Enquanto curtiam um dia de sol na beira da piscina da casa do BBB, Lina Pereira e Pedro Scooby Linn conversaram sobre identidas de gênero e orientação sexual.

Depois de corrigir o surfista que perguntou se “trans é o mesmo que o travesti?”, Lina explicou que “A transgeneridade é um guarda-chuva, que fala sobre as identidades trans, com muitas identidades”. Scooby interrompeu perguntando se isso valia mesmo para as pessoas que “não são operadas”, se referindo a cirurgia de redesignação sexual.

A cantora explicou que não é a genital que define a identidade e que as pessoas não perguntam para pessoas cis que cirurgias ela fez. Também disse que estava falando pela experiência dela, e não poderia falar por outras pessoas.

“E ninguém pergunta pra uma pessoa cis: ah, você tem prótese, seu peito é natural? Você fez cirurgia do apêndice ou sei lá, qualquer outra coisa”, exemplificou a artista. “Até porque não são essas cirurgias que nós fazemos que nos definem.”

“Teve uma coisa, que eu tive uma conversa com a Carol [Marra] uma vez sobre, tipo… Porque tem um preconceito e assim, ela é gatona, pega geral, e tem homem que fala que tem que avisar [sobre ser trans]. E cara, não tem que avisar”, contou Pedro sobre a experiência da amiga. “Exato, eu acho isso muito escroto”, concordou Lina. “Mas isso já aconteceu com pessoas que eu conheço, tipo, ficaram com uma amiga minha… E é isso, eu acho que é paia esse lugar de ter que avisar porque assim… Não teve interesse por mim, já que ficou comigo? Eu não tenho que te avisar. Tem pessoas que são mais passáveis, né, que tem mais uma passabilidade, que parecem um pouco mais com o gênero. Que parece mulheres cis, que agem como mulheres, que tem o padrão estético de mulheres cis. E tem mulheres cis, com buceta, com vagina, que pra sociedade não parecem com mulheres, não se comportam como mulheres, não se vestem como mulheres”, completou a cantora.

Para concluir, Lina explicou que não existe uma divisão concreta entre as identidades “Fez isso, é trans, fez isso é travesti. Existem diferenças, mas pra mim existem muito mais aproximações. Pra mim a grande diferença entre a travesti, é que ela se constrói. Como eu vejo, porque posso estar equivocada também, não posso falar por muitas outras pessoas e nem quero fazer isso. Mas as travestis surgem numa determinada época, num determinado contexto político, como uma categoria que vem das ruas, marginalizada. É uma classe social. Elas pertencem a um grupo social, um contexto social”.

Ao fim da conversa, o esportista amarrou a boia de Linn no corpo e carregou a cantora na piscina.

Foto de capa: Reprodução/ Rede Globo

Por Casa 1

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