Lançado no Brasil pela Editora Suma, “Órbita de Inverno” é um épico espacial repleto de intrigas políticas interplanetárias, de romance e de personagens inesquecíveis.

Escrito por Everina Maxwell e traduzido por Vitor Martins, o livro conta a história do Príncipe Kiem que é intimado a se casar com o conde Jainan, viúvo de um parente de Kien, para garantir a paz entre os países Thea e Iskat.

“Traduzir ‘Órbita de inverno’ foi uma experiência incrível! Essa foi minha primeira vez traduzindo ficção científica, e precisei encarar muitos desafios típicos do gênero (nomes de planetas e artefatos inventados, por exemplo). Mas a história é tão imersiva e intensa que não dava vontade de parar. O relacionamento do Kiem com o Jainan se desdobra nos detalhes e trazer essas sutilezas para a nossa língua foi um trabalho muito divertido. O livro também tem uma trama de intriga política muito bem desenvolvida e cheia de reviravoltas e, como não li antes de traduzir, fui descobrindo tudo enquanto trabalhava”, diz Vitor.

No livro, Kiem não quer se casar e Jainan também não quer um novo marido, mas só juntos eles poderão enfrentar as intrigas e as maquinações da guerra.

“É uma história perfeita para quem gosta de guerras intergaláticas movidas pela fome de poder, mistérios políticos, personagens com passados sombrios e o tipo de romance que vai crescendo aos pouquinhos até pegar fogo”, elogia o tradutor.

Para Vitor, a ficcção especulativa (científica, fantasia, terror e todos os sub-gêneros onde é possível criar um novo universo), permite que os autores trabalhem com questões sociais importantes.

“Ao criar galáxias e sistemas e planetas completamente novos, é possível escolher o que entra e o que fica de fora quando criamos um comparativo com o nosso mundo real. E acredito que a autora Everina Maxwell foi muito feliz em suas escolhas. “Órbita de inverno” é um livro com protagonismo LGBTQ+, focado num relacionamento romântico entre dois homens que não carrega nenhum fardo ou resquício da nossa vida aqui na Terra. Não existe culpa, julgamento, homofobia nem nada do tipo. Os dois estão envolvidos num casamento arranjado por razões políticas e o fato de serem dois homens nunca chega a ser uma questão porque, neste universo, não é. Porque a autora escolheu que não fosse. Acho que esse tipo de posicionamento dá para os leitores LGBTQ+ um senso de “normalidade” que muitos de nós buscamos (às vezes sem nem perceber). A oportunidade de fugir para uma galáxia onde é possível apenas existir sem o peso que carregamos aqui”.

Biblioteca Convida: Assista a participação de Vitor Martins no programa de entrevistas da Biblioteca Comunitária da Casa 1!

Em “Órbita de inverno” é comum encontrar casais formados por pessoas do mesmo gênero, planetas onde gênero nem existe, comunidades em que o gênero é apresentado socialmente a partir de adereços escolhidos pelas pessoas e não pelo gênero designado no nascimento. Para o escritor, o livro dá uma ideia de como seria viver em uma sociedade livre de preconceito, sem soar como uma utopia, já que outras características humanas horrorosas estão presentes ao longo da história como ganância, corrupção e relacionamentos abusivos.

“Isso dá à história o tom de realidade que, como leitores, nos ajuda a comprar a narrativa, sem colocar em risco pessoas LGBTQ+ e limitar suas existências à parte do sofrimento. Gays podem salvar a galáxia! Pilotar naves! Matar ursos monstruosos cobertos de escamas! E, claro, se apaixonarem no processo”.

 

Por Thais Eloy

Taubateana e Jornalista.

2 thoughts on “Ficção científica LGBT+: conheça “Órbita de Inverno””

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