vídeo de uma estátua de bronze rolando o asfalto e sendo atirada em um canal por manifestantes em Bristol, no Reino Unido, ganhou as redes sociais neste último domingo, 07/06, logo pela manhã. A obra, erigida em 1895, retrata o traficante de escravos Edward Colston e foi derrubada durante protesto antirracista na cidade, em sinal de revolta ao enaltecimento de símbolos escravagistas.

Motivados por esta cena, resolvemos listar alguns monumentos da cidade de São Paulo – dentre  tantos outros pelo país – que deveriam ser retirados da paisagem por justamente reverenciarem personagens ou episódios da história escravocrata e genocida da cidade e do Brasil.

Vale lembrar que estas peças não necessariamente precisariam ser destruídas, levando em conta que são artefatos de arte e objetos históricos que representam determinados períodos da cidade e muitas delas poderiam estar em um museu. Mas, sobretudo, poderiam dar espaço para que outras homenagens como a líderes indígenas, mulheres e heróis da negritude, ganhassem forma e estampassem o espaço público.

Monumento a Pedro Álvares Cabral

Começamos por ninguém menos que o principal personagem da invasão portuguesa ao Brasil em 1500, quando o território era habitado por diversos povos indígenas que a partir de então sofreram sistemático genocídio. O monumento em homenagem a Pedro Álvares Cabral fica no Parque do Ibirapuera e foi inaugurado em 10 de junho de 1988, com projeto de Agostinho Vidal da Rocha e realização feita por Luiz Marrone.

Glória Imortal aos Fundadores de São Paulo

O monumento está localizado em frente ao Colégio José de Anchieta, na região central de São Paulo. A escultura é constituída por um grande pedestal de granito, de onde surge uma coluna de granito rosa. No alto, está uma figura feminina, feita em bronze, que representa a cidade de São Paulo. Mas logo embaixo, estão esmagados pela estrutura vertical figuras que representam indígenas em trabalho braçal. A composição fala por si só. A escultura foi feita pelo escultor italiano Amadeo Zani, tem 25 metros de altura e foi concebida em 1925.

Monumento às bandeiras

Uma das esculturas-símbolo da cidade, retrata bandeirantes em postura de progresso. Mas, sabemos bem que os bandeirantes foram os responsáveis pelas violentas expedições que adentravam o território paulista para explorar minérios e escravizar indígenas. O monumento foi executada por Victor Brecheret na praça Armando Salles de Oliveira, em frente ao Palácio Nove de Julho, sede da Assembléia Legislativa e ao Parque do Ibirapuera. A escultura foi inaugurada em 1954, juntamente com o Parque  e tem 240 blocos de granito, cada um pesando 50 toneladas. Já foi palco de manifestações, como em 2016 no ato em que amanheceu manchada por tinta.

Estátua Borba gato

Inaugurada em 27 de janeiro de 1963, a imensa estátua do bandeirante Borba Gato está localizada na Avenida Santo Amaro, região sul da cidade. O bandeirante foi um dos líderes das ações de violência e escravização de indígenas. A obra tem 12,5 metros de altura, pesa 30 toneladas e foi elaborada por Júlio Guerra, artista paulistano. A estrutura bruta é de concreto e é apoiada sobre dois trilhos de bonde. No revestimento, há mosaicos de basalto e mármore.

Monumento ao Anhanguera

O explorador de minas Bartolomeu Bueno da Silva foi batizado pelos índios goiá de “Anhanguera”, que significa “espírito do mal”. Com isso já é possível imaginar quem foi este homenageado que ganhou esta escultura localizada no Parque Trianon, em frente ao MASP. O monumento foi entalhado em mármore pelo escultor italiano Luigi Brizzolara, em Gênova, e inaugurado em 11 de agosto de 1924.

Compartilhe:

Por jjoãoapaes

jjoão atua na comunicação, projetos, estratégias e cotidiano da Casa 1 desde agosto de 2018.

13 thoughts on “Monumentos racistas em São Paulo que também poderiam ser derrubados”
  1. Não concordo com todos.
    Alguns, sim.

    Vamos derrubar todas pirâmides de Egito, Coliseu, bustos de Júlio César, Alexandre o Grande tbm?

    Todos eram patrões de escravos, mas tiveram um papel importante na história.

    Alguns, eu concordo totalmente!
    Mas outros, acho muito extremismo…
    Daqui a pouco vamos estar igual o Estado Islâmico, destruindo obras históricas e culturais.
    Eram outros tempos, outros costumes, outra ideologia.

  2. Acho importante uma correção. O monumento às bandeiras é uma crítica, dessas q só os artistas sabem fazer passar despercebido, à história do Brasil. Tbm conhecido como empurra, ou empurrão retrata o mais ouro suco de Brasil ao escancarar a inutilidade de quem está na frente e laterais do barco apenas fazendo de conta, isso pode ser percebido nas cordas frouxas, e apenas 1 pessoa, representando o povo trabalhador realmente empurrando sozinho toda a carga. Isso é inclusive bem fácil de achar na internet com uma simples pesquisa, algum tempo dedicado à observação do monumento tbm pode mostrar com facilidade o intuito do artista.

