1. Tudo que existe começou.

  2. Sempre dá pra parar e respirar fundo. Só às vezes não dá.

  3. Ninguém sabe por que, depois de mais de um milênio de florescimento e tendo atingido o auge da civilização, os maias abandonaram as grandes cidades por volta do ano 1.000 do calendário cristão e se dispersaram nas florestas da América Central. Estudos recentes sugerem que o colapso do império tenha acontecido por causa de uma seca nunca vista que provocou escassez de alimentos e bugou todas as relações sociais, num
    cenário quase apocalíptico. Como não há conclusão entre os historiadores e eu não sou cientista, gosto de imaginar que um dia as pessoas simplesmente se olharam com melancolia, baixaram a cabeça e começaram a andar para longe dos prédios.

  4. Pegue uma pá e comece a cavar na direção mais possível. Geralmente é pra baixo. Pode não ser. Respire fundo e apalpe.

  5. O principal produto das redes sociais é a nossa atenção, que é cultivada pelos usuários criadores de conteúdo e recolhida pelos algoritmos para ser vendida para qualquer pessoa – física, jurídica ou fictícia – que quiser comprar. (Aqui não tem esperança.)

  6. Não importa o que aconteça, o dia 31 de dezembro de 2022 vai chegar, vai passar e já passou se você estiver lendo isto depois do dia 31 de dezembro de 2022.
  7. “Ninguém vai sofrer sozinho. Todo mundo vai sofrer.” (Marília Mendonça)

  8. Viver a vida lenta das árvores. A ferocidade imóvel. Ser casa de aves, insetos, répteis, mamíferos. Ser escada de plantas, abrigo pra fungos. Não correr do incêndio.
  9. Pensar na morte como um jogo.

  10. Jogar a vida como uma morte.

  11. O intestino é o cérebro do baixo-ventre. O cérebro é o intestino da cabeça.

  12. Touros não enxergam a cor vermelha. O que deixa eles bravos é o toureiro zombando e espetando a costela deles.

  13. Um amigo comunista disse que as eleições nacionais são o único momento em que a maior parte das pessoas que formam a comunidade imaginária correspondente ao Estado-nação param pra se pensar como coletividade que pode escolher e agir um futuro pra si. As eleições, então, têm uma importância estratégica na luta maior. E outubro vem aí.

  14. “Em volta do buraco, tudo é beira.” (dito popular)

  15. A mosquinha da Antártica é o único inseto nativo e o único animal exclusivamenteterrestre do continente. A maior parte da vida dela é em fase larval: passa dois invernos enterrada no gelo, desidratada, esperando. Aí cresce, vai pra superfície e passa dez dias comendo cocô de pinguim e transando muito. Aí ela se reproduz e morre. Feliz, digamos.
    (A mosquinha da Antártica não tem asas.)

  16. Se você tem um melão, experimente tirar as sementes, deixá-las de molho na água por algumas horas e depois bater tudo no liquidificador. (Se não tiver um liquidificador, peça emprestado para alguém. As redes sociais podem servir pra isso.) Coe e beba. O leite de sementes de melão é rico em proteínas, vitaminas e minerais.

  17. Uma pesquisa de 2019 encontrou 83 espécies de esperanças no Parque Nacional do Iguaçu.

  18. (Talvez a pandemia dure pra sempre, mas, se você está lendo isso, continue se cuidando.)

  19. Lembre de tudo que deu certo até hoje.

  20. Esperança vem de esperar. Vem do latim sperans, que também significa temer. Vem de palavras mais antigas e já perdidas, que as pessoas usavam para dizer algo como ter sucesso, prosperar.
  21. “O estilo é a criação da dignidade.” (Herberto Helder)

  22. A partir de agora, só interessa começar.

Ilustração: Jeff Avelino

Por Casa 1

A Casa 1 é uma organização localizada na região central da cidade de São Paulo e financiada coletivamente pela sociedade civil. Sua estrutura é orgânica e está em constante ampliação, sempre explorando as interseccionalidade do universo plural da diversidade. Contamos com três frentes principais: república de acolhida para jovens LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros) expulsos de casa, o Galpão Casa 1 que conta com atividades culturais e educativa e a Clínica Social Casa 1, que conta com atendimentos psicoterápicos, atendimentos médicos e terapias complementares, com foco na promoção de saúde mental, em especial da comunidade LGBT.

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