITE, PISE DEVAGAR

“Fique Em Silêncio a Noite” é o que Caia lê em uma parede do apartamento que acaba de se mudar. Entre as investidas insistentes do novo vizinho e a presença de seu corpo insurgente em um novo local, Caia começa a viver em um filme de terror. Neste filme de Gabriela Alcântara, a protagonista recorre a proteção dos orixás para confrontar seus assombros e medos, fazendo com que a encantaria se experencie na força das ervas e das mulheres que estão ao seu redor. Em “Quando a Noite Chegar, Pise Devagar”, o perigo pode estar mais próximo do que se imagina.

PERTO DE VOCÊ

Cássio é um jovem trans com seu processo de hormonização em curso e tem a missão de ter uma conversa com seu pai idoso sobre o assunto, mas é surpreendido pela pandemia da covid-19. Em meio ao isolamento social onde ambos estão enclausurados em um pequeno apartamento, uma vida social virtual e uma crise política aguda em seu país, ele tenta  criar coragem para seguir com seu plano. Viver e registrar esse contexto torna-se uma tentativa de aproximação entre os dois. 

RETRATO FALADO

Povoando boa parte da cena, homens da cavalaria militar olham para fora do quadro. Mas o que chama atenção na foto se concentra na parte inferior dela: um homem sem farda em cima de um cavalo branco tenta fugir e, diante dele, no canto mais baixo da imagem, um outro homem empunha uma arma rente a esses corpos que correm em direção à bala. A partir de uma foto de 1968 se desvela a história não apenas desse sujeito em cima do cavalo branco, mas de todo um Brasil que insiste em atualizar a violência da brutalidade das forças conservadoras.

ROLÊ

Documentário que tem como mote os episódios de “rolezinhos” que marcaram o Brasil na década passada, com a presença massiva de jovens negros e de periferia a ocupar os shoppings de centros urbanos, assim explicitando o racismo cristalizado nessas fronteiras simbólicas. Acompanhando a vida de três dessas personagens e mobilizando um rico material de arquivo, o filme, de assumido compromisso militante, assinala os ecos entre diferentes contextos e práticas de resistência política e subjetiva, endereçando a abissal desigualdade social e racial que se atualiza diariamente no país. 

SUBTERRÂNEA

Os mistérios em torno do antigo Morro do Castelo, no centro do Rio de Janeiro, colocam o estudante Leo (interpretado por Negro Leo) e sua tia, a professora Stein (Silvana Stein), diante de mensagens cifradas, dobras temporais e conspirações geológicas em um território condenado. Nessa aventura lúdica que escancara o insólito e o ordinário de uma longa história de destruição, as lendas sobre um tesouro jesuíta, difundidas por Lima Barreto no início do século vinte, são aproximadas a horrores contemporâneos, como o incêndio do Museu Nacional. 

UMA PACIÊNCIA SELVAGEM ME TROUXE ATÉ AQUI

“Está velha, velha, a mulher / incendiária / eterna iniciante”, diz um verso de Adrienne Rich, poeta que inspira o título desse filme em que uma lésbica incendiária, como todas as que vieram antes e todas as que vêm depois, se relocaliza no mundo a partir do encontro com um grupo de jovens lésbicas na cidade de Niterói. É esse corpo que se transforma em uma encruzilhada para celebrar o “seu tempo”, um tempo que é sempre agora e que conversa com as imagens de arquivo de todas as que já lutaram de dentro do desejo e as projeções de vida que surgem com outras combinações de amor.

VIRAR MAR

Transitando sem fronteiras entre o sertão cearense e os pântanos ao norte da Alemanha, entre a seca e a abundância, os cineastas registram a complexa e umbilical relação da raça humana com a água. Da mesma forma que cruza oceanos com a simplicidade de um corte, o filme flui entre a imaginação, o registro e o ensaio, propondo imagens, pensamentos e construções inesperadas a cada nova cena. Se o apocalipse climático parece cada vez mais inevitável, rever com olhos livres a condição humana face este elemento constitutivo do planeta parece especialmente relevante.

