No dia 31 de março de 1964 aconteceu o golpe militar no Brasil, fazendo com que o país mergulhasse em 21 anos de censura e violentas repressões.

O golpe de 64 foi o mais longo período de interrupção democrática no país. Os “anos de chumbo” foram marcados pela cassação de direitos civis, repressão violenta a qualquer tipo de manifestação popular contrária ao regime, censura à imprensa e assassinatos e torturas de militantes e civis.

Além de aparatos de repressão contra “comunistas”, os aparelhos da ditadura também exerceram controle moral sobre os corpos subversivos. Prostitutas, homossexuais e travestis foram perseguidos pelo regime e alvos de detenções arbitrárias, censura, demissão de cargos públicos e outras formas de violência.

Contudo, a comunidade LGBT respondeu a essa forte repressão com o fortalecimento de movimentos de resistência e, ao fim dos anos 1970, muitos desses grupos se mobilizaram para enfrentar a violência do Estado, em defesa dos seus direitos.

Nessa lista separamos entrevistas, perfis e materiais que eram usados por movimentos na reivindicação dos seus direitos.

Filme “Temporada de Caça” (1988), de Rita Moreira que trata da onda de assassinatos de homossexuais que assolava São Paulo e Rio de Janeiro nos anos 80

Catálogo da exposição “Orgulho e Resistências: LGBT na Ditadura” do Memorial da Resistência.

A mostra realizada em parceria com o Museu da Diversidade Sexual e com curadoria de Renan Quinalha, faz um recorte histórico sobre as relações entre autoritarismo, diversidade sexual e gênero durante a ditadura civil-militar (1964-1985). O catálogo está disponível gratuitamente para download e apresenta conteúdos exibidos na mostra, como cartazes de teatro, documentos e fotografias da época. Uma série de textos aprofunda assuntos como as resistências do período, a perseguição e as detenções em massa da polícia e as reivindicações políticas do movimento homossexual na ditadura. Há também materiais que compõem o Acervo Bajubá.

A Casa 1 colaborou como mediadora através do nosso grupo Instituto Temporário de Pesquisa Sobre Censura.

Acesse o catálogo aqui.

Seminário “O que Resta da Ditadura”, com participação de Maria Rita Kehl, Renan Quinalha e Janaína Teles.

O debate, organizado pela “TV Boi Tempo”, propõe uma reflexão sobre a relação mal resolvida do Brasil com a ditadura militar, o papel das Comissões da Verdade e o esquecimento como produtor de sintomas sociais na atualidade. A partir dos resquícios do período de exceção na organização social do país, a pergunta que dá nome ao encontro norteia a reflexão sobre resistência e o progressivo alcance de discursos de ódio, intolerância e exaltação de um dos piores momentos de nossa história.

Participação do João Silvério Trevisan ao programa “Estação Plural”

João Silvério Trevisan está na luta pelos direitos LGBTs desde os anos 70, quando participou da criação do grupo Somos, de defesa dos homossexuais, e criou o jornal Lampião da Esquina, uma referência ainda hoje. É também autor do livro Devassos no Paraíso, o maior tratado sobre a história da homossexualidade no Brasil.

Podcast com as aulas do Instituto Temporário de Pesquisa sobre Censura (com Rita von Hunty, Renan Quinalha, Thiago Amparo, Renata Carvalho e muito mais!)

As aulas abertas fizeram parte do “Dossiê Censura”, que ocupou diversos espaços do Centro Cultural São Paulo – CCSP, tendo como base a Sala de Vidro – Ação Educativa, em janeiro de 2020. Durante o período de trabalho, o Instituto realizou um amplo atendimento ao público através de um ateliê gráfico aberto e diversas aulas abertas sobre a trajetória da censura no país. A ideia do projeto é abordar a amplitude da censura que nos acompanha desde o processo de colonização e passa por práticas políticas, sociais, econômicas, raciais e de gênero, entre outros tantos recortes e processos, traçados em cartografias coletivas.

As aulas podem ser acessadas aqui.

Portal Memórias da Ditadura do Instituto Vladmir Herzog

O Instituto Vladimir Herzog luta pelos valores democráticos: essa missão requer o resgate da nossa História – especialmente da mais recente, ocultada pela ditadura sob sistemática censura – e a sua exposição às novas e às próximas gerações. Acesse o portal.

Acervo Bajubá

O Acervo Bajubá é uma projeto de preservação, salvaguarda e instigação historiográfica da arte, memória e cultura LGBT brasileiras.

Todas as edições do Lampião da Esquina, publicação de imprensa alternativa e que discutia homossexualidade, que circulou de 1978-1981

Acesse o acervo de edições digitalizadas.

Depoimento de Neon Cunha para o podcast “Pessoas: Vidas Negras” do Museu da Pessoa

Descrição do episódio: “Neon dos Afonso Cunha nasceu em 24 de janeiro de 1970, em Belo Horizonte. Sua família mudou-se para São Bernardo do Campo, ABC de São Paulo, quando tinha cerca de 2 anos. Terceira de dez filhos, desde cedo foi vítima de surras do pai, metalúrgico, e dos irmãos por parecer afeminada. Começou a trabalhar aos 11 anos, para ajudar na renda familiar, como mensageira na prefeitura de São Bernardo. Na mesma época conheceu a realidade das travestis no centro de São Paulo. Após anos sofrendo ameaças, espancamentos e estupros, Neon decidiu que precisava resolver duas coisas: o ‘direito à morte digna e o direito a ter nome e gênero’. Hoje é ativista, questionadora da branquitude e cisgeneridade tóxicas.”

