Serão contempladas 30 mulheres periféricas para um ciclo formativo; no final, será realizada uma feira em que as participantes poderão expor seus trabalhos

O Projeto Conexões PeriFeira de Mulheres está com inscrições abertas entre os dias 07 e 25 de março e vai selecionar 30 artistas ou empreendedoras de baixa renda, moradoras de regiões periféricas da cidade de São Paulo, mães, indígenas, negras, imigrantes e LGBTQIA+ para um ciclo formativo virtual de três meses.

As selecionadas receberão um chip de celular com 7 GB mensais e terão acesso ilimitado ao Whatsapp para uso e acesso às atividades oferecidas. O projeto prevê um ciclo de formação com quatro encontros temáticos e quatro reuniões de organização coletiva da feira que será realizada no final do projeto. Além disso, serão oferecidas 12 oficinas culturais, em formato de lives, abertas ao público em geral.

“A partir da minha experiência como artesã, sendo uma mulher periférica a zona sul, trago muitas impressões sobre os desafios de expor o meu trabalho. Hoje eu vejo que a maior dificuldade para mim no começo era sentir que eu não tinha uma rede de apoio”, comenta a proponente do projeto Thamata Barbosa.

Segundo ela, o Conexões pode trazer uma contribuição à vida dessas mulheres como uma referência de auto-organização coletiva, de uma rede que se apoia e se fortalece.

“Se eu não fosse a proponente, facilmente eu me inscreveria. Empreender sozinha é muito difícil, ainda mais para mulheres periféricas que estão inseridas em vários contextos de desigualdades. Por isso, acredito na importância dessas conexões e fico muito feliz com o lançamento desse projeto de construção de mais uma experiência conjunta e solidária de comercialização”, diz a artesã.

Ao final da formação, será realizada uma feira cultural no Butantã. A PeriFeira de Mulheres será presencial, totalmente gratuita e sem taxas para as expositoras, que também irão receber ajuda de custo para transporte e alimentação no dia do evento. Para participar, as produtoras deverão comprovar 75% de frequência nos encontros virtuais.

O projeto pretende gerar oportunidades para que mais mulheres se organizem em rede, e através dos princípios de autogestão e economia solidária participem ativamente da construção dos processos de comercialização e produção de uma feira cultural, estimulando a troca de saberes e experiências e fortalecendo a constituição de redes solidárias.

Além disso, o processo busca promover integração entre artistas e empreendedoras periféricas transgredindo a lógica de competição capitalista e patriarcal e convidando todas a buscarem alternativas conjuntas. Nesse sentido, as formações têm como base a educação popular, o diálogo e a troca de experiências para horizontalizar as relações.

As atividades virtuais do Ciclo Conexões serão sempre às quintas-feiras, das 19h às 21h30, e começam no dia 23 de junho. Será emitido certificado de participação a quem tiver no mínimo 75% de presença nos encontros. A Feira construída pelas participantes está prevista para acontecer em 21 de agosto de 2022.

Como surgiu o Conexões PeriFeira?

O projeto é uma iniciativa da Feira Agroecológica e Cultural de Mulheres no Butantã com apoio do Programa VAI (Valorização de Iniciativas Culturais). A Feira Agroecológica e Cultural de Mulheres no Butantã é um coletivo não institucionalizado que desde 2017 promove a visibilidade e o protagonismo de mulheres em um evento mensal de comercialização solidária e promoção cultural.

A rede é composta por pequenas empreendedoras, agricultoras familiares, cozinheiras e produtoras de alimentos agroecológicos, além de artistas, artesãs, costureiras e arte-educadoras e, atualmente, o coletivo conta com cerca de 50 empreendimentos cadastrados, todos iniciativas de mulheres oriundas de diferentes contextos culturais e regiões do município de São Paulo e de seu entorno.

“A Feira é um espaço de formação e de ocupação política e cultural do bairro desde o início. Aprendemos na prática o que é uma feira de mulheres: um espaço em que crianças também se sintam acolhidas, que gere renda, dê protagonismo às mulheres como produtoras, que traga os movimentos sociais e paute a agroecologia. A gente não se considerava feminista no começo, mas fomos nos formando assim”, diz Ana Luzia Laporte, coordenadora pedagógica do Conexões PeriFeira e foi uma das fundadoras da Feira.

Mais que uma oportunidade de comercialização de produtos e geração de renda, o coletivo é também um espaço permanente de acolhimento, empoderamento, formação e deliberação coletiva, em que cada uma das mulheres participa ativamente das etapas de planejamento, produção e execução do evento, valorizando assim a diversidade que caracteriza o coletivo, e praticando os princípios que o fundam: economia solidária feminista, autogestão e agroecologia.

Serviço

O que: Inscrições Projeto Conexões PeriFeira de Mulheres
Para mulheres periféricas, mães, indígenas, negras, imigrantes e LGBTQIA+
Formulário de inscrições: (https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSeFjbpoFW2X2XLPc_QM6JQt8PcK8AcvEMfqF8JZ7ko1ommW1A/viewform)
E-mail: conexoesperifeira@gmail.com

Por Casa 1

A Casa 1 é uma organização localizada na região central da cidade de São Paulo e financiada coletivamente pela sociedade civil. Sua estrutura é orgânica e está em constante ampliação, sempre explorando as interseccionalidade do universo plural da diversidade. Contamos com três frentes principais: república de acolhida para jovens LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros) expulsos de casa, o Galpão Casa 1 que conta com atividades culturais e educativa e a Clínica Social Casa 1, que conta com atendimentos psicoterápicos, atendimentos médicos e terapias complementares, com foco na promoção de saúde mental, em especial da comunidade LGBT.

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