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As referências de Quem Faz a Casa 1

As referências de Quem Faz a Casa 1

Para quem acompanha as redes da Casa 1, temos o costume de dividir com vocês um pouco dos bastidores do nosso trabalho através da série #QuemFazaCasa1, que são pequenos depoimentos de pessoas que trabalham nas mais variadas áreas do nosso projeto, falando sobre o nosso dia a dia. Com o isolamento social, tivemos que ajustar o nosso formato de trabalho e boa parte do que estamos fazendo está acontecendo em reuniões virtuais, elaboração de relatórios e assim por diante.
Pensando nisso, decidimos reativar o #QuemFazaCasa1, mas dessa vez pedindo para que as pessoas nos indicassem alguma material de referência que, de alguma forma, ajude a explicar ou que esteja relacionado com o tipo de trabalho realizado aqui na Casa. Este é um jeito de a gente falar um pouco mais sobre como a gente trabalha e compartilhar inspirações que orbitam e guiam o nosso fazer.

VALE SAIG (Projeto babadeira)

Livros “Tudo Nela Brilha e Queima” de Ryane Leão e “Pedagogia do Oprimido” de Paulo Freire

“Uma das consequências do Covid 19 foi a Quarentena, medida de precaução para não espalhar ainda mais o vírus. Assim que a quarentena começou fiquei muito abalada, triste, com vários ataques de ansiedade. Mais a medida que o tempo esta passando só agradeço a oportunidade e o privilégio de poder ficar em casa. Assim comecei a tirar proveito deste tempo tão valioso para reflexões sobre nós mesmos, a comunidade, o planeta. Tenho dedicado muito tempo a decifrar minhas dores, minhas angústias, a ver minha pertencia, a redescobrir meu silêncio. Comecei a fazer várias coisas que no dia a dia paulistano (ritmo frenético de trabalho e compromissos) não conseguia realizar. O simples ato de ler um livro. “Tudo Nela Brilha e Queima” de Ryane Leão é um dos livros que esta me ajudando muito e que me me ajuda a entender sobre as dores das mulheres negras, se eu posso entender minhas feridas vou poder empoderar e ajudar outras mulheres. No projeto, eu ministro várias aulas de automaquiagem e de maquiagem profissional, onde falo muito do amor próprio e empoderamento. Como cuidar de nós e tão importante, é quantas vezes deixamos isso de lado. Não é só passar um simples creme ou uma máscara, é muito mais profundo do que isso. E o segundo livro que tem me dado chão (a leitura não é tão fácil mais vale muito a pena) é “Pedagogia do Oprimido” do Paulo Freire, aprendizados sobre o diálogo que possibilita a conscientização com o objetivo da transformação na educação . No Projeto Babadeira estamos trabalhando para poder fortalecer nossa pedagogia de ensino sobre os diálogos a beleza, amor próprio e educação.”

DENISE PIRES (biblioteca comunitária caio fernando abreu)

Livro “O velho e o mar” de Ernest Hemingway

“Escrito em 1951, em Cuba, esta pequena obra prima é o livro que mais indico na biblioteca porque sua história de força e resiliência mostra a grandiosidade da vida perante as adversidades do caminho. Em cada uma das pessoas que conheço e atendo na Casa 1 eu vejo a luta e nobreza de Santiago.”

 

IRAN GIUSTI (comunicação)

Documentário “Ex-Pajé” , livro “Ideias Para Adiar o Fim do Mundo” e página “Mídia Índia”

“”Ex- Pajé” é um semi-documentário de 2018 dirigido pelo Luiz Bolognesi e conta a história de um pajé que para ser aceito novamente em sua comunidade tem que se tornar zelador de uma igreja evangélica. O filme é lindo de doer, tem um tempo muito único daquelas pessoas e mostra a violência e crueldade das missões evangélicas. Um soco no estômago que me fez entender mais ainda o quanto as lutas dos grupos minorizados tem uma mesma raiz. Dá pra alugar no Youtube e no GooglePlay.

Ainda nesse campo, destaco “Ideias Para Adiar o Fim do Mundo” , um livro do Ailton Krenak (o livro fala de um entendimento de mundo completamente oposto do predominante, algo que é um dos cernes da Casa 1) e também a página Mídia Índia que compila matérias e informações sobre a luta indígena no país.

CAROLINA CASTANHO (educativo)

Relato da educadora Renata Meirelles e vídeos

“Pra este menino, o brinquedo só faz sentido quando a brincadeira está viva, caçar sementes, construir o pião e jogar faz parte do mesmo ciclo. depois, aquela semente volta a ser floresta ” Renata Meirelles.

