O grupo recifense apresenta o espetáculo Mar Fechado nos dias 12 e 13 de maio no teatro Hermilo Borba Filho.


“Mar Fechado” é um espetáculo que mistura teatro e dança numa narrativa sobre a vida de Janaína e Caetano, indivíduos que trazem consigo uma ligação com as religiões de matrizes africanas, eles se perdem no vasto oceano social moderno à procura de algo que não se pode tocar nem ver. Enquanto ela luta para superar todo o peso do seu passado e a solidão atrelada à vivência da mulher negra, ele anseia por um mergulho profundo que lhe traga liberdade sem perder o controle, imerso em relacionamentos líquidos e em uma busca para encontrar a si.

O espetáculo que teve uma temporada interrompida pela pandemia de COVID-19 em março 2020, voltou a ser apresentado no último mês de abril como parte da programação do Trema festival internacional de teatro que aconteceu de 24 de abril a 1 de maio.

“Foi emocionante reencontrar o público presencialmente após dois anos presos nas telas, nos alimentou de uma forma excepcional. Foi como voltar a respirar e a expectativa é de que o público compareça nas próximas apresentações para que possamos fazer esse mar acontecer juntes”, diz Nilo Pedrosa integrante do elenco do espetáculo e do Coletivo Agridoce. 

“Estar em cena novamente com esse trabalho, que durante tanto tempo me trouxe várias inquietações, sobre o poder estar em cena e não necessariamente precisar falar sobre o meu corpo travesti, mas poder trazer para pauta outras questões que perpassam o meu corpo e o meu fazer artístico, e assim poder narrar a minha escrita enquanto mulher negra e a de tantas outras mulheres negras, e poder revisitar e reconstruir o texto e provocar outras narrativas sobre afetividade e relacionamentos vastos, e dando a possibilidade de encontrar uma ancestralidade que faz com que o meu agora aconteça em estado de presença, me fez voltar a acreditar em mim mesma e ganhar forças para continuar nadando nessa imensidão de um mar social que traga corpos e vivências como as minhas, a ponto de anular historicamente nossas falas, nossas forças, potencialidade, histórias e tentar nos afogar em um mar de silenciamento profundo, diz a dramaturga Sophia William.

Sinopse

Um recorte sobre questões afetivas e como essas questões se modificam ao se depararem com a diversidade. Discute a solidão da mulher negra, o vazio afetivo que norteia a sociedade atual, relações parentais, abusivas, e relações afetivas com prazo de validade. A amizade de figuras contrastantes que se encontram e se reconhecem um no outro, na tentativa de dialogar com o diferente, de mergulhar profundamente em águas desconhecidas. 

Através de monólogos densos que são desaguados quase que num fluxo contínuo ou em diálogos improváveis e descontraídos que trazem leveza e fazem rir pela identificação imediata com o absurdo da realidade que se faz presente. Fortes e leves como o mar, Janaína e Caetano buscam ferramentas e maneiras de escaparem da prisão de dentro de si. Transbordam, crescem, diminuem, dão suporte e caem, abraçam e deixam partir numa narrativa que ignora a temporalidade linear. Tudo é espiral, causa e consequência se confundem  e uma gota pode se fazer oceano.

Sobre o Agridoce

O Coletivo de Dança-teatro Agridoce surgiu a partir da amizade entre multiartistas que se conheceram trabalhando na cena recifense. Estreou com a primeira temporada do espetáculo Trans[Passar], em março de 2019, no Teatro Hermilo Borba Filho. Em agosto do mesmo ano, estreou Mar Fechado. Tanto as questões de gênero e sexualidade quanto de raça estão presentes nos trabalhos do coletivo formado por Aurora Jamelo, Flávio Moraes, Nilo Pedrosa e Sophia William. Que além dos espetáculos Produzem anualmente o festival Janeiro Sem Censura, que surgiu como um movimento contra a censura sofrida pela atriz Renata Carvalho num festival recifense, e está na sua quarta edição e desenvolvem uma investigação sobre a urbanização e o apagamento da identidade da cidade do Recife que deu origem à performance RIZOPHORA estudo número 1 que já foi apresentada no projeto Cena Agora, do Itaú Cultural (SP) e no Museu Paço do Frevo (PE).

*Os ingressos para as apresentações no teatro Hermilo Borba Filho podem ser adquiridos na bilheteria, na hora dos eventos ou antecipadamente através do direct do instagram do grupo @teatroagridoce, no valor de R $30. Como já é tradição no Agridoce, 10% dos ingressos de cada sessão são transfree, ou seja, serão distribuídos gratuitamente para pessoas trans e travestis. Interessades devem entrar em contato através do instagram @teatroagridoce e informar seu nome social e para qual data deseja reservar o ingresso.

SERVIÇO:

Datas de apresentação: 12 e 13 de maio de 2022.

Horário: 20:00h.

Local: Teatro Hermilo Borba Filho, Cais do Apolo,142 – Recife-PE.

Entrada: R $30 (inteira),  R $15 (meia) e Transfree. vendidas na bilheteria do teatro uma hora antes do início do espetáculo ou antecipadamente através do direct do instagram @teatroagridoce. Mais informações: teatroagridoce@gmail.com

Ficha Técnica:

Dramaturgia: Nilo Pedrosa e Sophia William

Direção: Aurora Jamelo e Flávio Moraes

Elenco: Nilo Pedrosa e Sophia William

Coreografia e Preparação de Elenco: Sophia William

Colaboração textual: Estevão Caminha

Cenografia: Aurora Jmelo e Nilo Pedrosa

Figurinos e Iluminação: Aurora Jamelo

Assistente de Produção: Kadydja Erlen

Assessoria de imprensa e redes sociais: Nilo Pedrosa

Foto de capa: Lucas Emanuel 

Por Casa 1

A Casa 1 é uma organização localizada na região central da cidade de São Paulo e financiada coletivamente pela sociedade civil. Sua estrutura é orgânica e está em constante ampliação, sempre explorando as interseccionalidade do universo plural da diversidade. Contamos com três frentes principais: república de acolhida para jovens LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros) expulsos de casa, o Galpão Casa 1 que conta com atividades culturais e educativa e a Clínica Social Casa 1, que conta com atendimentos psicoterápicos, atendimentos médicos e terapias complementares, com foco na promoção de saúde mental, em especial da comunidade LGBT.

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