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Casa1 disponibiliza dossiê sobre Inês Etienne

O dossiê “Se eu morrer- Inês Etienne e a denúncia da violência de estado e de gênero,” foi desenvolvido pelo Instituto Temporário de Pesquisa sobre Censura da Casa 1, sobre a história de Inês Etienne, única presa sobrevivente da Casa da Morte (Petrópolis/RJ), e as violências de Estado e de gênero durante o período da ditadura civil militar no Brasil. A publicação conta com apresentação de Lucila Lang e Pamela Michelena, texto da pesquisadora Isabel Cristina Leite, alguns documentos do caso e um posfácio de Julia Gumieri.

Os documentos que compõem este dossiê reconstroem a memória de Inês Etienne Romeu (1942 – 2015) militante, integrante da luta armada, presa política e conhecida como a única sobrevivente da Casa da Morte, local clandestinamente utilizado para tortura e assassinatos pelos órgãos de repressão da ditadura militar brasileira (1964 -1985).

O local que ficou conhecido como Casa da Morte se localiza em Petrópolis – Rio de Janeiro e operou, provavelmente, desde 1971, mas o conhecimento de sua existência veio a público apenas com o relato da própria Inês quase uma década após que, com as informações que se lembrava, conseguiu precisar a localização do imóvel, assim como possibilitar a criação de uma planta interna sobre o uso dos espaços.

Inês Etienne passou na propriedade noventa e seis dias, com diversos direitos fundamentais sendo violados, sendo extirpada de sua humanidade, vivenciando a grotesca realidade do que é uma ditadura civil-militar. De modo a estabelecer processos simbólicos de reparação das violências institucionais que as vítimas da ditadura militar sofreram – e que permeiam a própria existência deste dossiê – há a intenção de grupos da sociedade que a Casa da Morte seja um “Centro de Memória, Verdade e Justiça”. Ao longo dos anos, o imóvel pertenceu a proprietários particulares (Mário Lodders, depois Renato Firmento de Noronha e seus filhos), especialmente no período em que foi cedido ao Exército e era utilizado como centro de tortura por ordem de Orlando Geisel. Nos últimos anos, houve a intenção de desapropriação e de tombamento, embora ainda não se tenha efetivado o local como um lugar de memória.

A publicação está disponível para download aqui e é possível assistir uma roda de conversa com as autoras no canal da Casa1 no Youtube.

Fundada em 2017, a ONG Casa 1 possui uma República de Acolhida, um Centro Cultural e uma Clínica Social. Tudo junto, pela comunidade LGBTQIAPN+! Aqui neste espaço nos dedicamos a produção de conteúdos relevantes e de qualidade sobre e para a comunidade, algo fundamental em tempos de desinformação.

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