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Plataforma Refugiados Empreendedores dá visibilidade a quem tem negócios no país

Pro Gabriela Caseff para FolhaPress

Pessoas em situação de refúgio que possuem negócios no Brasil podem anunciar na plataforma Refugiados Empreendedores, criada pela Agência da ONU para Refugiados (Acnur) e pela Rede Brasil do Pacto Global.

A iniciativa dá visibilidade a empresários refugiados que residem em cidades brasileiras e reúne material de apoio, capacitação e mentoria para que fortaleçam seus negócios no país. Na plataforma é possível conhecer a trajetória dos empreendedores e adquirir seus produtos e serviços.

Para inscrever negócios em qualquer área, formais ou informais, as pessoas devem estar em situação de refúgio, serem solicitantes de refúgio ou, no caso de venezuelanos, ter status de residente temporário.

Para Paulo Sergio Almeida, Oficial de Meios de Vida do ACNUR, é fundamental que refugiados possam ter apoio para a criação, manutenção e expansão de seus negócios. “A plataforma Refugiados Empreendedores dá visibilidade às suas histórias de superação e resiliência e permite acessar seus produtos e serviços”, afirma.

Ele aponta que cada vez mais pessoas refugiadas estão empreendendo do Brasil, gerando renda e contribuindo com as comunidades onde estão inseridas. “No contexto da Covid-19, tiveram que superar novos desafios, em especial por meio do comércio eletrônico”, completa.

O restaurante Jeito Marabino, do venezuelano Juan Andrés Gonzáçez, 22 anos, está no site. Seu prato principal é a arepa, tradicional nas culinárias populares da Venezuela, e o patacón, feito à base de banana e adaptado ao paladar do público brasileiro.

Juan, que abandonou a faculdade de Engenharia de Sistemas para vir ao Brasil, tinha condição confortável na Venezuela, mas resolveu migrar devido à crise que assola o país. “Foi uma decisão muito objetiva, não dava mais para ficar ali”, conta.

Em 2018, ele e sua mãe Suhail se estabeleceram em Manaus. Trabalhou com atendimento ao público e como gerente de loja de roupas. “Saímos com uma expectativa e nos decepcionamos um pouco aqui, porque ninguém sai do seu país esperando menos que tinha”, explica.

A pesquisa “Perfil socioeconômico dos refugiados no Brasil”, conduzida pela Universidade de Brasília com apoio da Acnur, mostra que empreendedores enfrentam dificuldades para encontrar informações sobre como abrir e manter um negócio e acessar crédito.

Parte deles acaba desempenhando atividades que não correspondem às suas qualificações, com baixa remuneração e, muitas vezes, atuando no mercado informal.

Juan e a Suhail encontraram maneiras criativas de complementar a renda enquanto trabalhavam. Venderam bolos e geladinho. “Empreender é uma prática, a gente vai aprendendo com o tempo, mas temos que estudar”, afirma Juan.

O Jeito Marabino nasceu em outubro de 2020, com cardápio elaborado por Suhail, que é chef de cozinha formada. Com o slogan ‘Mesma comida, um novo jeito’, a dupla reinventou pratos tradicionais para agradar aos manauaras.

“Queremos mostrar que estamos aqui no Brasil para somar e para fazer trocas culturais com os brasileiros”.

No site é possível filtrar negócios por cidade, tipo e origem do empreendedor. Para chegar ao Juan, por exemplo, seria preciso escolher Manaus, depois “gastronomia” e “Venezuela”.

Para Carlo Pereira, diretor-executivo da Rede Brasil do Pacto Global, além das dificuldades naturais para os empreendedores, há todo o contexto da crise por conta da pandemia. “Acreditamos que a troca de informações e a capacitação que a plataforma propõe será importante para todos neste momento”, afirma.

O agravamento da Covid-19 em Manaus trouxe novos desafios para Juan, que segue fazendo planos para 2021. “Quero criar uma unidade móvel e trazer portabilidade para o negócio, chegando ainda mais perto dos consumidores”, afirma.

Esta é uma matéria da Folha Press, a agência de notícias da Folha de São Paulo, serviço contratado pela Casa 1.

A Casa 1 é uma organização localizada na região central da cidade de São Paulo e financiada coletivamente pela sociedade civil. Sua estrutura é orgânica e está em constante ampliação, sempre explorando as interseccionalidade do universo plural da diversidade. Contamos com três frentes principais: república de acolhida para jovens LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros) expulsos de casa, o Galpão Casa 1 que conta com atividades culturais e educativa e a Clínica Social Casa 1, que conta com atendimentos psicoterápicos, atendimentos médicos e terapias complementares, com foco na promoção de saúde mental, em especial da comunidade LGBT.

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