Aqui os links dos vídeos: vídeo 1vídeo 2vídeo 3 e vídeo 4

“Achei bonita essa frase tão pequena que faz parte de um relato da educadora Renata Meirelles sobre um menino de Roraima que fazia pião com sementes de Tucumã. Um brincar acontecendo no encontro do corpo com o mundo. do corpo com seu território. durante as aulas de teatro e o estar na Casa1 ficava especialmente intrigada com a facilidade que eles tem de fluir entre-mundos, e como carregavam consigo objetos de seu território sem aplicar à eles uma função isolada, eterna ou única de existência. Os revólveres feitos de canos de pvc e fitas isolantes são revólveres da mais alta potência. Sejam eles, de fato usados para um assalto forjado ou para a criação. aliás, esse limite entre o brincar e o real é bastante estreito. como os jogos de policia e ladrão margeiam campos de ficção e realidade. E apesar dos pesares, não deixo de achar engraçado como ficamos perplexo quando caímos nos jogos, até porque eles nos colocam junto do que há de mais vivo. Pego esse exemplo do revólver porque é um objeto do território e um jogo que desmancha a ideia de que o jogo faz parte de campo exclusivo da infância. É claro que há outros jogos e inventividades que permeiam nosso estar. Assim como o campo da infância se difere do campo do adulto. Mas, o que me interessa é quando o jogo consegue presentificar as forças atuantes. Um jogo pode atuar no campo do cinético-espacial assim como atua no campo da ética e da política. Pular corda, brincar com pedras, equilibrar-se num pé só, bater cartas, apostas prá-valer, banhos de esguicho, esconde-esconde, correio elegante e por aí vai. Estar na Casa com os jovens e crianças não é estar num campo de segurança ou preparação para a vida. É estar nela, e ficar nos jogos é poder mover-se no mundo. E quem sabe mudar algumas peças de lugar mesmo que depois do fim do jogo elas voltem a ser cidade.”

ALVINA CIRILO (assistência social)

Música “Tente Outra Vez”, do Raul Seixas

“A letra desta música transmite ânimo, fala sobre não desistir dos sonhos e das conquistas, sejam elas pequenas ou grandes. A letra retrata a realidade vivida por nós e principalmente  para os moradores da Casa 1. Eu exerço várias atividades na Casa 1, vou elencar algumas delas: faço compras, colaboro na manutenção da casa e na organização do Centro Cultural Casa 1, colaboro com a equipe de gestão de RH, organizo junto com a equipe de voluntários, o atendimento junto às pessoas em situação de rua, atendimento este que se realiza no local que denominamos de paliativo, que consiste na distribuição de roupas e kits de higiene. No entanto, o que eu faço e que considero prioritário e o que mais me alegra dentre as minhas funções, é o incentivo que procuro dar aos jovens recém acolhidos, para que possam colocar em prática suas novas ideias. Procuro orientá-los na busca de seus direitos e na efetivação dos mesmos, porém, a força para que tudo aconteça está dentro de cada um. O que eu faço é assoprar aquela brasinha que está coberta de cinzas e fazê-la voltar a ter chamas e isto como se diz por aí: “não tem preço”. Os jovens que são acolhidos na Casa 1 chegam fragilizados e aos poucos a situação emocional e material vai mudando.  Os desdobramentos acontecem, aquela pastinha de vida, que chega vazia de alegria, de repente fica repleta de sorrisos, e olha que são sorrisos de batom vermelho, prancha no cabelo, perfumes, cosméticos mil e autoestima lá em cima.  E a pastinha dos documentos, a qual cobro bastante dos acolhidos, vai ficando organizada, e assim, tudo fica pronto para que eles possam correr atrás da saúde, trabalho, educação, vida social, baladas e amigos.  E a partir daí, a vida destes jovens entre 18 e 25 anos, segue o seu curso natural. E diante de uma nova etapa, se por acaso tiverem dificuldades, como eles dizem,  “se der ruim”, o que pode acontecer, é seguir o que disse  Raul Seixas: “Tente Outra Vez”, porém, desta vez ele não estará mais sozinho, pois a equipe da Casa 1,  passa a ser um ponto de apoio para aqueles que já saíram, para os que estão na Casa e para  os que virão.”

A CASA 1
(Alvina Cirilo)

A Casa 1 tem festa

Mas também tem labuta

E muita luta

A Casa 1 tem alegria todo dia

Que não combina com pandemia

A Casa 1 traz aconchego pra cada um

Que venha daqui, dali

Ou de acolá

Não importa

O respeito é o que aporta

A Casa 1 tem arte

E criança que faz arte

Tem doçura nas criaturas

Tem costura

Tem inglês

Pra qualquer freguês

Que quiser enobrecer

A custa do saber

Mas também tem dança

Comidinhas que alegram a pança

Idosos que jogam bingo

Jovens que bordam e tricotam

Fazem maquiagens e

Traquinagens

Tem bibliotecas com muitas histórias

Que se misturam com as nossas e vossas

Tem gente unida

Que com beleza e alegria

Está encarando a pandemia

Levando pra vizinhança

Um pouco de esperança

A Casa 1 tem festa

Mas também tem labuta

E muita luta

A Casa 1 tem alegria

Que não combina com pandemia

Bruno Oliveira (centro cultural)

Poema “A educação pela Pedra” de João Cabral de Melo neto

“Logo no início do poema “A educação pela Pedra” (publicado em 1966 em livro homônimo), o pernambucano João Cabral de Melo Neto aponta para um aspecto fundamental do trabalho que fazemos na Casa 1: é preciso estar atento à didática da pedra, “frequentá-la”. Reconhecer na partilha do mundo, do chão, da pedra, suas possibilidades de ensino-aprendizagem e a partir dela instituir uma prática dialógica. Estar atento à estas lições da pedra é sobretudo uma tarefa política que atravessa toda a nossa atuação, no centro cultural, na clínica social e na república de acolhida.”

