O retrato da população LGBT+ na mídia é tema de diversos artigos, mesas, livros e movimentos sociais, mas, assim como dentro da comunidade, a bissexualidade é bastante inviabilizada nas análises das representações midiáticas.

Ao longo dos últimos 20 anos não foram raras as personagens bissexuais, porém muitas vezes retratadas de forma equivocada e com um viés bastante sexualizado, inclusive muitas vezes a bissexualidade surge nas narrativas como uma forma de “movimentar” a trama e atrair o público com uma perspectiva de gerar polêmica.

Refletindo um pouco sobre isso e ecoando os discurso de visibilidade bissexual resolvi listar 14 séries com personagens bi que são bacana de acompanhar. Obviamente nem todas as representações são 100% e muitas outras não entraram na lista porque optei por fazer uma lista com séries que eu realmente assisti, então, caso sinta falta de alguém é só comentar para que possamos fazer outras listas 🙂

1. “The Bold Type”

Hit do canal estadunidense Freeform que chegou na Netflix, “The Bold Type” é uma daquelas gratas surpresas. Contando a história de três amigas que trabalham em uma revista de moda em Nova Iorque, a série tem um crescimento de narrativa e desenvolvimento de personagens surpreendente. Destaque para Kate Edison (Aisha Dee) que ao longo das quatro temporadas (a quinta ainda não estreou na plataforma de streaming), vai explorando sua sexualidade e buscando seu lugar na comunidade LGBT+. Tudo com muita delicadeza e fofura.

Você pode assistir as quatro primeiras temporadas na Netflix.

2. “How to Get Away with Murder”

Falar que Viola Davis é uma das grandes atrizes do cinema mundial é chover no molhado, mas sua grandeza não se limitou às telonas. Para a tv, Viola topou protagonizar “How to Get Away with Murder”, que no Brasil ganhou o título “Como defender um Assassino”. A trama de suspense policial e jurídico ganha profundidade e prende a atenção pelo desenvolvimento da vida de seus e suas protagonistas. E o interessante é que se surge inicialmente como um plot um tanto desconexo, a bissexualidade de Annalise Keating (Viola Davis) se torna um dos pontos centrais de sua personalidade e tem muita relevância na trama.

Você pode ver as seis temporadas na Netflix.

3. “Os Últimos Dias de Gilda”

Quem está junto de Viola no hall de grandes atrizes do cinema e da tv é a fluminense Karine Teles que brinco estar em todos os filmes nacionais dos últimos cinco anos. Nas telinhas Karine protagonizou a brilhante minissérie “Os Últimos Dias de Gilda”, primeira produção à ser selecionada para o Berlinale Series, mostra do Festival de Berlim, este ano. Potente, a trama traz Gilda em um Rio de Janeiro meio fantástico, lidando com o conservadorismo de seus e suas vizinhas. Para assistir e aplaudir de pé.

Você pode assistir no pacote de canais ao vivo da Globoplay.

4. “Elite”

Outro hit da Netflix é uma série espanhola “Elite” que conta a história de um grupo de jovens de classe alta em Madrid envolta com assassinatos e mistérios. Focada em um público adolescente e de jovens adultos, a trama é bem divertida e sexy. Apesar de contar com várias personagens bissexuais, o destaque é Polo (Alvaro Rico), que desenvolve várias relações sem passar vontade!.

Você pode assistir as três temporada na Netflix enquanto aguarda a estreia da quarta neste mês de junho de 2021.

5. “Jane The Virgin”

Uma das minhas séries preferida da vida, “Jane The Virgin” é uma grande homenagem às telenovelas dramalhões mexicanas e colombianas. A trama começa com Jane, uma jovem de família religiosa venezuelana que está esperando o casamento para transar, até que engravida por uma inseminação feita por acidente. Ao longo das deliciosas e divertidas quatro temporadas Jane se relaciona com vários boys, um deles, Adam, um quadrinista bissexual interpretado por Tyler Posey. Vale destacar que uma das personagens principais também se entende bissexual ao longo da trama, mas deixo em segredo para não estragar a surpresa.

Você pode assistir as quatro temporadas na Netflix.

6. “Riverdale”

Outra série adolescente de crimes e mistérios, “Riverdale” é baseado em quadrinhos e também sucesso no EUA e aqui no Brasil. A bissexualidade aparece na série de forma bem tranquila com o personagem Moser (Cody Kearsley) depois dele viver no armário por algumas temporadas.

Você pode assistir as quatro primeiras temporadas na Netflix enquanto aguarda a chegada da quinta no serviço de streaming.

7. “A Lenda de Korra”

Confesso que não sou muito de desenhos e animes, mas depois de muito tentar, o maridão me convenceu a assistir “Avatar: A Lenda de Ang” e depois “A Lenda de Korra” e eu adorei. A trama toda se passa em um mundo dividido em quatro nações baseadas em elementos da natureza e que conta com um ser que reune todas elas, no caso, Avatar. O mais legal é que Korra, a protagonista da segunda “temporada” é uma mulher que se entende bissexual, algo que fica meio em aberto no desenho mas que logo foi confirmado nos quadrinhos lançados posteriormente.