TEREZA JOSEFA DE JESUS

A partir das escrevivências de Juliana Jesus, o filme de Samuel Costa é o prelúdio de um novo registro para pensar uma visualidade negra em que imaginação e realidade não correspondem, necessariamente, a antíteses. “Atrás de um espírito livre existe sempre uma coluna envergada”, com esta frase o diretor traça a trajetória de uma filha – Juliana – que perdeu a mãe – Tereza, a mulher que levantou concreto. Entre as fases da dor divididas entre negação, raiva, negociação, depressão e aceitação, Costa anuncia que a gira não pode parar.

O SONHO DO INÚTIL

Na Zona Norte do Rio de Janeiro, um grupo de amigos encontra na realização de vídeos caseiros de humor e automutilação o escape necessário para um cotidiano duro, de futuro incerto. De 2006 a 2021, quinze anos de imagens narram os (des)caminhos de uma cidade/país profundamente injustos, mas também a formação do olhar de um cineasta. Em plena pandemia e em meio ao desmonte de toda uma estrutura de suporte público ao audiovisual, brota uma joia da mais pura energia e sentimento: o cinema respira – ressignificando imagens, condensando e congelando o tempo, embaralhando passado e presente.

SEGUNDA NATUREZA

Duas crianças caminham por entre mato, plantações, árvores, lama, água corrente, trilhas. Neste filme, a diretora Mila Jung faz um experimento em busca do sensorial, sobrepondo imagens e cores, criando uma atmosfera bucólica, idílica e também soturna. Um ambiente natural em descoberta, que se contrapõe ao ambiente tecnológico e virtual, como se fossem separados por um portal.

CHÃO DE FÁBRICA

Em Chão de Fábrica, testemunhamos o frescor de uma tradição redescoberta: a formação da consciência operária em um embate no qual se cruzam sociabilidade partilhada e as fissuras impostas pela miríade de histórias individuais. Nina Kopko retoma uma tradição brechtiana presente no cinema brasileiro moderno, em sua predileção pela frontalidade e ao trazer a fala política para o proscênio, ao mesmo tempo que se insere em uma constelação rara, ao lado de filmes como Trabalhadoras metalúrgicas e Mariana, Paraná e Greve, que localizam o espaço da experiência feminina no mundo fabril.

NÓS

“Se você não se identifica com o lugar em que nasceu e de alguma forma cria sobre isso, me escreve” – o anúncio de Letícia Simões nos classificados de um jornal possibilita encontros com as histórias de seis artistas radicados em Berlim. Temas como identidade, território e imigração perpassam as vivências compartilhadas com a realizadora de “Casa” (Olhar ’19) e “O Chalé É Uma Ilha Batida de Vento e Chuva” (Olhar ’17). Com sua interlocução andarilha, a diretora elabora fusões de diferentes mundos, inspirando uma acolhedora sensação de impermanência. (Libras + AD + LSE )

Tenha atenção para a data em que o filme estará disponível. Os filmes são disponibilizados apenas em território nacional. Compre seu ingresso aqui.

Todas as sinopses são do site Olhar de Cinema.

Foto de capa: Divulgação

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Por Casa 1

A Casa 1 é uma organização localizada na região central da cidade de São Paulo e financiada coletivamente pela sociedade civil. Sua estrutura é orgânica e está em constante ampliação, sempre explorando as interseccionalidade do universo plural da diversidade. Contamos com três frentes principais: república de acolhida para jovens LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros) expulsos de casa, o Galpão Casa 1 que conta com atividades culturais e educativa e a Clínica Social Casa 1, que conta com atendimentos psicoterápicos, atendimentos médicos e terapias complementares, com foco na promoção de saúde mental, em especial da comunidade LGBT.

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