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Perguntamos para um especialista o que é Antifascismo e o que precisamos saber sobre

Perguntamos para um especialista o que é Antifascismo e o que precisamos saber sobre

No dia 1 de julho as redes sociais se infestaram com artes modificadas da bandeira Antifascista em função da presença de manifestantes antifascistas nos protestos antirracistas que se iniciaram nos EUA por conta do assassinado de George Floyd, um homem negro sufocado por um policial branco no dia 25 de maio.

Já no Brasil, as manifestações se desdobraram no final de semana dos dias 30 e 31 de maio trazendo também a pauta de defesa pela Democracia devido ataques do presidente Jair Bolsonaro aos poderes Legislativo e Judiciário.

Diante da popularização do símbolo do Antifascismo, muitas vezes utilizado sem o entendimento real dos significados perguntamos para Gilberto Calil, Professor Associado do curso de História e do PPGH da Universidade Estadual do Oeste do Paraná. Doutor em História Social (UFF, 2005), com pós-doutorado em História (Universidade do Porto, 2012) afinal o que é Antifascismo?

O que é o Antifascismo e é a mesma coisa que Antifa?

Embora os termos costumem ser usados como sinônimos, Antifascismo tem um sentido mais amplo, abarca todos aqueles que se opõem ao fascismo enquanto projeto social e como método político, ainda que esta oposição se configure através de formas muito distintas. Antifa (ou Antifascismo Militante) é um método de ação que se constituiu no imediato pós-guerra, assumindo o legado dos movimentos de resistência ao fascismo, e que além de se opor genericamente ao fascismo, entende que não se pode permitir que ele se organize livremente e que é necessário assumir um conjunto de táticas de enfrentamento direto para impedi-lo.

Grande parte dos opositores do fascismo que se situam no campo liberal e mesmo na esquerda moderada divergem do movimento antifa neste ponto, pois acreditam que os fascistas devem ter direito à liberdade de organização até que se comprove que cometem ações ilegais e violentas. Para os antifas, ao contrário, a presença do fascismo no espaço público sempre prenuncia o avanço de agressões e violência e deve ser impedida por meio de ações diretas. Além disto, os antifas lembram que os fascismos ascenderam ao poder utilizando-se de meios legais, e entendem que um movimento estruturado em torno de uma organização paramilitar não pode ser interpretado através dos mesmos parâmetros com que se avalia uma organização não fascista (por exemplo, como força eleitoral pelo dimensionamento de seus votos).

O Antifascismo ou Antifa é um movimento organizado?

O Antifa conta com organização, mas não da forma tradicional. Não tem uma estrutura hierárquica nem pretende se colocar como força eleitoral, mas se estrutura a partir do reconhecimento comum em torno do objetivo de impedir que o fascismo ocupe o espaço público. Sua organização se volta essencialmente à realização de ações diretas. De acordo com Mark Bray, um dos principais estudiosos do movimento Antifa, ele é entendido como “um método político, um elemento de identificação individual e coletivo e um movimento transnacional”, estruturado para reagir frente à ameaça fascista.

Qual é a origem do Antifascismo? Ele continua sendo a mesma coisa?

O antifascismo militante remonta remotamente à estruturação de grupos de autodefesa de negros contra agressões racistas e de forma mais direta a grupos de autodefesa que reagiam às agressões das milícias fascistas durante o processo de ascensão do fascismo no entre-guerras. Adapta-se à situação de clandestinidade empreendendo a resistência aos regimes fascistas (Itália, Alemanha) ou à ocupação nazista (França, Holanda, etc). No imediato pós-guerra, identifica-se como movimento transnacional a partir da radical rejeição à reorganização do fascismo e intenção explícita de impedi-lo de ocupar o espaço público.

Evidentemente que assume formas distintas de acordo com as diferentes conjunturas históricas e com as especificidades nacionais, adaptando seus métodos e formas de atuação. Por exemplo, em países onde o fascismo ataca os imigrantes, o antifascismo militante organiza-se com eles para sua autodefesa. Da mesma forma quando a violência fascista se dirige a negros, homossexuais ou outros grupos oprimidos.

Quando falamos em antifascismo aqui no Brasil estamos falando da mesma coisa do Antifascismo dos EUA?

O movimento antifascista militante tem origem no Brasil no enfrentamento ao integralismo, em especial nos anos 1930 quando este se estruturou como movimento fascista de massas. Seu grande feito histórico deu-se em 1934, quando uma ação de frente única reunindo anarquistas, trotskistas, comunistas e sindicalistas conseguiu expulsar os integralistas da Praça da Sé, no que ficou conhecido como “Revoada dos galinha-verdes”. No pós-guerra, embora o integralismo tenha se reorganizado como partido, negava seu caráter fascista e não existia nenhuma organização que reivindicasse o fascismo ou pretendesse organizar-se como milícia, o que também fez com que o antifascismo tivesse menos expressão do que nos Estados Unidos (onde o enfrentamento à Ku Klux Klan era empreendido por antifas) e na Europa (onde em vários países se viam tentativas de reestruturação de movimentos fascistas). Nos anos 1980 e 1990, no Brasil, a despeito da existência de grupos neonazistas, neointegralistas e skinheads supremacistas, o fascismo permanecia como fenômeno relativamente minoritário, o que só se modificaria com a ascensão do bolsonarismo.

Muitas pessoas trocaram seus avatares nas redes sociais para se posicionar enquanto antifascista. Isso tem alguma função prática? Pode ser considerado um ato Antifascista?

A meu ver há um aspecto muito positivo e outro que precisa ser problematizado. Vejo como muito positivo o crescimento do debate sobre fascismo e antifascismo que permite reconhecer o bolsonarismo como movimento fascista. É evidente que a despeito de medidas de fechamento político não estamos sob um regime fascista, mas a experiência histórica demonstra que a implantação de regimes fascistas se dá ao término de longos processos de fascistização, que são gradativos. Antes de haver um regime fascista consolidado, ocorrem a proliferação de ameaças, difusão de discursos de ódio, agressões e organização de milícias (como claramente é o caso do grupo neonazista dos “300” liderado por Sara Winter). É fundamental que o debate sobre fascismo tome o espaço público para que se compreenda o que ocorre.  Por outro lado, cabe problematizar a banalização que ocorre quando se perde a dimensão militante associada ao antifascismo, como se a mudança de avatares ou a invenção de novos e criativos avatares fosse em si uma forma eficiente de resistência ao fascismo. 

Iran Giusti é formado em Relações Públicas pela FAAP, atuou como gestor de redes sociais e gerente de projetos em agências de RP e Social Mídia e como jornalista foi repórter do canal de conteúdo LGBT do Portal iG e do BuzzFeed Brasil. Atualmente se dedica a gestão da Casa 1, um centro de acolhida e cultura LGBT e produção de conteúdos em que acredita.
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