A EDUCAÇÃO PELA PEDRA

(João Cabral de Melo Neto)

Uma educação pela pedra: por lições;

para aprender da pedra, frequentá-la;

captar sua voz inenfática, impessoal

(pela de dicção ela começa as aulas).

A lição de moral, sua resistência fria

ao que flui e a fluir, a ser maleada;

a de poética, sua carnadura concreta;

a de economia, seu adensar-se compacta:

lições da pedra (de fora para dentro,

cartilha muda), para quem soletrá-la.

*

Outra educação pela pedra: no Sertão

(de dentro para fora, e pré-didática).

No Sertão a pedra não sabe lecionar,

e se lecionasse, não ensinaria nada;

lá não se aprende a pedra: lá a pedra,

uma pedra de nascença, entranha a alma.

ANGELO CASTRO (PROGRAMAÇÃO)

Peça “O Evangelho segunda Jesus Rainha dos Céus” no Teatro Oficina

“”Depois de pensar muito a respeito, acho que algo que me remete muito ao que faço hoje na Casa 1 como assistente de programação, foi a peça “O Evangelho segunda Jesus Rainha dos Céus” protagonizado pela brilhante atriz Renata Carvalho, e especialmente na ocasião que assisti, foi um evento produzido e organizado por nós da Casa, na semana de visibilidade Trans de 2019. Mesmo sendo algo estruturado por nós, a peça aconteceu no Teatro Oficina, vizinho, parceiro e amigo do projeto. Toda essa sucessão de fatos me remete a algo muito potente e relacionado à visão do trabalho que faço hoje. A peça, que já foi censurada inúmeras vezes, faz uma releitura de textos religiosos e do próprio evangelho (que conta a história de Jesus), mas mostrando esse Jesus encarnado em um corpo Trans, na pele de Renata, e todas as sutilezas e escancaramentos da peça, assim como todo o (re)significado do texto vem a partir desse fato. Foi tão expressivo, por me ver fazendo parte desse evento, ajudando a organiza-lo e produzi-lo, e vê-lo acontecer em um teatro histórico e renomado, apinhado de gente por todos os lados. Acho que meu trabalho tem muito disso, de ajudar realizar coisas tão incríveis, com o destaque e a voz desses corpos dissidentes e muitas vezes marginalizados, falando de algo tão urgente e importante, e assim como o texto ressignifica o evangelho, ressignifica também o mundo a nossa volta, e nossa compreensão da sociedade, e acredito que a tudo isso junto ajuda na construção de um espaço onde isso seja possível de acontecer. A Renata Carvalho, assim como muitas outras pessoas trans estão mostrando seus trabalhos por aí seja na escrita, atuação e diversos outros campos e merecem serem vista e apoiadas.”

Letícia Ferreira (Clínica Social)

Podcast “DEGENERADOS”

“Hoje eu indico para ouvir nesse isolamento social é o podcast “DEGENERADOS”, realizados por dois homens trans, onde eles recebem perguntas sobre questões trans e suas interseccionalidade. O episódio #7 “COBAIAS” gerou várias reflexões sobre o trabalho que realizo na Casa 1. Hoje sou uma das psicólogas que atende moradores e moradoras na República de moradia e coordenadora da clínica social Casa 1. Durante esse episódio também foi falado sobre o despreparo ou até desserviço dos profissionais de psicologia e o quando isso pode gerar mais uma violência para essa pessoas . A Casa 1 é uma espaço que sempre busca questionar os processos de saúde mental, (que muitas vezes são cisgêneros, heteronormativos, elitistas e brancos). Hoje faz 3 anos que estou atuando na Casa e tentando ressignificar esse espaço de escuta que a psicologia propõe, para um espaço sem gerar violência, opressão e obrigatoriedade.”

Diego almeida (educativo)

Livro “Mulheres, raça e classe” da Angela Davis

” Esse livro tá me dando uma surra de realidade e aprendizado, em todos os dias que leio. É muito bom, faz parte da minha vivência e do meu trabalho e com o que a Casa 1 busca também. Quando se pensa em dança para todos, todos os corpos, e eu trabalho com dança na Casa, então eu penso muito sobre isso. E dança em São Paulo ainda é para brancos, quem vai prestigiar, a maior parte dos bailarinos, são brancos. Então esse livro me faz refletir sobre o quanto é importante ter pessoas nessas nesses espaços de trabalho como a dança, como a Casa 1. E ainda, pensar que raça e gênero são suas questões que andam em paralelo, simultaneamente.”

jjoão atua na comunicação, projetos, estratégias e cotidiano da Casa 1 desde agosto de 2018.
1 Comment
  • Diego
    23 de abril de 2020 at 16:19

    Eu ameiii,gente!!!

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