A edição de quarta-feira, 03, do programa “GloboNews em Pauta” trouxe apenas jornalistas negros e negras para falar sobre questões raciais após muitos protestos nas redes sociais pela escalação de um time exclusivamente branco debatendo o tema na edição de terça-feira.

A resposta rápida da emissora foi importante e confirma a movimentação do Grupo Globo que em 2019 trouxe a primeira ancora negra fixa em um telejornal do canal aberto, no caso Maju Coutinho na bancada do “Jornal Hoje” e também um apresentador negro no entretenimento, Érico Brás, no “Se Joga”. Em 2020 apresentou também Paulo Vieira no comando do humorístico “Tá no Ar”.

E não foi uma movimentação discreta, o apresentador fixo do programa, Marcelo Cosme, fez questão de dizer que a cobertura das manifestações nos EUA aconteceram ao longo do dia em diversos jornais (dois deles apresentados por ancoras negros), mas que mesmo assim a pluralidade racial ainda é menor do que a desejada e apontou o racismo estrutural que a organização tem trabalhado para combater.

Cosme mostrou ainda o tweet que viralizou com a crítica aos debatedores brancos e explicou que a decisão de convidar apenas os e as jornalistas negras se deu por indicação da chefe de reportagem do programa “Profissão Repórter”, Marcia Gonçalves. Tudo muito evidente, sem tentar esconder que houve um erro e que ele foi e está sendo corrigido.

Na edição, bastante celebrada nas redes, além dos jornalistas falarem sobre as manifestações que acontecem nos EUA em função do assassinato de George Floyd, o time falou sobre suas experiências pessoais e temas específicos: Lilian Ribeiro contou que foi da primeira turma das políticas de cotas do Rio de Janeiro e também sobre como as empresas devem repensar seus recrutamentos de seleção. Já Maju Coutinho falou sobre como o sistema racista consegue se atualizar e é preciso ficar atento a isso e Aline Midlej apontou que o “orgulho negro pauta o sistema porque é um mercado consumidor” e que os EUA não vão ser o mesmo após as atuais manifestações.

Completando o time, Zileide Silva falou sobre como a eleição de Obama parecia ter mudado o quadro e Flávia Oliveira destacou a falta de pessoas negras em cargos de gerencia e diretoria e como pessoas negras são mais invisíveis no Brasil do que nos EUA. Mediando tudo estava Heraldo Pereira, primeiro negro a sentar na bancada do “Jornal Nacional” em 2012, que respondeu como fez “para furar o bloqueio” da branquitude.

Vale lembrar no entanto, que a luta na Rede Globo e em outros veículos de comunicação não se reduz ao que aparece nas telas, em 2019, Maju Coutinho escancarou sem querer a disparidade racial dos bastidores ao postar uma foto com toda a equipe do “Jornal Hoje”:

https://www.instagram.com/p/B3DDz4MJG09/

Vale destacar que Rede Globo conta o grupo de afinidade “Diáspora”, que desde 2018 reune profissionais negros e negros da emissora para pensar e evidenciar as questões raciais.

By Iran Giusti

Iran Giusti é formado em Relações Públicas pela FAAP, atuou como gestor de redes sociais e gerente de projetos em agências de RP e Social Mídia e como jornalista foi repórter do canal de conteúdo LGBT do Portal iG e do BuzzFeed Brasil. Atualmente se dedica a gestão da Casa 1, um centro de acolhida e cultura LGBT e produção de conteúdos em que acredita.

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