Na manhã de hoje (19/8), o relatório final da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Violência Contra Pessoas Trans e Travestis foi aprovado. As informações são do site da Câmara Municipal de São Paulo.

Segundo Erika Hilton (PSOL), presidente da comissão, foram realizadas 189 recomendações a 33 instituições públicas e privadas sobre iniciativas de combate à transfobia institucional. Fez parte do trabalho de aprovação e votação o vice-presidente da Comissão, Eduardo Suplicy (PT), e as vereadoras Elaine do Quilombo Periférico (PSOL) e Juliana Cardoso (PT).

As recomendações tratam dos eixos investigados e incluem violência física, assistência social, educação, retificação de nome e gênero, transfobia nas redes sociais, empregabilidade, envelhecimento da população e outros. Hilton enfatizou que a saúde foi a área com maior número de recomendações.

O relatório também recomenda a aprovação do PL (Projeto de Lei) 736/2021, que institui a obrigatoriedade de fixação em local visível de placas em respeito ao nome social de pessoas trans e travestis, de autoria de todos os vereadores que compõem a Comissão.

“A partir do momento em que as instituições, os órgãos competentes receberem este relatório, virem as recomendações construídas a partir das oitivas que nós fizemos, nós conseguiremos buscar saídas, soluções para os problemas apresentados neste Plenário. Este relatório é um compromisso dessa CPI em tentar enfrentar estas violências”, disse a vereadora Erika Hilton (PSOL).

“Foi histórico ter tido uma CPI das transfobia aqui na Câmara Municipal de São Paulo. Durante todo esse processo, nós ouvimos muitos relatos de violações e violência, inclusive institucionais. Esta CPI e o relatório final vai servir para que estas instituições possam ter outra postura, sem nenhum tipo de transfobia aqui na cidade de São Paulo”, relatou a vereadora Silvia da Bancada Feminista (PSOL).

“Eu me senti muito honrada por ter sido aceita como relatora de uma CPI tão importante num país que mais mata pessoas trans pela simples razão que são pessoas com corpos diferentes. A gente não pode admitir, não pode aceitar ter este tipo de recorde. Para mim, foi muito emocionante ouvir os relatos das pessoas trans sobre empregabilidade, saúde, discriminação, a questão do nome social. Então, foi um aprendizado para mim. O relatório está muito bom, ele tem uma série de ações que eu quero acreditar que vai fazer uma diferença na nossa sociedade e na vida das pessoas trans e travestis”, comentou a relatora da CPI, Cris Monteiro (NOVO).

O relatório final vai ser publicado no Diário Oficial e estará disponível também no Portal da Câmara Municipal de São Paulo e nos gabinetes dos vereadores envolvidos, além de ser transformado em livro.

“Eu quero que este relatório possa virar um livro para que todas as pessoas tenham acesso aos trabalhos desta CPI, tenham acesso às recomendações feitas por esta CPI, pelos nobres vereadores, pelos colaboradores que revisaram e que estas recomendações, que os trabalhos aqui, que os destaques feitos ao longo deste trabalho possam estar de fácil acesso a todos”, explicou a vereadora.

A CPI

Instalada em setembro do ano passado, a Comissão teve sua primeira reunião em outubro, quando a ANTRA (Associação Nacional de Travestis e Transexuais) e o Cedec (Centro de Estudos de Cultura Contemporânea) apresentaram dados sobre a subnotificação de assassinatos cometidos contra a população trans e travesti na capital e um mapeamento com dados sociodemográficos, condições de trabalho, renda, saúde, situações de violência e cidadania da população trans residente na cidade de São Paulo.

No total, foram realizadas mais de 10 reuniões, com participação de ativistas pelos direitos da população LGBTQIA+, entidades, pessoas trans e travestis vítimas dos diversos tipos de violência, e autoridades.

Foi a primeira vez que a Câmara Municipal de São Paulo criou uma CPI para investigar a violência contra pessoas trans e travestis.

Confira a reunião completa no vídeo abaixo:

Foto de capa: André Bueno | REDE CÂMARA SP

Por Casa 1

A Casa 1 é uma organização localizada na região central da cidade de São Paulo e financiada coletivamente pela sociedade civil. Sua estrutura é orgânica e está em constante ampliação, sempre explorando as interseccionalidade do universo plural da diversidade. Contamos com três frentes principais: república de acolhida para jovens LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros) expulsos de casa, o Galpão Casa 1 que conta com atividades culturais e educativa e a Clínica Social Casa 1, que conta com atendimentos psicoterápicos, atendimentos médicos e terapias complementares, com foco na promoção de saúde mental, em especial da comunidade LGBT.

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