Nos últimos anos, foram desenvolvidos filmes com ganchos mais atuais para contar histórias de lésbicas e bissexuais apaixonadas. Confira!

Por Larissa Darc

Quem gosta de acompanhar histórias de romance entre mulheres sabe que existe uma quantidade expressiva de produções que se passam em outras épocas. Elas são fundamentais para mostrar que o amor não é coisa da moda, além de utilizarem o gancho de diferentes costumes para criar conflitos na narrativa.

CarolO Retrato de Uma jovem em Chamas e A Criada são exemplos de obras ambientadas em outras décadas que se tornaram um clássico desde o dia em que foram lançadas. Ainda existem outros filmes mais controversos e menos conhecidos, como Amonite, Elisa & Marcela, A Favorita e Fale com as Abelhas.

Mas não é só de enredos do passado que vive o cinema sáfico. Ao longo dos últimos anos, foram desenvolvidas criações que utilizam ganchos mais atuais para contar histórias de lésbicas e bissexuais apaixonadas.

Para apresentar alguns títulos, reuni sete indicações de tramas lançadas nos últimos quatro anos que abordam temas como sexualidade, saúde mental, espiritualidade e problemas financeiros. Um bônus: quase todas têm final feliz.

Crush: Amor Colorido (2022)

Sabe aquela comédia romântica clichê que todas as pessoas heterossexuais assistem quando querem sentir um quentinho no coração? Crush é a versão sáfica delas.

A narrativa acompanha a história de Paige, uma garota que detesta atividade física, mas que se junta a uma equipe de atletismo do ensino médio para se aproximar da pessoa pela qual sempre foi apaixonada.

Apesar de retratar dramas enfrentados por adolescentes, a sexualidade das personagens não é um problema. Isso foge do recurso clássico utilizado pelos roteiristas de colocar pessoas LGBTs sempre em conflito com quem são.

You Can Live Forever (Você Pode Viver Para Sempre) (2022)

O que você faria se estivesse apaixonada por alguém que segue uma religião que condena o amor entre duas mulheres? Esse é o dilema de Jaime.

Ao ser levada para um culto de Testemunhas de Jeová, a adolescente desenvolve uma relação profunda de desejo e conexão com Marike, devota fiel dos preceitos da igreja.

A produção canadense estreou em junho deste ano no Tribeca Film Festival.

When Time Got Louder (Quando o tempo ficou mais alto) (2022)

Se na série Atypical o foco da narrativa era a vida de um garoto autista que tem uma irmã que se apaixona por uma colega de escola, no filme When Time Got Louder o tema é abordado por uma outra perspectiva.

Para ingressar na faculdade, Abbie precisa deixar a casa dos pais. Ao fazer essa mudança, ela também se afasta do irmão neurotípico. Enquanto tenta se equilibrar na nova vida, conhece uma mulher que muda a forma como ela entende a própria sexualidade.

A obra foi lançada no Festival LGBTQIA+ Frameline, de São Francisco, no dia 20 de julho deste ano. Quem assistiu à recente série cancelada da Netflix First Kill ainda poderá matar a saudade da Elizabeth Mitchell interpretando a mãe protetora de uma sapatona jovem.

So Damn Easy Going (Tão fácil de lidar)(2022)

Se o SUS [Sistema Único de Saúde] existisse na Suécia, o enredo de So Damn Easy Going acabava nos primeiros cinco minutos. A trama acompanha os dias em que uma adolescente com Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) fica sem a medicação que toma para controlar a condição.

Além da falta de dinheiro para comprar o remédio, Joanna precisa lidar com a perda recente da mãe e a depressão do pai. Ao se aproximar de uma menina no corredor da escola, as coisas parecem ficar um pouco mais fáceis.

Alguém Avisa? (2020)

Por falar em obras com cara de Sessão da Tarde, um lançamento de 2020 enlouqueceu as fãs de Crepúsculo que torciam para que as personagens Bella e Alice ficassem juntas no final.

Protagonizada por Kristen Stewart, essa é uma clássica história tragicômica de natal que envolve mal-entendidos e tretas de família.

Na trama, Harper leva Abby para passar as festas de final de ano na casa dos pais. Ela só esqueceu de contar para eles que as duas são namoradas.

Eu me importo (2020)

Para quem está cansada de ver filmes com lésbicas sofrendo e quer acompanhar um enredo de sapatonas trambiqueiras, essa é uma pedida interessante.

As antagonistas criadas pela Netflix levam a vida de uma forma bastante duvidosa: para ganhar cada vez mais dinheiro, internam idosos ricos em um asilo e ficam encarregadas de “cuidar” da fortuna das vítimas.

Mesmo o relacionamento das golpistas não sendo o foco da produção, é revigorante ver um casal de duas mulheres sendo tratado com tanta naturalidade em uma obra cinematográfica.

Rafiki (2019)

Um filme tinha como premissa abordar a forma como o Quênia é repressor quando o assunto é sexualidade. O que aconteceu? O governo do país baniu a produção alegando que essa era uma “temática homossexual e clara intenção em promover o lesbianismo”.

Superando a censura, a história de Kena e Ziki viajou pelos cinemas do mundo. Ela mostra a aproximação de duas garotas que vivem em famílias rivais. Ao desenvolver o relacionamento entre elas, o roteiro mostra como em alguns países ser LGBT+ é um crime passível de agressão e, até mesmo, morte.

A narrativa tem cenas pesadas e angustiantes. No entanto, para as pessoas que conseguem ver até o final, fica a mensagem de que mesmo não não estando mais no “antigamente”, o amor ainda é um ato revolucionário.

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Por Nós Mulheres da Periferia

Nós Mulheres da Periferia é um coletivo jornalístico independente, transparente e apartidário formado por jornalistas moradoras de diferentes regiões periféricas da cidade de São Paulo. Atuantes em diferentes plataformas de comunicação, sua principal diretriz é disseminar conteúdos autorais produzidos por mulheres e a partir da perspectiva de mulheres, tendo como fio condutor editorial a intersecção de gênero, raça, classe e território. O conteúdo do Nós Mulheres da Periferia é livre de direitos autorais e reproduzido aqui no site da Casa 1 com os devidos créditos.

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