Recentemente, uma leva de capas e matérias nas principais revistas de moda e comportamento no Brasil estamparam mulheres negras em seus espaços de maior destaque. Esta inédita oxigenação nas imagens e conteúdos das publicações nos traz uma sensação ambígua de que finalmente as revistas têm reconhecido a importância de mulheres não brancas em ocupar estes espaços e de que as revistas podem estar simplesmente fazendo uma mea-culpa e querendo se sair bem na onda dos últimos acontecimentos.

Sem dúvidas a pandemia e especialmente os levantes “Vidas Negras Importam” ao redor do mundo vêm alertando e pautando mudanças simbólicas e estruturais (estas principalmente) que combatam o racismo, e o campo da comunicação não está imune.

Exemplo disso é de que nas últimas semanas a GloboNews escalou um time de jornalistas negros para falar sobre racismo, o canal de humor Porta dos Fundos publicou vídeo com irônica nota de repúdio com as atrizes Nathália Cruz e Noemia Oliveira, artistas brancos passaram a ceder suas redes sociais para pessoas negras e esta publicação da ombudsman da Folha de São Paulo que cobrou nova postura do próprio jornal ao publicar notícias sobre violência contra pessoas negras.

Só agora neste mês de Julho, a revista Vogue Brasil trouxe a cantora Teresa Cristina (ela que falamos recentemente neste post) em 3 capas diferentes, uma delas em pintura feita pelo jovem artista pernambucano Sambuel de Saboia, a revista Harper’s Baazar estampou a médica e vencedora do último Big Brother Brasil Thelma Assis sob o título “Paz, amor e luta” e a revista Marie Claire multiplicou suas capas com jornalistas mulheres que estão se destacando “no front das notícias”, entre elas Flávia Oliveira, comentarista da GloboNews, Maju Coutinho, âncora do Jornal Hoje, Aline Midlej, apresentadora do GloboNews e Flavia Lima, ombudsman da Folha de São Paulo.

Sobre as revistas de moda – tanto impressas quanto virtuais -, vale lembrar que elas ainda são um dos principais meios responsáveis por ditar parâmetros de consumo e tendência, cabendo a reflexão de que se praticamente 58% da população brasileira é negra, faria sentido que ao menos metade das capas fosse com mulheres negras. Ou ainda uma análise apurada dos seus organogramas e equipes de trabalho para olhar quem vem ocupando os cargos de decisão, visto que muito do que acaba saindo impresso está sob estes comandos e que são eles que concentram os maiores salários.

De toda forma, fica o chamado para uma reformulação radical das estruturas atuais de todos os tipos de veículos (revistas, jornais, canais de televisão, sites, etc.) e a evidência de que estes são agentes imprescindíveis e de grande responsabilidade para uma atuação antirracista para além do campo da representatividade.

 

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Por jjoãoapaes

jjoão atua na comunicação, projetos, estratégias e cotidiano da Casa 1 desde agosto de 2018.

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