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Natalia Borges Polesso: uma conversa fluida sobre sexualidade, família, acolhimento, representatividade e políticas públicas


Por Daniele Gross, voluntária da Biblioteca Caio Fernando Abreu

“Mas e aí, vamos falar de você como escritora?”. Foi assim que começamos um bate-papo incrível — pouco depois daquele reconhecimento básico que fazemos, quando encontramos alguém pela primeira vez, ainda que virtualmente, em uma videochamada —, com Natalia Borges Polesso, escritora gaúcha, natural de Bento Gonçalves e que, aos 41 anos, é detentora de três prêmios Jabuti

E como a gente, no geral o humano né?, adora saber a jornada das pessoas, como chegou até ali, já fui de cara perguntando como e/ou quando se descobriu escritora. Algo que ela lembra que sempre teve muita curiosidade no ato da escrita e que às vezes tinha mais curiosidade em escrever do que de ler. “Não que eu não gostasse de ler, mas eu gostava de brincar assim com as palavras. Então, sempre tinha alguma história escrita na parte de trás dos cadernos, ou uns poeminhas em suas margens”.

Mas, se o domínio da escrita desde a infância não é surpresa alguma — afinal, a ideia de que escritores são mágicos das palavras povoa o imaginário de todos nós —, para Natalia a possibilidade de exercer a escrita como profissão não era algo possível: “Porque escrever é uma coisa, se considerar uma escritora é outra. Então o pensamento ‘Ah! Agora eu sou uma escritora’, sempre vinha acompanhado da dúvida: ‘Será?’”.

Doutora em Teoria Literária e com apenas uma década de atuação no mercado literário, a escritora gaúcha já mostrou sua potência literária logo em sua estreia: seu primeiro livro, Recortes para álbum de fotografia sem gente, lançado em 2013, angariou um Açoriano na categoria contos — prêmio instituído em 1994 pela prefeitura de Porto Alegre/RS, com grande reconhecimento local.

Mas Natalia alçou vôos maiores, bem maiores. Em 2016, Amora recebeu dois Jabuti, ocupando o primeiro lugar, na categoria contos e crônicas, e também na categoria Escolha do Leitor. Além do grande reconhecimento que é receber um prêmio desse porte, Amora também foi eleito o livro do ano, pela Associação Gaúcha de Escritores — Prêmio AGES; e também contemplou a autora com novo Açorianos

As premiações não param por aí. Em 2017, foi selecionada para figurar na lista Bogotá39, que reúne 39 autores, com menos de 40 anos (ou até 39!). Algo que ela considerou muito surpreendente: “Porque eu nem sabia muito bem o que que era o Bogotá39! E aí, de repente, veio esse e-mail, e só aí eu fui pesquisar o que que é, e vi os autores, né? Aí eu pensei: ‘Bah! Que legal isso!’. Eu não tinha entendido a dimensão do Bogotá39, até ir para o evento, no Hay Festival, e conhecer os escritores e escritoras ali, conhecer e participar um pouco desse ciclo da América Latina, de escritores e publicações”.

Estar na lista, permitiu que Natalia tivesse um maior conhecimento desse público consumidor de literatura da América Latina: “Em 2018, 2019, foram anos que eu fui para muitas feiras, e visitei muitos países da América Latina. Então foi muito massa, por vários motivos. De um lado, por ter um pouco mais de acesso à literatura contemporânea publicada na América Latina, hoje; mas, de outro, um pouco frustrante, por saber que a gente é muito pouco lido na América Latina. Proporcionalmente, a gente lê muito mais essas pessoas. Então, parece que o mercado brasileiro talvez tenha muito mais interesse nesses contemporâneos, do que o oposto, sabe? O brasileiro é pouco lido na América Latina”.

Em 2021, novo Jabuti, na categoria Romances de Entretenimento, com Corpos Secos, escrito a oito mãos — parceria com Luisa Geisler, Marcelo Ferroni e Samir Machado de Machado. Uma experiência gratificante, não apenas pelo Jabuti: “Foi muito melhor do que eu esperava, porque eu já trabalhei em sala de roteiro, por exemplo, que eu não tive uma experiência tão legal quanto do Corpos Secos — tão boa, que agora a gente está até escrevendo o segundo!”