Você pode assistir na Netflix , no Prime Video ou na Globoplay.

8. “Grey’s Anatomy”

Tem quem ame, tem quem odeie, mas é inegável que “Grey’s Anatomy” é campeão de diversidade na televisão estadunidense e ao longo de suas 17 temporadas já teve diversas personagens LGBT+, incluindo três bissexuais com tramas de bastante destaque em meio ao dia dia do setor de cirurgia de um hospital em Seattle . Ainda que apresentadas algumas vezes, em especial nas primeiras temporadas como “incertezas”, todas as tramas acabaram caminhando muito bem.

Você pode assistir as 16 primeiras temporadas na Globoplay ou na Netflix enquanto aguarda a chegada da 17ª chegar nos serviços de streaming.

9. “The Good Wife”

“The Good Wife” está na minha lista de top 5 melhores séries da vida, recebendo o prêmio de ter conseguido fazer seis temporadas perfeitas (a sétima infelizmente deu uma escorregada, mas ainda é melhor do que muita série por aí). A dramédia jurídica conta a história de uma dona de casa que retorna para os tribunais depois do marido político ser preso. Parte importante da trama é Kalinda Sharma (Archie Panjabi) uma sexy e misteriosa investigadora bissexual responsável por, pelo menos, metade das melhores cenas da série.

Você pode maratonar as sete temporadas no Paramount+

10. “Younger”

Pouco conhecida aqui no Brasil, a não ser pela base de fãs de Hillary Duff, “Youger” é uma dessa séries bobinhas mas extremamente divertidas. Na trama, uma mulher de 40 anos finge ter 27 para conseguir um emprego após ter ficado mais de uma década fora do mercado de trabalho. Além do texto ácido e o figurino maravilhoso de Patricia Field (responsável pelos looks de “Sex and the City” e “O Diabo veste Prada”), as personagens coadjuvantes são um chamariz, em especial Lauren (Molly Kate Bernard), uma jovem judia meio doidinha e bissexual.

Você pode assistir as seis primeira temporadas no Prime Video (infelizmente apenas na versão dublada), enquanto não chega a sétima e última.

11. “Station 19”

“Station 19” é uma série derivada de Grey’s Anatomy e tem a vantagem de ser exibida ao mesmo tempo que a série que a originou, o que permite que as tramas se cruzem e que seus personagens circulem em ambas as séries. Enquanto Grey,s foca nas tramas médicas e nos cirurgiões, Station acompanha o dia dia dos bombeiros e bombeiras de Seattle, em especial o batalhão 19, composto de uma equipe bem diversa e que tem como destaque Maya Bishop (Danielle Savre), uma bombeira medalhista olímpica bissexual. Tá meu bem?

Você pode assistir as três primeira temporada no Uol Play enquanto aguarda a chegada da quarta no serviço de streaming.

12. “Feras”

Considero “Feras” uma das melhores séries brasileiras feitas. Exibida no canal a cabo MTV Brasil, conta a história de 6 jovens lidando com relacionamentos. Destaque para Joana (Mohana Uchoa) que vive junto do companheiro Peu (Tulio Starling) e seu bebê, o que não a impede de querer viver sua sexualidade, incluindo relacionamento com outras mulheres. Vale dar um play e enaltecer essa produção nacional.

Você pode ver a primeira, e infelizmente, única temporada na Globoplay.

13. “O Mundo Sombrio de Sabrina”

Pensei bastante se colocaria “O Mundo Sombrio de Sabrina” nessa lista, porque a sexualidade e a bissexualidade das personagens está bastante ligada à questões fantásticas. Composta por bruxas e demônios (incluindo o próprio Satã), o universo de Sabrina usa a sexualidade fluída de seus componentes como uma característica da magia e desse universo sobrenatural. Porém, se a questão é representatividade e visibilidade porque não? De quebra a trama dá jovem bruxa dividida entre seus amigo e amores humanos e demoníacos é super divertida.

Você pode assistir as quatro temporadas na Netflix.

14. “Killing Eve”

“Killing Eve” é uma das melhores séries dos últimos anos e conta com duas das melhores atrizes de sua geração: Sandra Oh como Eve, uma agente da inteligência britânica que persegue a assassina serial Villanelle interpretada por Jodie Comer. Com muitas cenas de tirar o fôlego, é ao meu ver uma série protagonizada por duas persongens bissexuais, ainda que em geral, as pessoas coloquem apenas Villanelle como bi.

Você pode ver as três temporadas na Globoplay enquanto aguarda a quarta e última temporada que esta programa para ser lançada em 2022.

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Por Iran Giusti

Iran Giusti é formado em Relações Públicas pela FAAP, atuou como gestor de redes sociais e gerente de projetos em agências de RP e Social Mídia e como jornalista foi repórter do canal de conteúdo LGBT do Portal iG e do BuzzFeed Brasil. Atualmente se dedica a gestão da Casa 1, um centro de acolhida e cultura LGBT e produção de conteúdos em que acredita.

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