A cantora e drag queen LaMona Divine, lançou na última sexta-feira (12) sua nova música intitulada “Web Romance”. Com uma inconfundível batida com referências do movimento pop funk do começo dos anos 2000, o single faz parte do seu primeiro álbum completo “Coquetel”, sem data de estreia.  

“A música nasceu em 2019, no finalzinho do ano, mas tinha um outro título”, detalha a cantora em vídeo chamada. Contudo, foi só na pandemia que a faixa se desenvolveu. Com as pessoas impossibilitadas de terem contato físico e obrigadas a manter suas relações apenas no virtual, a cantora e compositora decidiu explorar melhor o tema que o mundo estava, ou está, vivendo – e se identificando.

Com produção de Pedro Regada, a música trouxe referências inconfundíveis na batida: “ Eu queria uma coisa bem anos 2000, Claudinho e Buchecha, essas coisas. Sinto que as pessoas mais novas não conhecem muito. Achei um momento para fazer esse resgate cultural e reapresentar para algumas pessoas. Trazer essa nostalgia para ajudar a atravessar esse momento ruim que estamos enfrentando no mundo inteiro”. 

A drag queen vem investindo na sua carreira de cantora desde 2017, quando lançou seu primeiro single “Party Girl”. Depois de uma resposta positiva, ela passou a levar os treinos vocais mais a sério e hoje tem aula de canto com Rafa Vieira, que também trabalha com outras drags como Lia Clark e Kaya Conky: “Foi uma coisa que sempre quis e quero continuar evoluindo. […] Esse processo me trouxe confiança e possibilidades de brincar mais com a minha voz e entender como funciona. Estou amando”. 

No seu novo vídeo, as referências passeiam entre divas pop como Britney Spears e a estética Y2K, que é toda baseada no início dos anos 2000: “ Eu fiz uma pesquisa do que as pessoas estavam usando, e reparei que está muito em alta essa estética dos anos 2000, no TikTok e no Instagram, e que combina muito com as referências da minha música. Tem Paris Hilton, Britney, Christina, cresci com elas e sou fã até hoje, quis brincar um pouco com isso. Tem referências mais de agora também como as cam girls, que trabalham se exibindo em plataformas de vídeo chat. Trouxe essa linguagem para o trabalho porque tem tudo a ver com a letra”, comenta.

A estampa de anime que aparece usando em um dos takes foi criada por ela: “Desenhei e mandei estampar. Cresci vendo Sakura e principalmente Sailor Moon, e quis trazer um pouco disso também”. 

Assim como outros artistas, ela também teve seus projetos engavetados por conta da quarentena: “Esse single era para ser lançado no ano passado, tinham outros singles que também estavam no início de produção. Tinha muita coisa em mente que tive que adiar por um prazo indeterminado”. E diz que, assim como todo mundo, tem enfrentado altos e baixos nesse momento que estamos vivendo e busca não se pressionar: “No começo [da quarentena] eu cozinhava mais, fazia exercícios em casa, assistia séries e um monte de coisa. Agora estou focado em acabar o álbum e buscar momentos em que eu consiga desafogar a cabeça. A gente recebe informação ruim o tempo todo. Procuro um tempinho para respirar ou vou enlouquecer”.

Outro projeto da drag queen é o podcast “Santíssima Trindade das Perucas“, que também conta com a participação de Duda Dello Russo e Bianca Della Fancy.  Para a artista, participar do podcast a ajudou no desenvolvimento do seu trabalho e também no seu desenvolvimento pessoal: “ Falar em público era um grande obstáculo que eu tinha e acho que não é nem a timidez, só não acho que eu tenha uma boa oratória. Era algo que eu tinha muita insegurança de fazer e estar entre amigas, onde a gente fala de tudo, assuntos sérios e besteiras, tentando trazer humor e leveza me ajudou bastante a me soltar mais. E nosso podcast é escutado por 2 milhões de pessoas, a gente vai aprendendo a melhor forma de se expressar, se comunicar. Como artista, o programa me ajudou em questão de visibilidade porque são três drags com trabalhos diferentes e até com públicos diferentes. A visibilidade cresceu e ajudou muito minha carreira. Fico muito feliz com esse trabalho”.  

Se por um lado a quarentena paralisou o lançamento dos seus singles, por outro serviu para que ela pudesse se estruturar e organizar algo maior, o que levou ao planejamento do seu primeiro álbum completo, “Coquetel”. 

Ela promete que o álbum, ainda sem data de estreia, será muito animado e trará muita alegria para seus fãs: “Já está tudo meio encaminhado. Estou muito feliz com os featurings. Tem a Luísa [Luísa e os Alquimistas] que é uma grande amiga minha, tem a Boombeat, rapper na Quebrada Queer, tem Romero Ferro. É um álbum com muitos amigos porque eu tenho o privilégio de ter amigos maravilhosos e talentosos comigo nesse projeto da minha carreira. Amigos que se identificaram com o que eu queria fazer.” 

O single recém lançado não é o primeiro trabalho de LaMona que fala sobre redes sociais e a internet, temática já explorada em “Vênus Digital” seu primeiro EP, que leva o nome da primeira faixa divulgada do trabalho: “Minha persona e minha estética é de alguém que cresceu com a internet. Pela internet as pessoas podem ouvir a minha música e [conhecer] o meu trabalho. O mundo digital é muito forte e faz muito sentido para mim usar essa temática. É um ambiente que só vai evoluir então, porque não registrar esse processo?”, pontua. 

Confira as drag queens brasileiras e cantoras que ela recomendou. 

Reddy Allor 

Frimes 

Electra Mcklein

Enme Paixão 

Thereza Brown 

Foto de Capa: Divulgação/ Gustavo Delgado

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Por Thais Eloy

Taubateana e Jornalista.

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