Natália destaca, entretanto, que a atividade da escrita não é uma atividade tão solitária,que o escritor não se isola e mergulha em um mundo isolado, como se imagina. Ao contrário: tal como em uma tese ou em um artigo, existem outras pessoas que interferem diretamente no processo, como o orientador e o editor.

E é diante dessa observação, que a gaúcha faz uma ressalva: “Eu acho que o grande trabalho do Corpos Secos foi da editora, da Luara. E no Corpos Secos, como eram quatro autores escrevendo — claro que a gente se encontrou virtualmente, para criar as diretrizes e depois escrever —, quem deu a forma final, o corpo, quem conseguiu aparar as arestas, foi a nossa editora, a Luara”.

Escritora que aborda o tema do lesbianismo abertamente e trabalhando com histórias amorosas entre mulheres, Natalia também trata da sua orientação sexual, identificando-se com o tema de forma espontânea, se assumindo no final da adolescência, entre os 17-18 anos, quando, aproveitando o fato de estar passando por decepções amorosas, conversou com ambos pais, que foram receptivos e tranquilos. 

“Então, acho que, a partir disso eu consegui… sabendo que eu teria esse acolhimento, para mim ficou muito mais fácil. E como essa palavra — acolhimento — é complexa para pessoas LGBTQIA+, né? O que significa uma casa, um lar… Então a minha vida de sair do armário ficou muito mais fácil, porque eu não tinha nada a perder, sabe? Meus pais sabem, minha irmã sabe, meu irmão sabe, as pessoas próximas de mim sabem”.

Uma facilidade destacada também pela sua condição social: “Claro, eu sei que eu sou uma mulher branca, uma mulher que… eu acho que eu transito entre… às vezes eu tô mais boot, mais sapatão, às vezes menos, né? Transito queermente bem, talvez nesses âmbitos. Mas eu acho que também ser uma mulher branca, ser uma mulher que fez letras, que está mais no meio da arte, da literatura, talvez tenha facilitado esse trânsito pra mim, sabe? É um pouco mais assim, eu acho”. 

Entretanto, sabemos que nem tudo são flores. Aqueles que já passaram pela angústia da descoberta da sexualidade divergente da padrão, sabem bem a que Natalia se refere, quando diz que quem atravessa momentos como esse, é como “aquela coisa da vida dupla, né?, que a gente tem que ter, coisa quase esquizofrênica que jovens, que pessoas jovens, adolescentes — lésbicas, gays, enfim — precisam organizar na cabeça”.

Além de todas essas dificuldades, há também a ausência de ouvidos para compartilhar as angústias que todo adolescente passa, mas que nem todo adolescente com questões envolvendo a sexualidade tem disponível.

“Eu quando adolescente, já sabia da minha atração por meninas, mas eu nunca conversei com ninguém sobre isso. E então, assim: dos meus oito aos meus 16, tudo aconteceu na minha cabeça, assim, de me descobrir e tal. Eu sabia disso, mas eu não tinha com quem falar. Não tinha nada que eu pudesse identificar na literatura, né? Não tinham essas personagens, não tinha série, filme era muito difícil…”.

Sobre a questão da representatividade midiática, Natália afirma a importância da existência desses assuntos em canais de fácil acesso. “E eu, assim, minha família, a gente não tinha a TV a cabo, por exemplo, então era televisão, né, TV aberta. E aí ficava difícil mesmo. Eu nasci em Bento Gonçalves, mas passei alguns anos da minha adolescência em Campo Bom, uma cidade com algo em torno de 40 mil habitantes, e depois fui para Caxias do Sul, com uma população dez vezes maior, 400 mil habitantes — e só aqui eu achei que seria possível conversar com alguém. E foi bem na época da novela Torre de Babel [Rede Globo, 1998] — que foi super traumatizante”.