Comissão Nacional da Verdade – Ditadura e Homossexualidade: resistência do movimento LGBT

A Comissão Nacional da Verdade decidiu  incluir, em seu relatório final, um capítulo específico sobre as violações de direitos humanos das pessoas LGBTs, apesar da resistência de alguns de seus componentes. Leia mais.

Depoimento de Martinha, para o projeto #Colabora

Autoritarismo e diversidades | Entrevista com João Silvério Trevisan

Autoritarismo e diversidades | Entrevista com Jane Di Castro

Autoritarismo e diversidades | Entrevista com João W. Nery

Websérie Memórias da Diversidade Sexual – Museu da Diversidade Sexual

A websérie tem como objetivo apresentar os depoimentos de pessoas LGBTI acima dos 65 anos, residentes na cidade de São Paulo que contam suas experiências de infância, adolescência e velhice na cidade, como repressão, relação com a família, com a noite e militância.

Entrevista do Leo Moreira Sá para o podcast “Passagem só de Ida“, da Casa 1

“Quantas vidas cabem na vida de Leo Moreira Sá? Nascido em São Simão, a cidade do meteoro, no interior de São Paulo, em uma família de nove irmãos, a vida de Léo foi marcada por uma busca incessante por sua identidade. Desde que se mudou para a Grande São Paulo, vivendo primeiro em São Bernardo do Campo, ABC Paulista, e depois na Capital, Léo já foi estudante universitário na USP, participou de grupos de militância nos últimos anos da ditadura militar, entrou para a banda de rock Mercenárias como seu baterista e circulou por espaços diferentes da noite paulista entre o final dos anos 1970 e o início dos anos 2000. Como ele mesmo conta, ele teve a sorte de conhecer pessoas maravilhosas e estar em lugares maravilhosos, o que lhe permitiu sobreviver à falta de liberdade dos anos da ditadura e construir o seu próprio entendimento de quem ele era e de qual era o seu universo. Hoje, Léo se identifica como um homem transexual e artivista, que coloca a sua arte a favor da verdade da comunidade transexual e pela conquista de seus direitos.”

Escute o episódio aqui.

Cassandra Rios, a escritora lésbica mais censurada durante a Ditadura

“Ela estava longe de ser comunista e seus livros mal falavam sobre política. Mesmo assim, Cassandra Rios foi a escritora mais censurada pela ditadura militar. Até 1985, 37 dos seus livros haviam sido, em algum momento, retirados do mercado. A editora CBS, que editava suas publicações, chegou a ser fechada pelos militares. A censura não era algo novo para Cassandra. Ela, que estreou na literatura em 1948, já havia sido processada pelo Estado em 1952, durante o governo eleito de Getúlio Vargas. Na democracia ou na ditadura, o crime foi o mesmo: expor em livros o prazer feminino.”

Leia mais sobre a escritora nessa reportagem do jornal Marco Zero.

LGBTs no Regime Militar – As Lésbicas Feministas

Rosely Roth no programa da Hebe Camargo em maio de 1985

Rosely Roth fez parte do levante no Ferro’s Bar, um ato de resistência lésbica durante a Ditadura Militar.

Do footing aos afters: vem com a gente fazer uma viagem pela cena noturna LGBT de São Paulo nos últimos 100 anos

“Balada gay, festa queer, bafo LGBT, fervo das empoderadas… Hoje em dia, é comum vivenciar esses eventos, principalmente na cidade de São Paulo, conhecida por sua vida noturna fervilhante. Afinal, a cultural da noite gay é uma realidade indiscutível. Mas nem sempre foi assim. Houve um tempo em que o que se ouvia sussurrar, à boca pequena, era algo tipo “boate para entendidos”, “festa alternativa”, e por aí afora. Para chegarmos até o momento em que a São Paulo tem uma das maiores Paradas Gays do mundo e um festival inteiro pra chamar de seu, o Milkshake, que rola dia 16/6, na Barra Funda, foi um longo caminho. Então prepare-se para (re) conhecer essa trajetória. Vamos embarcar no… túnel do tempo da noite LGBT paulistana.” Leia o texto completo aqui.

Entrevista com Bayard Tonelli (Dzi Croquettes)

Entrevista com Ciro Barcelos (Dzi Croquettes)

Encenação de 1982 da peça “O Rei da Vela”, pelo Teatro Oficina Uzyna Uzona

Documentário Meu amigo Claudia, de Dácio Pinheiro, sobre Claudia Wonder

Atriz e escritora, Claudia Wonder atuou em peças do Teatro Oficina, fez performances em boates como Madame Satã e militou pelos direitos LGBT. Deu palestras sobre preconceito e organizou campanhas a fim de arrecadar dinheiro para travestis em situação de rua. Morreu aos 55 anos, em novembro de 2010. Assista o documentário.

Aula “Para Derrotar o Fascismo: Organizar e Lutar por Direitos LGBTQ+” com Symmy Larrat

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Por Casa 1

A Casa 1 é uma organização localizada na região central da cidade de São Paulo e financiada coletivamente pela sociedade civil. Sua estrutura é orgânica e está em constante ampliação, sempre explorando as interseccionalidade do universo plural da diversidade. Contamos com três frentes principais: república de acolhida para jovens LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros) expulsos de casa, o Galpão Casa 1 que conta com atividades culturais e educativa e a Clínica Social Casa 1, que conta com atendimentos psicoterápicos, atendimentos médicos e terapias complementares, com foco na promoção de saúde mental, em especial da comunidade LGBT.

One thought on “25 materiais para entender como foi a Ditadura para LGBTs”

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