Por Juliana Salles de Siqueira, voluntária da Biblioteca Comunitária Caio F. Abreu

No meio do outono de 2022, a Biblioteca Comunitária Caio Fernando Abreu realizou um primeiro evento público, após longo período de seu funcionamento apenas da porta para fora, em observação aos cuidados exigidos em cada fase da pandemia. Tal evento foi o lançamento do livro infantojuvenil “Os meninos que queriam rodar”, escrito por Francine Machado de Mendonça. Trata-se da narrativa de Bento e Davi, dois meninos que gostam de “coisas lindas”, às quais alguns adultos e crianças chamam de “coisas de menina”. Por tal motivo, passam a sofrer intimidação sistemática (bullying) nos intervalos da escola.¹

Os meninos tornam-se amigos por compartilharem uma sensibilidade estética e criadora, capaz de gerar uma produção que, ao final, sai do porão da casa de Davi para despertar sonhos, acolhimento e interesse de suas famílias e da comunidade escolar. A cada momento em que as personagens se encontram, apoiando-os e apoiando-se, reconhecendo e valorizando as criações de Bento e Davi, as ilustrações de Fernando Fiorini ganham mais cores, contrastando com as páginas em que predominam o preto e branco.

O livro apresenta um tema relevante e atual em nossos tempos, necessário e ainda tímido na literatura infantojuvenil brasileira. É um convite, feito com delicadeza, a um momento de reflexão intergeracional – crianças reconhecerão um assunto de seu universo, enquanto os adultos, possíveis mediadores desta leitura, poderão também acompanhar como as mães e as professoras dessa narrativa passam a deixar de lado a apreensão e o silenciamento para dar oportunidade à boniteza do encontro com a diversidade e com a singularidade em que somos e podemos ser.

Francine Machado de Mendonça, a autora, é arte/educadora envolvida com a literatura, o teatro e outras aventuras. Também é professora de artes na modalidade de ensino EJA (Educação de Jovens e Adultos). Não à toa a leitura de “Os meninos que queriam rodar” (2022) é uma oportunidade para que leitoras/es, sejam crianças ou adultas/os, pais, mães, educadoras/es ou nada disso, encontrem este tema da vida nessas páginas que nos mostram que, a despeito das idades, a literatura infantojuvenil tem o seu lugar.

“Os meninos que queriam rodar”, de Francine Machado de Mendonça, com ilustrações de Fernando Fiorini, foi publicado pelo selo do Rio de Janeiro, Crianças Diversas, em 2022. Tem 44 páginas. Pode ser adquirido em livrarias físicas e online, e também lido na Biblioteca Caio Fernando Abreu.

1 Para uma definição de bullying, termo que aparece no livro, recomendamos o acesso ao curto e importante marco legal que instituiu o Programa de Combate à Intimidação Sistemática, lei n o 13.185, de 6 de novembro de 2015, disponível em http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-
2018/2015/lei/l13185.htm
. Último acesso em 18/05/2022.

Foto de capa: Juliana Salles

Por Casa 1

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One thought on “Literatura infantojuvenil pra gente de várias idades”

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