Torre de Babel, entre outras narrativas, trazia a história do casal de lésbicas formado pelas atrizes Christiane Torloni e Sílvia Pfeifer. Opostas ao estereótipo da mulher lésbica, que é masculinizada — a sapatão —, elas eram a típica mulher da sociedade, da alta sociedade, mega femininas, mega dondocas. E, talvez — não há nenhuma pesquisa que tenhamos conhecimento — a sociedade se olhar, se ver no espelho, e também enxergar uma mulher lésbica, dentro dos seus próprios padrões, fosse muito difícil, para além do já tradicional preconceito aplicado na lésbica-sapatão.

“E elas não só foram assassinadas, elas foram explodidas, né? Isso foi muito marcante. E eu sempre pensava, retroativamente, eu pensava: ‘Meu Deus, mas elas eram assim, quase que lésbicas higienizadas, que poderiam ser super aceitas em qualquer lugar — e mesmo assim foram pulverizadas’. E eu ficava usando a novela de mote, pra conversar: ‘Você viu a novela? Não sei o quê…’ Daí de repente as lésbicas foram explodidas, e eu meio que um pouco me calei. Porém, eu… eu tava um pouco cansada… Assim eu lembro que foi aquelas coisas: ‘Eu preciso conhecer uma pessoa que seja que nem eu”.

E como conhecer pessoas “que nem ela”? Se o assunto da sexualidade divergente da padrão não está nas pautas da sociedade, não é debatido em nenhum lugar, não está nas novelas e, tampouco nas redes sociais que, há exatos 25 anos, mal existia, como tratar desse tema?

“Porque a gente… eu não conversava e tal.  Aí eu lembro que falei pra uma amiga minha: ‘Eu acho que eu sou lésbica’. Aí ela falou: ‘Fulana também é. Quer conversar com ela?’ Eu falei: ‘Quero.’ Aí eu fui pra cidade, que era Sapiranga, e aí conheci a Fulana, e obviamente que a Fulana tinha uma turma de amigas… Então foi assim, já fui acolhida, digamos, por uma turma de amigas”.

Uma história que, certamente, se reproduz em muitas das mais de cinco mil cidades brasileiras e, do quanto, jovens — ao assistirem programas de TV, canais de streaming, as milhares de séries e seriados que são transmitidos nos mais diversos meios — podem, a partir de suas cenas, debater suas angústias e anseios com outras pessoas, direta ou indiretamente.

E nesse contexto, de acolhimento e integração, encontram-se também os movimentos sociais, como o feminista e o lésbico, que ainda que não tenham tanto espaço nas grandes mídias, meios de menor alcance, mas não por isso menos importantes, como a literatura ficcional ou teórica, são lugares de grande influência.

“Os movimentos são essenciais na minha formação, tanto como escritora, quanto como pesquisadora. Porque apesar de eu ter trabalhado no mestrado com questões de gênero e cidade; (e no doutorado eu trabalhei apenas em questões de cidade, ficando a questão de gênero um pouco de lado), no pós-doc eu voltei muito ao tema, intitulado Geografias Lésbicas, em que eu fico tentando mapear as escritoras lésbicas — ou pessoas não-binárias, que se sentiram como lésbicas, ou que em algum momento dessa escrita se identificaram como mulheres lésbicas — e suas produções ao longo do tempo e do mundo, bem como o espaço que essas obras trazem também”.

Natalia ressalta a influência que tanto os movimentos, quanto as produções intelectuais têm: “Eu procuro citar sempre de modo interseccional: produções decoloniais, produções do feminismo decolonial, do feminismo indígena, do feminismo LGBTQueiro, transfeminismo… todas essas vertentes — pois eu acho que elas nos ajudam a construir uma ideia mais plural: do que que é ser uma mulher, do que que é ser uma pessoa lésbica, do que é estar no mundo de hoje. E, pra mim isso é essencial, tanto na minha construção de pesquisadora, quanto no meu crescimento como escritora, e na minha vida pessoal, obviamente, né?”

Inspirações que contam tanto com escritores clássicos, como Caio Fernando de Abreu, Lygia Fagundes Telles e Virgínia Woolf, como também autoras contemporâneas: Verônica Stigger, Cidinha da Silva, a Luciane Aparecida, Leo Tavares.

