Por Fabio Leal, autor convidado da Casa 1 

No post passado (que pode ser lido aqui) falei aqui sobre como o cinema LGBT tem tido destaque nos últimos 10 anos dentro do panorama brasileiro, mas que ainda é excessivamente G. Pois bem, nas minhas andanças por festivais no ano passado, o sopro de ar fresco veio justamente de dois curtas realizado por mulheres lésbicas e protagonizado por mulheres lésbicas. Esse post vai ser sobre eles (e um extra).

Quebramar – Cris Lyra

Documentário

2019

São Paulo

26 minutos

O primeiro se chama Quebramar. É um documentário dirigido por Cris Lyra que, além de realizadora, é uma fotógrafa que conquista cada vez mais espaço: ela assina a fotografia de filmes como Lembro Mais dos Corvos, Quem Matou Eloá e Chão. Em Quebramar ela acompanha um grupo de mulheres lésbicas de São Paulo, quase todas muito jovens, que viaja para passar o réveillon no litoral. Em conversas pescadas aqui e ali, muita música e pequenos gestos, as histórias e medos dessas mulheres vai se desvelando e o afeto transborda. É um belo filme, premiado como Melhor Documentário no maior festival de curtas-metragens do mundo, o de Clermont Ferrand, na França. 

A Vitrine Filmes disponibilizou o filme gratuitamente por uma semana, ficando em cartaz online até o dia 23 de abril.

Peixe – Yasmin Guimarães

Ficção

2018

Minas Gerais

17 minutos

Se em Quebramar as questões são muito densas, Peixe, de Yasmin Guimarães, é um curta sapatão que está interessado nas questões do prazer e da leveza. É impossível acompanhar a trajetória de Marina, que cruza BH fazendo entregas de bicicleta, sem ir abrindo um sorriso cada vez maior até um arrepio de prazer e felicidade com um dos finais mais legais que eu já vi num filme. É um curta simples, feito para o TCC de Yasmin, que rodou diversos festivais pelo Brasil, incluindo a Mostra de Tiradentes e o Mix Brasil. Infelizmente, Peixe não está disponível gratuitamente, mas ele se encontra numa plataforma chamada Cardume, que cobra uma mensalidade de 5 reais para quem quiser ter acesso ao catálogo deles. Você pode assinar aqui: https://cardume.tv.br/

Quinze – Maurílio Martins

Ficção

2016

Minas Gerais

26 minutos

Vou finalizar com um filme de um realizador homem, hetero e cisgênero – que fez um filme lindo, delicado, criando personagens que você queria que fossem suas vizinhas. O realizador Maurílio Martins faz parte da produtora Filmes de Plástico, na minha opinião a melhor do Brasil (todos os seus curtas e longas são de bons a obras-primas). É um filme mais antigo, de 2014, protagonizado por Karine Teles (que no ano seguinte faria um sucesso estrondoso com a Dona Bárbara, de Que Horas Ela Volta?, e há dois anos escreveu e protagonizou o longa Benzinho). Não vou falar muito sobre ele, já que a própria sinopse do filme é muito sucinta: “Luiza fará 15 anos. Raquel tem alguns sonhos”. Só acrescento uma coisa: vale muito ver. 

*****

Fábio Leal é diretor, roteirista e ator. Dirigiu os curtas-metragens Reforma, de 2018, e O Porteiro do Dia, de 2016. É diretor, junto com Gustavo Vinagre, do longa-metragem VHS HIV, atualmente em pós-produção. Entre 2013 e 2016 foi Coordenador de Comunicação da distribuidora Vitrine Filmes. Desde 2013 faz parte da curadoria do festival Janela Internacional de Cinema do Recife, que terá – ou não – sua 13ª edição no final do ano.

By Casa 1

A Casa 1 é uma organização localizada na região central da cidade de São Paulo e financiada coletivamente pela sociedade civil. Sua estrutura é orgânica e está em constante ampliação, sempre explorando as interseccionalidade do universo plural da diversidade. Contamos com três frentes principais: república de acolhida para jovens LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros) expulsos de casa, o Galpão Casa 1 que conta com atividades culturais e educativa e a Clínica Social Casa 1, que conta com atendimentos psicoterápicos, atendimentos médicos e terapias complementares, com foco na promoção de saúde mental, em especial da comunidade LGBT.

One thought on “Curtas LGBT nacionais para assistir e enaltecer – Parte II: Lésbicas”

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