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Especulação imobiliária acelera no Bixiga durante a pandemia

Por Cyro Moraes, produtor de conteúdo freelancer da Casa 1

Lideranças de vários movimentos e associações de moradores do bairro do Bixiga, no centro de São Paulo, protocolam nesta quarta-feira, dia 10, um recurso contra a aprovação dos novos empreendimentos na grota do Bixiga. A área é tombada e abriga diversas nascentes de rios.

Marília Gallmeister, arquiteta e uma das representantes do Teat(r)o Oficina, localizado no bairro e famoso por travar uma luta de décadas com o grupo Sílvio Santos para impedir a construção de prédios no seu entorno, tem acompanhado esse avanço da especulação em diversos pontos do bairro. “Tem vários empreendimentos sendo propostos para a região da grota do Bixiga, que compreende a rua Rocha, a rua Almirante Marquês de Leão, a rua do Uma. É toda Uma geomorfologia, muito linda, com muitas nascentes e tem muitos empreendimentos que estão em fase de aprovação ali”.

O mais recente, aprovado pelo Conpresp há algumas semanas atrás, tem quase 30 andares, maior do que os propostos pelo grupo SS.

Esse movimento em defesa do bairro surgiu porque os líderes das entidades souberam que durante a pandemia houve muitos lançamentos aprovados após a criação pela Prefeitura de São Paulo no final do ano passado do Aprova Rápido, procedimento para acelerar a aprovação de empreendimentos, muitos no Bixiga. 

Há cerca de 15 dias, houve o encontro do Fórum Social Mundial voltado para discutir a gravidade da situação do avanço da especulação imobiliária no Bixiga. O encontro contou com várias falas de representantes de organizações do bairro, entre elas, o diretor do Oficina, José Celso Martinez Correa. Ele avaliou que a união das diversas entidades que coexistem deixa o movimento mais forte.

“Não se trata mais das três torres do grupo Sílvio Santos do lado do Teatro Oficina. É todo um xadrez de torres que tá proposto pro bairro do Bixiga com o fim de fazer terra arrasada da cultura do bairro.” afirma, Marília.

A entrega do documento, que será protocolado no Conpresp e na Secretaria de Cultura, está prevista para as 14h30 com apenas alguns representantes das entidades para evitar aglomerações e aguarda a confirmação da presença do secretário de Cultura, Ale Youssef.

A Casa 1 é uma organização localizada na região central da cidade de São Paulo e financiada coletivamente pela sociedade civil. Sua estrutura é orgânica e está em constante ampliação, sempre explorando as interseccionalidade do universo plural da diversidade. Contamos com três frentes principais: república de acolhida para jovens LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros) expulsos de casa, o Galpão Casa 1 que conta com atividades culturais e educativa e a Clínica Social Casa 1, que conta com atendimentos psicoterápicos, atendimentos médicos e terapias complementares, com foco na promoção de saúde mental, em especial da comunidade LGBT.

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