“São autoras que eu acompanho com muito interesse, porque tem algo ali de conceitual talvez, no trabalho delas, que me faça explorar, que me coloque um pouco a pensar, sabe? Ali eu aprendo a escrever. Acho que tem isso, sabe? Eu leio essas pessoas com esse olhar. Mas, claro, tem esses encontros literários. E aí tu vai ler uma coisa e fica assombrada. Por exemplo, o livro novo da Jarid Arrais, O Corpo Desfeito — eu li e achei muito maravilhoso: ‘Putz! Olha: queria ter tido uma ideia assim para escrever!’. O Escute as Feras, da Nastassja Martin, que eu li ano passado (ou foi esse ano?), e que foi superbom.”

Além disso, Natalia observa que é muito mais fácil ser um escritor do que ser uma escritora, principalmente um escritor branco. “Se for uma escritora, uma mulher negra ainda, é mais difícil”.

A autora exemplifica com um levantamento de uma professora e pesquisadora de literatura da Universidade de Brasília (UnB), Regina Dalcastagné, em que ela fazia um mapeamento de quem era o autor brasileiro. “Ela mapeou quatro editoras grandes e pesquisou, durante dez anos, os autores que saíam por essas editoras grandes. E, não surpreendentemente, mais de 70% dos autores — em um país como o Brasil, que é super diverso — eram homens brancos heteros, cis, e do eixo Rio-São Paulo, mais de 70%. E as personagens também meio que refletiam essa identidade, né? — porque a gente acha que o homem-branco-hetero-cis não é uma identidade, mas é. E é louco isso, né? Então com certeza, ser uma escritora é mais difícil”.

E, ainda que se perceba como uma escritora com textos de qualidade quando em uma prosa poética, na poesia em si, não considera sua produção como algo de destaque: “Eu costumo dizer que eu cometo poemas”. E, na esteira de suas produções literárias, lançou recentemente (2022), seu primeiro livro infantil Formiguinhas, categorizado pela autora como tendo uma pegada clariceana. Um ano que também a consagrou mais uma vez como finalista do Jabuti, com A Extinção das Abelhas, na categoria romance — publicação premiada com o Minuano de Literatura, pelo Instituto Estadual do Livro (IEL), do Rio Grande do Sul, além de também constar como finalista do Prêmio São Paulo de Literatura, no ano anterior. Além desses, já está para ser enviado para a editora, seu novo livro de contos, gênero que desejava retomar, e que fala sobre navegar a vida nesses tempos difíceis: Condições Ideais de Navegação para Iniciantes.

Natalia também aborda a importância de políticas públicas voltadas à produção cultural, e o quanto sem a existência de concursos literários, muito provavelmente não teria conseguido publicar um título individual — já que sua produção literária começou a alçar voos a partir de sua participação nesses concursos, quando conseguiu inserções em coletâneas. Sua primeira premiação deu-se em 2008, quando teve seu conto premiado na categoria estreante, pelo 42º Concurso Anual Literário de Caxias do Sul, realizado pela prefeitura.

“Eu publiquei meu primeiro livro em 2013. Então, este ano, estou completando dez anos de carreira, digamos assim, de escritora. Mas eu já tinha publicado em algumas coletâneas antes. E eu acho que essa coisa das coletâneas é o que possibilitou eu ter um livro publicado. E isso vem de uma espécie de saúde cultural da cidade onde eu morava, porque tinha políticas públicas de livro, de leitura. E essas primeiras coletâneas que eu publiquei, foram de um concurso literário que a cidade tem desde 1965. E junto disso, na cidade, tinha também um edital chamado Financiarte, que foi um edital pelo qual eu publiquei tanto Recortes, que é o meu primeiro livro, quanto o Amora. E eu acho que se não fossem esses editais, eu jamais teria um livro só meu, pra chegar a conseguir um prêmio, por exemplo.” 

E destaca o quanto a existência de mais editoras, bem como a facilidade em se publicar atualmente, em função da expansão e do maior acesso às tecnologias, ajuda. Mas a distribuição ainda é muito difícil. “Por exemplo, o Recortes que eu publiquei nessa primeira editora, que foi viabilizado por esse fundo de cultura, a distribuição era regional. Então, eu só fui distribuída nas livrarias de Porto Alegre porque eu ganhei o Açorianos e porque o meu editor era amigo de alguns livreiros”. 

