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Chão

Chão

Por Bruno Oliveira, coordenador de programação da Casa 1. 

Sexta-feira, 17 de julho de 2020. Começar este texto foi um exercício de concentração: debaixo das máscaras, trabalhadoras e trabalhadores da Casa 1 se dividem entrem tarefas variadas: uma live no Instagram, reunião no Zoom, distribuição de cestas básicas, instalação de fios, organização de doação de roupas, atendimentos a moradores, testes de pães no forno novo do ateliê.

Me distancio lentamente e observo o chão de lajotas 20×20, com inúmeras camadas de tinta preta, acidentes e remendos, coberto de sacolas de cestas básicas e mesões do Salão Leci Brandão do Galpão da Casa 1.

Me acostumei a falar sobre a experiência deste chão nas formações de voluntariado que fizemos ao longo destes anos. A formação, que está temporariamente suspensa durante a pandemia assim como o restante da programação da Casa 1, tem como objetivo apresentar o projeto, as políticas de atuação e os grupos de trabalho para potenciais voluntárias e voluntários, além de contextualizar as e os estudantes interessados em fazer trabalhos sobre a Casa.

República de acolhida (às vezes casa, às vezes centro, com frequência acolhimento), centro cultural (muitas vezes espaço, não raro de cultura) e clínica social (poucas são as variações aqui): dessa diversidade incorre um conjunto de interpretações possíveis sobre o estuprojeto que não se aproximam das muitas experiências que o exercício do chão propicia.

Como responsável por uma parte das formações de voluntariado dos últimos meses, arrisco-me a dizer que em cada um dos domingos falei sobre um projeto diferente: qualquer narrativa que se proponha a ser homogênea sobre este trabalho é uma ilusão. Basta conferir os Guichês (programação diária temporária no Instagram que reproduz a prática presencial de conversas e atendimentos da Casa 1) para reconhecer as perspectivas completamente distintas de voluntárias e voluntários, trabalhadoras e trabalhadores, parceiras e parceiros. Ainda que a Casa 1 seja um e muitos projetos simultaneamente, há uma performance de estrutura que é comum e partilhada. Penso nela.

Mudo a aba do navegador e abro a página da Casa 1 no Instagram. Olho as últimas imagens e procuro reconhecer o chão onde piso enquanto escrevo. Notícias, dicas de sites, lives, listas de conteúdo virtual, playlists, convites para atividades on-line. Após deslizar a barra de navegação para baixo algumas vezes, reencontro o chão do Ateliê Renata Carvalho e do Salão Leci Brandão em algumas fotos. Aula aberta sobre saúde de pessoas com vagina, aula de teatro, dragbingo e aula de canto.

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A Rua Condessa de São Joaquim que conheci em 2017 já era outra quando visitei o projeto recém-inaugurado. As largas calçadas da esquina situada entre os bairros da Liberdade e da Bela Vista contavam com uma grande pintura do artista Luan Zumbi, um monte de caixas de doações, um carrinho de carga que ficava indo e vindo, além de cavaletes para mesas improvisadas com portas.

Logo de cara conheci a sala onde, posteriormente, seria instalada a Biblioteca Caio F. Abreu. A sala, com ar de recém-reformada, piso e paredes bem brancas, tinha pilhas e pilhas de livros pelos cantos, resultantes de uma ação na festa de abertura realizada no dia 25 de janeiro de 2017. A ideia do projeto me foi apresentada pelo Iran Giusti (que eu havia conhecido em alguma das reuniões do #VoteLGBT do ano anterior), que, depois de alguma conversa afobada entre uma entrevista e outra, me sugeriu começar ajudando a organizar os livros.

Desde aquele dia já se foram mais de três anos e um sem fim de experiências (e imagens) do chão. Este texto apresenta, na forma de um fluxo de consciência e uma deriva por imagens, alguns fundamentos possíveis de uma pedagogia deste chão.

Esses dispositivos pedagógicos instaurados pela partilha de um mesmo chão por corpos e subjetividades tão diversos atravessam o projeto da Casa 1 como um todo: a república de acolhida, o centro cultural, a clínica social. São processos que podem ser entendidos ainda como um conjunto de práticas de presença em educação, de desejo de vida e de construção continuada, performativa e dialógica. Rastrear as imagens deste fundamento plural e comunitário, no contexto de distanciamento social da pandemia do coronavírus, é, para além de uma nostalgia da presença, uma reflexão sobre as reverberações estruturantes desta partilha do chão.

Aqui, uma breve digressão sobre o começo do projeto é necessária para contextualizar um pouco as imagens que seguem. De janeiro a agosto de 2017 (quando o galpão do centro cultural foi alugado), as atividades da Casa 1 se concentraram na esquina das Ruas Condessa de São Joaquim e Bororós. Esse conjunto de imagens é especificamente daquele momento.  É inequívoco que o projeto segue criando outras bases, políticas e performances ao longo dos anos, mas neste momento inaugural do trabalho é possível reconhecer uma gramática a partir da qual a organização se deu.

A política de portas abertas já era uma operação desde o início. De acordo com Iran Giusti, a ideia surgiu durante a pintura das calçadas e escrita dos nomes de apoiadoras e apoiadores na parede externa do sobrado, com a curiosidade atiçada da vizinhança. Passamos a reconhecer que manter as portas abertas e o trabalho visível seria uma estratégia de segurança para o projeto, como também um trabalho de diálogo (e base) no território.

As portas de metal abertas para a calçada das três salas do centro cultural (naquele momento paliativo, sala de exposições/multiuso e biblioteca) eram um convite para passantes perguntarem o que era aquilo. Conforme os espaços foram sendo organizados e nossas práticas cotidianas reconhecidas, fizemos placas indicativas de cada sala, e a calçada se constituiu como parte estruturante do espaço.

Todos os dias o protocolo de abertura envolvia abrir as portas de metal, organizar o espaço e colocar placas e cadeiras de praia para fora. As cadeiras eram usadas por moradoras e moradores da Casa para uma conversa, acompanhamento pelo grupo de trabalho psicossocial ou um eventual cigarro, por vizinhas e vizinhos indo e vindo (o uso da calçada é bastante familiar para o território, mas este é assunto para outro texto), por visitantes, doadoras e doadores, por voluntárias e voluntários.

Assim, apresento em sequência cronológica, nesta deriva, um pequeno repertório da partilha daquele chão no primeiro semestre: a calçada, o paliativo, a sala de exposições e a biblioteca. Não faz parte da premissa deste texto organizar categorias sociológicas do dispositivo pedagógico instaurado pela partilha do chão, mas iniciar uma genealogia das políticas do trabalho de um projeto que performa e disputa, cotidianamente, outras gramáticas de mundo.

7 de fevereiro de 2017

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