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[Opinião] Falas de Ricardo Salles e ministros mostra a urgência em se lutar por políticas identitárias

[Opinião] Falas de Ricardo Salles e ministros mostra a urgência em se lutar por políticas identitárias

A jornalista Rashmee Kumar explica nesta matéria do The Intercept que “o conceito de política identitária foi originalmente criado em 1977 pelo Coletivo Combahee River, um grupo de feministas socialistas lésbicas negras que reconheciam a necessidade de uma política autônoma própria, uma vez que se confrontavam com o racismo no movimento das mulheres, o sexismo no movimento de libertação negra, e o reducionismo de classe […] As mulheres de Combaheem defendiam a construção de alianças em solidariedade a outros grupos progressistas para erradicar todas as formas de opressão, ao mesmo tempo em que traziam a que elas próprias sofriam para o primeiro plano”.

A Wikipédia por sua vez explica que “política identitária refere-se a posições políticas baseadas nos interesses e nas perspectivas de grupos sociais com os quais cidadãos se identificam. Políticas identitárias visam a moldar ações de agentes públicos e privados para que determinados grupos tenham suas reivindicações atendidas e ganhem visibilidade social. Tais grupos podem ser formar a partir de uma grande quantidade de sinais identitários, tais como idade, gênero, orientação sexual, religião, classe social, etnia, raça, língua, nacionalidade etc.”.

Ou seja, política identitárias são as políticas criadas para resolver problemas que acometem determinados grupos por suas características. Ora, mas se estamos em uma democracia e o governo é para todos, porque falar sobre políticas para determinados grupos? A resposta é simples: a desigualdade.

Ainda que em tese todos e todas temos os mesmos direitos, na prática sabemos das muitas desigualdades que acometem a nossa sociedade que vão de pessoas que são mortas por suas orientações afetiva sexuais e identidade de gênero até mulheres que ganham menos do que homens exercendo as mesmas funções, passando pela seletividade do estado que prende e mata muito mais pessoas negras do que brancas, por exemplo.

Com a pandemia do Coronavírus e a necessidade de isolamento social, grupos que nos últimos anos exerciam um trabalho recorrente nas ruas para fortalecer suas lutas acabaram impedidos de visibilizar suas pautas como vinham fazendo. Além disso, a presença das pautas nas mídias tradicionais (jornais, programas de tv, revistas etc) e internet acabaram se voltando para o vírus por motivos óbvios: era, e ainda é, preciso informar e educar a população para o cuidado e a manutenção da vida, tendo em vista que o governo federal tem ido contra as recomendações técnicas de especialistas brasileiros e do mundo todo, causando uma guerra de desinformação enquanto milhares de pessoas morrem em decorrência do Coronavírus.

Porém, perverso que é, o governo tem planos de gestão muito bem definidos, ao contrário do que diz muita gente ao chamar de “desgoverno”, as políticas propostas por Bolsonaro e sua equipe aproveitam do momento de fragilidade da população para realizar seus desmandos. Se tal prática já era sabida, ficou ainda mais escancarada com a divulgação do vídeo da reunião ministerial que aconteceu no dia 22 de abril de 2020.

Na reunião que se tornou pública por decisão do Supremo Tribunal Federal, o ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles afirmou: “Então, para isso, precisa ter um esforço nosso aqui enquanto estamos nesse momento de tranquilidade no aspecto de cobertura de imprensa, porque só fala de Covid e ir passando a boiada e mudando todo o regramento e simplificando normas”.

Por mudar regramento e simplificar normas, Ricardo entende desmantelar as políticas que regem órgãos como o IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), por exemplo, que cita nominalmente na reunião. Isso significa retroceder em muitos direitos conquistados a dura penas, como o direito de pessoas indígenas à terras.

A população indígena inclusive foi atacada por outro ministro durante a reunião, Abraham Weintraub, responsável pela educação, que afirmou: “Ele tá querendo transformar a gente numa colônia. Esse país não é… odeio o termo ‘povos indígenas’, odeio esse termo. Odeio. O ‘povo cigano'”, disparou.

Tais posicionamentos que refletem as práticas dos ministros e do executivo, tornam urgente a necessidade de lutarmos pelas políticas identitárias com muita produção de conteúdo sobre o tema, diálogos com quem está por dentro do assunto e também com quem está distante, pressão aos congressistas e tudo que for possível para frear o avanço do obscurantismo.

 

ERRAMOS: a reunião ministerial aconteceu em 2020 e não 2016 como constava anteriormente

Iran Giusti é formado em Relações Públicas pela FAAP, atuou como gestor de redes sociais e gerente de projetos em agências de RP e Social Mídia e como jornalista foi repórter do canal de conteúdo LGBT do Portal iG e do BuzzFeed Brasil. Atualmente se dedica a gestão da Casa 1, um centro de acolhida e cultura LGBT e produção de conteúdos em que acredita.
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