  3. Sobre o monumento “Glória imortal aos fundadores de São Paulo”, houve, no mínimo, uma imprecisão sobre os caracteres constituintes da escultura. Segue descrição técnica:

    Construído em 1925 marcou a fundação São Paulo. No alto do pedestal uma figura feminina em bronze representa Cidade de São Paulo coroando seus fundadores. Na mão direita, traz uma tocha, símbolo de amor eterno; na esquerda, um ramo de louros e uma foice, simbolizando a glória e o trabalho. Nas quatro faces do pedestal, baixo-relevo em bronze mostram aspectos dos primeiros tempos da vila: a catequese, destacando o trabalho do Padre Anchieta; a primeira missa, celebrada pelo Padre Manoel de Paiva em 25 de janeiro de 1554, dia da Conversão de São Paulo; a defesa da vila pelo cacique Tibiriçá; a embaixada de paz por Anchieta e Manoel da Nóbrega junto aos índios Tamoios. Na base da coluna, figuras de bronze em alto-relevo representam os indígenas em trabalho braçal, erguendo as primeiras casas da vila e a igreja, sob as ordens do Padre Afonso Braz. Alguns carregam, às costas, cestos com terra e potes de água, ao passo que outros amassam a terra para formar a taipa. Pouco abaixo do alto-relevo, medalhões, também em bronze, estampam os perfis de autoridades da época: Martim Afonso de Souza, fundador da Vila de São Vicente; Mem de Sá, Governador Geral do Brasil de 1558 a 1572; Dom João III, Rei de Portugal entre 1521 e 1557; e o Papa Júlio III (1550 – 1555). Entre os medalhões, vinhas e folhas de bronze, em relevo, completam a ornamentação.

  4. Uma coisa é vc apagar a apologia a canalhas da história, como Borba Gato e Anhanguera, outra coisa é vc apagar obras de arte que representam um registro histórico de um certo tipo de mão de obra, como o monumento do patio do colégio ou Entradas e Bandeiras. É um tiro no pé apagar a memória do genocídio indígena ou da escravidão, pois isso nos desconecta com fatos históricos aos quais mais do que nunca precisamos estar atentos.

  5. Chamar o monumento as bandeiras, conhecido como “EMPURRA”, de racista é mostrar que não sabe nem analisar a obra que esta na frente da cara, chega até ser bem obvia… e mostra bem o quanto falta de discernimento para o povo. Um artista faz uma obra criticando o governo e defendendo o povo, em pleno governo militar desafiando os mesmos, e o povo burro, pra não disser outra coisa, acha que é racismo. o texto da pagina é tão inconsciente que fala que a obra se trata de bandeirantes. A obra se quer contem bandeirante representado. O monumento as bandeiras é uma critica ao estado (homens a cavalo) que não faz nada, nem um minimo esforço, na escultura as cordas dos cavalos estão frouxas. a elite brasileira que mesmo podendo não ta nem ai, (alem de não estarem fazendo força, tem um que está de conversa com o outro do lado) e o povo no fim EMPURRA sozinhos os blocos que representam o Brasil, por isso o monumento é conhecido como EMPURRA. Lembrando que a obra foi produzida enquanto que getúlio vargas governava, o ARTISTA arriscou sua vida para fazer esta obra de arte.

  6. O monumento da bandeiras foi tema de intensos debates e foi Mário de Andrade que exigiu que o monumento ao progresso incluísse a presença do índio, o que acabou sendo acatado. Caso contrário, somente bandeirantes lá estariam.

  7. O fato de nao aceitarmos o racismo vem da ideia que isso e errado. A ideia do errado vem da recordacao doque aconteceu no passado. Destruir essas estatuas e apagar da nossa memoria doque aconteceu e fazendo isso estamos condenando as geracoes futuras a se submeter a autoridades sem questionar, apagar esse passado e fazer que as geracoes futuras nao tenha para quem olhar e se espelhar para lutar por seus direitos.
    Quando uma pessoa passa por essas estatuas a sentem algo, isso e bom. Porque ele vai lutar para nao aceitar a opressao, o preconceito, etc. Se ele nao tem esses simbolos tudo que fizerem a esta pessoa ele vai ver como algo singular, pessoal e limitado a ele. O homem do futuro sem memoria do passado nao vai lutar.

  8. Acho que mais interessante que serem retirados de cena e colocados em museus, seria pensar em formas permanentes de ressignificação desses monumentos, que os problematizassem. O Monumento às Bandeiras, por exemplo, tem sido alvo de muitas obras contemporâneas que o abordam por um viés crítico. Penso que uma política que possibilitasse que artistas negros ocupassem os espaços públicos ao lado de monumentos de viés racista seria bastante proveitosa nesse sentido. Uma maneira de ressaltar o conflito que permeia a arena pública e intervir na história, sem apagá-la.

  9. Concordo totalmente com a Janaina. Um museu, onde uma estátua dessas pode ser vista em um contexto, é o lugar certo se estamos falando destas estátuas como documentos históricos.

    Estátuas ocupando espaços públicos são símbolos, índices através dos quais um grupo específico busca glorificar um passado para hegemonizar a forma como ‘se deve’ viver e interpretar o presente. E numa cidade tão desigual, que não consegue apagar, mas continua jogando pás de cal por cima da própria história, servem como lembrete constante das estruturas que ajudam a sustentar.

    PS: Achei ótimo o texto jjoao, obrigada pela leitura.

  10. Só nao entendo porque deveriam ser retiradas, mas, não deveriam ser destruidas porque “representam.momentos importantes da historia”. Então, deveriam ser mostradas. Não é contraditório?

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *