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13 livros brasileiros LGBTQIAP+ de 2022 para ler em 2023

Se você faz parte do grupo de pessoas que coloca como resolução de Ano Novo “ler mais livros” e fica perdido com o grande volume de exemplares nas prateleiras, vai adorar essa lista que fizemos para pessoas que querem ler mais, mas não sabem por onde começar.

Este conteúdo não tem intenção de rankear os livros, é apenas uma lista em ordem aleatória de livros com temáticas ou com autores LGBTQIAP+.

Corpo Desfeito – Jarid Arraes

Em uma cidade do interior do Ceará, uma família vive uma sequência de abusos: avó, mãe e neta estão presas em uma teia complexa e violenta de abuso e negligência. A dureza das expectativas criadas e não cumpridas, do ciúme doentio e do desejo de absoluto controle estão presentes neste primeiro romance de Jarid Arraes. Ao retratar o cotidiano de Amanda, jovem de doze anos que mora sozinha com a avó desde a morte da mãe e do avô, Arraes cria uma narrativa envolvente e brutal sobre os traumas vivenciados e passados adiante. Amanda vai enfrentar desafios cruéis e dolorosos pelas mãos daquela que devia ser seu porto seguro, mas é também lá que a menina descobrirá o poder do primeiro amor e a força necessária para superar qualquer obstáculo.

Nos Olhos de Quem Vê – Helô D’ Angelo

Quem nunca teve problemas com autoimagem, ou com autoaceitação, ou com autoestima? Quem nunca se comparou a padrões irreais (para não dizer malucos) de beleza e de comportamento e sofreu tentando se adequar a eles, apelando para métodos no mínimo duvidosos? E a troco de quê?

Foi com isso em mente que a quadrinista e finalista do CCXP Awards Helô D’Angelo escreveu este livro, compartilhando experiências pessoais com as quais é impossível não se identificar.

Com um sagaz toque de humor, muita ironia e ilustrações que são um espetáculo à parte, Helô nos leva do riso às lágrimas, convidando-nos a enfim olharmos para dentro e nos amarmos sem o peso do olhar do outro.

Viralizou – Juan Juliann e Igor Verde

O apocalipse chegou! O bondinho caiu, o Pão de Açúcar está em chamas e o Rio de Janeiro está vindo abaixo. Cabe a uma funkeira e a um jornalista de fofocas juntarem forças para conseguir salvar a humanidade. Viralizou é o divertidíssimo e imperdível épico de zumbis de Juan Jullian e Igor Verde.

Péu Madruga, conhecido jornalista de fofocas, acabou de conseguir o furo que pode salvar sua carreira. Só que a notícia é justamente sobre Talitta Bumbum, a funkeira do momento e ex-amiga de infância de Péu. Mas… amigos, amigos, negócios a parte, né? Revoltada com a traição, Talitta resolve confrontar Péu e tirar as muito devidas satisfações.

No meio da briga chega a notícia bombástica: aquele estouro lá fora não era bala perdida. Eram ZUMBIS. É isso mesmo! O apocalipse zumbi chegou com tudo na cidade do Rio de Janeiro — segurem os seus biscoitos Globo. Sem mais alternativas, Péu e Talitta vão precisar se unir se quiserem ter qualquer chance de se manter vivos.

Em meio a uma cidade tomada (ainda mais do que o normal) pelo caos, com um presidente que jura que a situação não passa de um viruzinho, e com seus corpos a um triz de virarem fast-food de zumbi, será que os ex-amigos irão provar que o brasileiro consegue, sim, sobreviver a tudo?

Viralizou, de Juan Jullian e Igor Verde, é uma genial aventura de terror cômico em que antigas amizades precisarão se provar mais fortes do que tudo para salvar o mundo. E, claro, com uma boa dose de funk.

Transresistência: Pessoas trans no mercado de trabalho – Caê Vasconcelos

Quantas pessoas trans fazem parte da sua vida? Quantas trabalham ao seu lado? Se você, assim como a maioria, respondeu “nenhuma”, talvez não saiba que o Brasil é o país que mais mata essa população no mundo. Um extermínio que, como sociedade, não podemos continuar a ignorar. Pessoas trans e travestis muitas vezes enfrentam dificuldades dentro do espaço familiar. Do lado de fora, sua exclusão persiste na ausência de direitos básicos como saúde, educação, moradia e trabalho. Este último, claro sintoma de nossa transfobia estrutural, é o tema que costura os perfis aqui reunidos. Não há dúvidas que ser uma pessoa trans no Brasil é resistir. Daí o título Transresistência. Escrito pelo jornalista Caê Vasconcelos, este livro pretende contribuir para a visibilidade de pessoas trans e travestis, indo contra a corrente conservadora – incluindo uma vertente do feminismo – que insiste em invalidar sua existência e humanidade.

O Beijo do Rio – Stefano Volp

Mergulhar nos pecados do passado pode ser uma viagem só de ida.

O solitário Daniel é um jornalista negro que escreve para a seção investigativa de uma revista independente. Ao saber da trágica morte de Romeu, seu melhor amigo de infância, ele decide voltar à sua cidade natal, Ubiratã, para investigar o caso, o qual a polícia prontamente concluiu ter sido suicídio.

Após dez anos longe, Daniel se vê de volta à pequena cidade onde cresceu. Seu regresso à casa é problemático. Bissexual, ele sempre se sentiu deslocado naquele bairro separado do resto da cidade por um rio. A nova companhia de teatro, figuras políticas da cidade, os membros de uma seita religiosa e famílias que não querem ser incomodadas são viradas de cabeça para baixo com a presença do jornalista e sua investigação criminal.

Há, também, algo do passado de Daniel de que ele não consegue – ou não quer – lembrar. Em vez de memórias, tem visões de um menino, que aparece para ele com mensagens indecifráveis. Agora, quanto mais se aproxima da verdade, mais visões tem e mais ele deve descobrir sobre si mesmo.

Vou sumir quando a vela se apagar – Diogo Bercito

Em seu romance de estreia, Diogo Bercito narra uma emocionante história de amor e autodescoberta ambientada no início dos anos 1930.

Yacub passa os dias na companhia de Butrus no vilarejo da Síria onde vivem. Os dois são inseparáveis e se deixam encostar casualmente enquanto colhem folhas de uva ou fumam no gramado, mas uma agonia crescente toma conta de Yacub quando essa proximidade é ameaçada. Butrus recebera um convite do tio para emigrar para o Brasil e aproveitar as muitas oportunidades de um futuro próspero no país. A perspectiva do distanciamento não é forte o suficiente para que os dois verbalizem seus sentimentos, mas permite que finalmente se toquem. O ato consumado, no entanto, é seguido de uma tragédia. O que para os médicos é cólera, para Yacub é a ação do lendário que habita o poço de uma casa abandonada, que estava aberto quando os jovens cederam aos seus desejos.

Esse é o ponto de virada da narrativa, que passa então a ter como cenário a vibrante São Paulo do início da década de 1930, uma cidade em transformação, ponto de atração de pessoas de diferentes partes do mundo. Em um ambiente marcado pela vontade de se estabelecer e pela infinidade de possíveis futuros, o passado cisma em se fazer presente para o imigrante, que começa a ter sonhos cada vez mais vívidos tendo o como figura persecutória.

Em seu romance de estreia, Diogo Bercito narra com delicadeza e admirável domínio da escrita uma história na qual o que não está dito salta aos olhos a cada página. Vou sumir quando a vela se apagar trata de afetos, com um protagonista que tem no diálogo constante com o a expressão de seus medos e o impulso da fuga de si. Uma trama atemporal, sobre as dificuldades de lidar com os desejos e a capacidade de tomar para si o próprio destino.

Rainhas da Noite – Chico Felitti

Andrea de Mayo era a rainha-empresária. Proprietária de pelo menos doze imóveis na cidade de São Paulo, ela investia no aluguel para garotas trans de programa. Teve três boates, entre elas a lendária Prohibidu’s, uma casa de travestis para travestis, além de ser agiota e “bombadeira”, como chamavam as pessoas que injetavam silicone em mulheres trans.

Jacqueline Welch, ou Jacqueline “Blábláblá”, era a abelha-rainha. Construiu seu próprio “castelo”, um bordel de luxo escondido atrás de um salão de beleza. Era violenta, mas glamurosa, com clientes importantes, entre políticos e artistas paulistanos. Seu castelo foi um dos primeiros pontos fixos de prostituição trans do centro de São Paulo, e do alto de sua “torre” Jacqueline comandava um mundo particular.

Cris Negão era a rainha das ruas. Do alto dos seus dois metros, garantia às travestis a proteção que o Estado não dava. Mas para isso, cobrava um preço. Dizia ser imortal, e provava isso com as cicatrizes de seis balas que usava como joias no peito. Era a mais violenta das monarcas.

A partir da década de 1970, uma cidade sóbria e conservadora começa a criar outros caminhos, cores e desejos. São Paulo se torna uma cidade de rainhas, dispostas a sair do anonimato e a lutar pela própria existência.

Rainhas da noite é uma série inédita, escrita pelo autor de Mulher Maravilha e Ricardo & Vânia, Chico Felitti, e narrada pela atriz e diretora Renata Carvalho, que celebra a vida destas mulheres que criaram uma sociedade só delas e para elas, e reinaram durante trinta anos no centro da maior cidade do país.

Rumores da Cidade – Lucas Rocha

Aos dezessete anos, André, morador da pequena e religiosa cidade de Lima Reis, sabe que não pode se assumir gay a menos que queira comprometer a reeleição do pai à prefeitura. Porém, uma questão familiar faz com que tio Eduardo, que o garoto nunca conheceu, volte à cidade. Logo fica claro que: a) o tio é cem por cento gay; e b) ele sobreviveu àquela cidade.

Munido de uma nova perspectiva, André percebe que não é provável que ele seja o único gay de Lima Reis. Além disso, o garoto acaba encontrando diversos indícios de que seu pai possa estar envolvido em casos de corrupção. Entre manter as aparências e fazer o que é certo, André não terá como fugir de algumas escolhas e precisará enfrentar todos os rumores da cidade para seguir o caminho que acredita.

Pedagogia das Travestilidades – Maria Clara Araújo dos Passos

Em Pedagogias das Travestilidades, a educadora e ativista Maria Clara Araújo dos Passos registra a luta do Movimento de Travestis e Mulheres Transexuais no Brasil, para assegurar que o Estado perceba essa comunidade como digna e lhe garanta os direitos sociais e políticos. Para isso, a autora documenta o saber que vem sendo produzido, desde 1979 até a atualidade, por esse coletivo, desde seu início, nas ruas, até sua chegada ao espaço privilegiado da academia. A publicação deste livro no Brasil – que desde 2008 lidera o terrificante ranking de assassinato de travestis e pessoas transexuais – é importante para afirmar que a existência dessas pessoas não apenas é possível, mas essencial para que a cidadania seja exercida de forma plena. Esta edição reúne apresentação da multiartista Linn da Quebrada e prefácio da professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) Carla Cristina Garcia.

Movimento LGBTI+: Uma breve história do século XIX aos nossos dias – Renan Quinalha

“Sem a pretensão de escrever um manual exaustivo, o autor nos oferece um panorama da constituição moderna do movimento LGBTI+ como movimento político que reivindica direitos, equidade e respeito, a partir de um recorte geográfico ocidental.” Erika Hilton “Cada uma das partes que compõem este livro faz com que avancemos numa compreensão de que nossa existência é um ato político e o que fazemos a partir dessa conscientização pode, literalmente, ser a medida de nosso sucesso em um projeto de emancipação, horizontalidade e democracia.” Rita von Hunty Em tempos de autoritarismos e conservadorismos morais, nada como a história para nos ensinar e inspirar nas resistências do presente. Sistematizando anos de estudos e elaborações em torno da temática da diversidade sexual e de gênero, Renan Quinalha compartilha neste livro reflexões teóricas e historiográficas em linguagem acessível, sem renunciar à profundidade das discussões, com o objetivo de atingir um público mais amplo interessado no universo LGBTI+. Esta obra destina-se tanto a pessoas que desejam investigar a fundo essa temática como àquelas que estão dando seus primeiros passos nos estudos de gênero e sexualidade. Ela é, sobretudo, um convite à ação política e à luta por igualdade, diversidade e democracia.

Desmama: Memórias de uma mãe com outra mãe – Marcela Tiboni

Paixão, namoro, casamento, fertilização in vitro, gravidez de gêmeos, parto. Se você leu Mama (2019), livro de estreia de Marcela Tiboni, já conhece a história de amor vivida por Mel e Marcela. Mas o que acontece depois que as duas mães chegam da maternidade com os bebês recém-nascidos? Este livro parte do nascimento de Bernardo e Iolanda para narrar o cotidiano da família, desde os primeiros dias dos bebês até o desmame – tudo isso vivido em meio a uma pandemia. E mais: divididas em décadas, narrativas paralelas resgatam memórias da infância, juventude e vida adulta da autora. Em Desmama, Marcela Tiboni reafirma sua escolha de viver a maternidade de forma aberta e inclusiva, quebrando mais uma vez o tabu da maternidade homoafetiva para contar a história de seu maternar ao lado de outra mulher.

Fabulosas: Histórias de um Brasil LGBTQIAP+ – Patrick Cassimiro

Fabulosas conta as histórias de mais de trinta pessoas LGBTQIAP+ que deixaram e deixam uma marca no Brasil, por meio de sua arte, sua vida e sua luta. Os leitores vão conhecer personagens fascinantes e descobrir peculiaridades como o percurso enfrentado até o primeiro beijo gay na TV brasileira e o significado dos principais termos do pajubá.

Você certamente já ouviu falar de Laerte. E de Caio Fernando Abreu, de Marielle Franco, de Linn da Quebrada. Mas e Felipa de Souza? E Luiz Delgado? Muito antes de os movimentos LGBTQIAP+ se articularem e conseguirem suas primeiras vitórias, já havia brasileires lutando pelo direito de viver sua sexualidade e seu gênero de maneira livre. Desde então, esses personagens só aumentam — e suas conquistas também.

Fabulosas é uma homenagem à comunidade LGBTQIAP+ brasileira e uma celebração da vida de todes que ajudam a construir essa história — e não nos deixam esquecer toda a luta que enfrentaram para chegar e permanecer aqui.

A Menina Linda e outras Crônicas – Cidinha da Silva

O livro traz questões importantes para a crônica contemporânea: é o século XXI, com todos os temas debatidos na sociedade, transportado artisticamente para a Literatura em textos curtos, acessíveis e, sobretudo, atraentes. A Menina Linda tem textos construídos a partir de uma tessitura ao mesmo tempo delicada e contundente. Numa dicção original e surpreendentemente bela, Cidinha da Silva toca em temas sociais candentes, como racismo, periferia, relações trabalhistas, africanidade, sem nunca descuidar dos aspectos estéticos. No texto A menina linda, que abre o livro e lhe dá título, vemos uma professora que precisa se educar diante das surpresas indigestas que o racismo pode trazer. E fica a pergunta: “Por que a felicidade da mulher negra precisa ser guerreira, sempre?”. Já em A coleção de dicionários de capa dura na estante, o narrador aborda a importância da leitura em um ambiente familiar pouco afeito às manifestações da cultura letrada, visto que monopolizado pela sobrevivência cotidiano. É ainda este tema que vai ressoar na belíssima crônica Cenas da colônia africana em Porto Alegre – as lavadeiras, na qual a singularidade da voz narradora frente à labuta da vida cotidiana permite um olhar de esguelha às condições de vida das classes populares. Além do papel do livro e da leitura, a cultura do rap, o Carnaval e o samba também estão nas crônicas de Cidinha. Sendo assim, passeia pelos cabelos dos meninos negros e pela beleza negra em todos os seus possíveis níveis, desde o estético até o filosófico.

Se você leu algo que gostou muito e não encontrou aqui comenta pra gente incluir nas próximas!

Boa leitura!

Foto de capa: Ricardo Matsukawa/ Banco de Imagens TEM QUE TER

Taubateana e Jornalista.

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