BLOG

O que é racismo ambiental e formas de ajudar o Litoral Norte

Qual é o padrão das pessoas mais impactadas pelas chuvas no Litoral Norte? 

Nas tragédias causadas pelo colapso climático, as populações negras, indígenas, ribeirinhas e pobres são as mais afetadas. Essas populações também são mais afetadas por outras consequências da degradação ambiental como poluição do ar e proximação com ambientes de descarte de resíduos sólidos e tóxicos.

O histórico do colonialismo, escravidão e capitalismo, faz com que essas populações estejam submetidas aos maiores impactos das mudanças climáticas.

O racismo ambiental é um desdobramento do racismo estrutural e o termo foi criado nos anos 1980 por um ativista norte americano. O defensor dos direitos civis Benjamin Franklin Chavis Jr. percebeu que os depósitos de lixo tóxico e as indústrias poluentes se concentravam nas áreas periféricas, com a maioria da população negra. Apesar disso, o tema só ganhou uma grande projeção em 2021, ao ser levado por ativistas ambientais para os debates da COP 26, na Escócia. Na ocasião representantes do movimento negro e indígena brasileiros cobraram ações efetivas dos líderes mundias, defendendo a impossibilidade de separar a luta ambiental do reconhecimento e respeito dos povos originários. O governo brasileiro rejeitou o conceito apresentado na ONU. 

Leia na íntegra a nota da Coalizão Negra Por Direitos que foi apresentada. 

No Brasil, regiões indígenas não demarcadas, favelas, áreas com alto risco de deslizamento de terra, lixões e áreas urbanas que não são atendidas por saneamento básico são exemplos de locais onde a população sofre racismo ambiental. Nas áreas urbanas,  o racismo ambiental está presente quando falta água nas regiões periféricas, mas sobra água para moradores em áreas nobres. 

A periferia convive com a falta de água, crianças brincam nas margens de córrego, famílias perdem casas construídas durante uma vida inteira nas enchentes.

Em diversos bairros da capital paulista, os moradores de regiões íngremes são da elite e não são impactados pelas fortes chuvas da mesma forma que os morros nas periferias. Nos casos das elites, existe um investimento do poder público para que as áreas sejam habitáveis e os riscos e danos sejam minimizados. A geografia não é um sinônimo de desastre.

Confira o Mapa de Conflitos Injustiça Ambiental e Saúde no Brasil 

Os cientistas alertam sempre sobre as tempestades de verão, que já são esperadas, porque então enchentes e deslizamentos de terra continuam tirando a vida das pessoas mais pobres? 

É fato que os eventos climáticos extremos impactam a todos, mas não há como negar o recorte persistente e estrutural de quem costuma ser ainda mais afetado. Mais do que alertas em SMS e remoção forçada, as pessoas precisam de iniciativas concretas que salvem as suas vidas. O Estado precisa promover ações de alto investimento para impedir que os mais vulneráveis continuem morrendo. 

Conheça a Rede Brasileira de Justiça Ambiental 

4 formas de ajudar o Litoral Norte

No último final de semana (18 e 19 de fevereiro), chuvas intensas no litoral norte deixaram, até o momento, 54 mortos. O número de desalojados e desabrigados passa de 4.000 e a previsão é que as chuvas na região continuem. 

Separamos 4 formas de ajudar as comunidades afetadas. As principais necessidades são alimentos não perecíveis, água mineral, produtos de higiene, roupas limpas e em bom estado de conservação e cobertores.

@FUNDOSOCIALSP : é possível fazer doações presencialmente na Avenida Marechal Mário Guedes, 301, Jaguaré, das 8h às 17h. 

@FUNDOSOCIALSAOSEBA : é possível fazer doações em São Sebastião, na Rua Capitão Luiz Soares, 33, Centro, das 8h às 17h 

@GERANDOFALCOES : está arrecadando doações para compra de itens e para construção de infraestrutura. As doações podem ser feitas pelo pix 18.463.148/0001-28 (CNPJ). 

@INSTITUTOVERDESCOLA: a instituição está auxiliando famílias desabrigadas e feridos. As doações podem ser feitas para o pix VERDESCOLA@VERDESCOLA.ORG.BR ou podem ser entregues na Rua Lourenço Prado, 175, Cidade dos Bandeirantes, Butantã. 

É preciso também que as pessoas votem em parlamentares e gestores públicos que estejam preocupados, atentos e ativos com a questão climática e ambiental é tão importante. O tema de meio ambiente, Amazônia e clima apareceu na maioria dos debates eleitorais presidenciais deste ano, mas não só o governo federal tem responsabilidade com essa agenda.

Foto de capa: Rovena Rosa/ Agência Brasil

A Casa 1 é uma organização localizada na região central da cidade de São Paulo e financiada coletivamente pela sociedade civil. Sua estrutura é orgânica e está em constante ampliação, sempre explorando as interseccionalidade do universo plural da diversidade. Contamos com três frentes principais: república de acolhida para jovens LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros) expulsos de casa, o Galpão Casa 1 que conta com atividades culturais e educativa e a Clínica Social Casa 1, que conta com atendimentos psicoterápicos, atendimentos médicos e terapias complementares, com foco na promoção de saúde mental, em especial da comunidade LGBT.

Notícias Relacionadas

Paradas LGBTQIA+ viram alvo de perseguição política no Brasil

Casos de HIV cresceram 17% no Brasil, aponta boletim do Ministério ...

Deputadas federais LBTs apresentaram 21 PLs pró-LGBTQIA+, em 2023

Governo Lula anuncia a quarta edição da Conferência Nacional LGBTQIA+

‘Se for evento hétero, podem’: vereadores querem impedir criança na...

AzMina lança site que reúne todas as informações sobre aborto no Br...

MDHC prorroga prazo para participação social em levantamento sobre ...

Casa1 participa do 1º Encontro de Referência LGBTQIAPN+ em Fortaleza

Lula veta parcialmente projeto de marco temporal do Congresso

Exigir cirurgia para trans irem a prisões femininas é política tran...

Pedido de vista adia votação de PL sobre população LGBT encarcerada

A cara da dura: homens trans do RJ enfrentam o preconceito na hora ...