Natália se Natalia reconhece que escrever bem também é fator para estar na posição em que hoje se encontra, também afirma o quanto tudo está muito amarrado e, muitas vezes, preso a uma certa sorte.

“Mas não importa. Tem um monte de gente que escreve bem e que não consegue publicar, que não consegue ter o seu golpe de sorte, sabe? E eu acho que eu tive num momento legal, assim, e que se não fossem essas políticas, talvez eu não tivesse conseguido ter um livro para publicar ou ter um material meu na mão. Então, eu reconheço muito isso, eu sou muito grata por essa saúde cultural.”

Mas, se Natalia teve sorte por estar em uma cidade com um programa de incentivo à cultura, ao mesmo tempo ela lamenta o fato desses programas também estarem cada vez piores. Pensamento que, para a autora, se complementa com o fato de “nos últimos anos, enfim, depois do golpe, depois que a Dilma saiu e, enfim, tudo o que aconteceu com o Ministério da Cultura, com o Ministério da Educação, todas essas políticas foram meio que destruídas. E, antes disso, ainda, nas prefeituras, ali na Serra, ganhou um pessoal, assim, que também cortou todos os projetos, que acha que não precisa disso e tal”.

E, para aqueles que desejam se arriscar na escrita, a recomendação da premiada autora é ir atrás de editais, de concursos, pesquisar sobre as políticas públicas locais, buscar inicialmente publicações coletivas. Porque ainda que no mundo de hoje seja tecnicamente mais fácil publicar — bastando subir o livro em uma plataforma como a Amazon, por exemplo — isso, por si só, na maioria das vezes, não basta para tornar-se conhecido, para receber premiações, ou ainda tornar-se uma referência literária, a ponto de ser tema central de uma tese de doutorado, como aconteceu com Natalia, a partir de sua premiada obra, Amora — e ainda assim, não conseguir viver apenas de sua arte.

“E também mostrar o texto para as outras pessoas, sabe? Eu sempre digo: mostra pro amigo. Pede para ler, já vai com os teus problemas. ‘O que que tem de problema nesse texto? O que tu acha?’ Sempre aconselho. Eu sempre tento dizer que escrever não é uma coisa que se faz sozinho. A gente escreve com muitas coisas que acontecem com a gente durante o dia, durante o momento que a gente tá escrevendo, durante a nossa vida. E isso vai afetar outras pessoas, e isso vai afetar nós mesmos. E essa escrita, esse livro, seja lá o que for, ele vai acontecer pela mão de diversas pessoas. Então não dá para ignorar isso. Eu sempre falo que a gente precisa compartilhar e, às vezes, se colocar numa situação, num lugar de vulnerabilidade também.”Além do quê, complementa, “prêmio é uma ótima vitrine. Não dá para dizer que não. Aí a gente sabe que listas, prêmios, eles são também um pouco arbitrários, né? Porque sei lá, pode ter lá alguém de um lugar remoto, com um livro brilhante que a gente nunca vai saber. Então, tem isso, tem o zeitgeist [espírito da época, espírito do tempo, sinal dos tempos], tem que estar no tempo certo, publicando a coisa certa, né? o que os jurados gostarem — tem uma série de fatores. Mas, com certeza, ganhar um prêmio, ou ser finalista de um prêmio, já é algo muito, muito, muito importante, porque te dá uma visibilidade imensa, imensa”.

A Casa 1 é uma organização localizada na região central da cidade de São Paulo e financiada coletivamente pela sociedade civil. Sua estrutura é orgânica e está em constante ampliação, sempre explorando as interseccionalidade do universo plural da diversidade. Contamos com três frentes principais: república de acolhida para jovens LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros) expulsos de casa, o Galpão Casa 1 que conta com atividades culturais e educativa e a Clínica Social Casa 1, que conta com atendimentos psicoterápicos, atendimentos médicos e terapias complementares, com foco na promoção de saúde mental, em especial da comunidade LGBT.

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